Renato Goulart: o gentleman. 

 

O conheci entre um gole e outro do misterioso GLENMORANGIE puro malte, guardado a sete chaves na adega do Chefe NERO MOURA. Puro malte somente servido nas reuniões das segundas-feiras na Av. Atlântica, 4001 apto 801 – Copacabana. Neste evento, TODOS estavam lá: recordando missões e falando da Força Aérea... Dentre os mais joviais, sorridentes, simpáticos, exemplo da jeunesse d’or da época estava RENATO GOULART PEREIRA, vulgo “Galego”. Por natural, pois GOULART pertencia a uma ascendência totalmente originária da “santa terrinha” (bastava ver o nome e o jeitão). GOULART era um dos “oriundos” da Escola Naval, de onde partiu para compor a Turma de Aspirantes Aviadores de 1943. Como Asp da E.Naval, compôs o quadro Oficial de basquete daquela Unidade Escolar. Da mesma maneira, compôs o quadro Oficial da E. Aeronáutica e – por tal razão – compôs o quadro de basquete do Clube Botafogo.Renato Goulart: o gentleman

Além da “boa cepa”, Renato era casado com Renata Barbero, herdeira da Gráfica Barbero que, à época, era uma Instituição que ocupava a 1ª linha dos empreendimentos gráficos do Rio.

Seguramente por seus méritos e sua simpatia natural, GOULART foi Ajudante de Ordens de Getúlio Vargas (dedo de NERO MOURA?).

Fui conhecê-lo com mais profundidade e intimidade quando veio Comandar o SEGUNDÃO em Santa Cruz. Diversas vezes voamos juntos e esse evento era prazeroso, desde o briefing para a missão em que GOULART “jogava” todo seu charme e simpatia. Passa-se o tempo e GOULART (e nós) nos vemos envolvidos em uma “bacalhoada política” em 1955 que culminou em “ordem de deslocamento de toda a Unidade Aérea para Cumbica inclusive com armamento e munição, pronta para ação”...

O deslocamento aéreo merece uma “historieta a parte” porém é justo que se diga que decolamos de Santa Cruz com teto baixíssimo e visibilidade absolutamente insuficiente para o voo visual (que fomos obrigados a realizar), voamos a muito baixa altura na base da camada, sobre Ribeirão das Lages com uma furiosa chuvarada que “descascou” a pintura das nossas máquinas (GLOSTER MK7 E F8) para, então, pousarmos(?) em Cumbica do jeitão que deu...

Em lá chegando e enfrentando um “clima de revolução política”, GOULART apresentou-se, em conjunto com seu Esquadrão, à maior autoridade presente e que fez de Cumbica seu Quartel General. Ao ser informado pelos “revolucionários” que o armamento e a munição de seus aviões estavam trancados a bordo de um C47 e que o acesso ao referido armamento só seria dado pelos “Chefes” da “politicalha” – e não por GOULART – o referido Veterano, na mesma ocasião e perante as autoridades(?) declarou-se incompatibilizado para o exercício do Comando e recusou a posição de Comandante e apresentou-se preso...

Esse era Maj Av RENATO GOULART!

 

Lauro Ney Menezes – Maj Brig Ar Ref
Piloto de Caça – Turma de 1948

gaivota1 


 

 

Temos 66 visitantes e Nenhum membro online