Oswaldo Pamplona Pinto - O Nº 2 perfeito. 


It puzzles me, diria um gringo qualquer... e digo também eu, Pinguim 34 – 3º ESPC (1948): não se lê nem se vê uma (!) menção sequer a esta figura especial, introvertida, silente e eficiente, fiel e leal que (à semelhança de Carlos de Almeida Baptista) desempenhou a função de sécond em commande de Nero Moura: Jambock Pamplona. Trabalhava na sombra, e nunca disputou o sol... cumpriu 47 missões de guerra, tendo sido afastado do voo por motivos de saúde em Mar/ 1945. Comandou a Base Aérea de Santa Cruz à época dos F8-Gloster Méteor.

Para nós, ele tinha o codinome de PINDUCA: era calvo feito uma bola de bilhar! E nem se “lixava” com isso!

Por força de alguns “nós” regulamentares, à época, pude exercer alguns encargos de “Secretário do Comando” e privar de sua companhia. E registrar sua forma de agir, sua alma de aviador, sua admiração e respeito ao Chefe Nero. E observar sua fleuma para comandar homens em uniforme...

Calvo desde jovem, arrisquei-me a perguntar “qual a razão dessa calvície precoce?” Disse ele: “Você já imaginou o ‘preço’ de voar de 2P do NERO tanto tempo?”. Ele veio da Aviação Naval e fez dupla com o Chefe, voando o avião presidencial de Getúlio Vargas. Fez parte do escalão de “pessoal chave” do recém-constituído 1º Grupo de Caça em missão avançada nos USA, antes de seguir para Aguadulce, Panamá. Atuou como Operações de Nero Moura durante toda a Campanha na Itália e, com sua memorável (as vezes, irritante) tranquilidade “administrou” o caos vivido pela Unidade no início das operações. Famosa ficou sua tranquilidade para “montar as missões de combate” para o dia seguinte, fazendo a escala de voo em um “maço de cigarro aberto, como se fora uma folha de escala... "P-47

Agindo sempre conforme sua silenciosa forma, “segurou a barra” de Operações do Grupo com eficácia e liderança. Nero atribui-lhe total capacidade de manobrar na área operacional. E, com isso, “Pamplona fê-lo bem...” dizia o Chefe. Vivi ao seu lado com grande admiração e respeito – e aprendi muito na escola da Velha Guarda – à qual Jambock Pamplona pertencia, e que demandava muito “peito e garra”... Invejável!

Uma das experiências vividas ao lado de Pamplona marcou-me sobremaneira. Vou contar...

Em certo momento (cuja data hoje me falha na memória), fui convocado para acompanhar o Cmte da BASC em um deslocamento aéreo de Santa Cruz para o Calabouço (hoje Santos Dumont) a bordo da sua aeronave de comando, o Fairchild Asa-Alta U62. Apresentei-me em tempo na Sala de Tráfego e guarneci a aeronave como passageiro. O deslocamento foi “à La Pamplona”: silencioso e sem papo... Ao estacionar no pátio da então 3ª Zona Aérea, Jambock Pamplona vira-se para o Pinguim e exclama: “deixei minha pasta pessoal ao lado de minha mesa, na Base.” Incontinenti, determina: “Ô garoto, pega meu avião, vá a Santa Cruz, pega a malinha e me traz de volta.”

Tenente novinho que era, retruquei: “Cmte, eu nunca voei nessa máquina!”

Sem pestanejar, o velho Jambock, meio marotamente, me respondeu: “Ô Caçador, esse avião é igual aos outros que você voa: empurra a manete e ele sai do chão, reduz a manete e ele pousa!” Com esses sábios (?) conselhos, maquinetei o Asa Alta ida e volta e trouxe a malinha: sem quebrar a máquina... Ela era à prova de Tenente!

Entregando a dita malinha ao Cmte, arrisquei a pergunta: “Chefe, qual é a importância dessa malinha?”

Sem pestanejar, Jambock Pamplona retrucou: “essa malinha é a do pequeno ‘f#dedor’!”

Esse era o Jambock Pamplona, o Nº 2 Perfeito!

Lauro Ney Menezes – Maj Brig RR
Piloto de Caça – Turma de 1948

gaivota1 


 

 

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