capacete de piloto de CaçaDuncan,


o perfeccionista

  

O ano era 1963, o local era o Cocorote (Fortaleza) e o sítio de trabalho era o 1º/4º GAV, então sede do ESPC (Estágio de Seleção de Pilotos de Caça e Curso de Formação de Pilotos de Caça). Eu comandava o esquadrão PACAU, que me foi presenteado por A. HENRIQUE (mais tarde o JAGUAR 01) e recebi, como herança, o CARVALHO (Macaco de Cheiro) como Operações. A turma que chegava para ser “domesticada” era a de Aspirantes de 1962. Entre eles, um magrelo espigado, sorridente e simpaticão que respondia pelo nome de guerra de DUNCAN. Era sobrinho do Mal Ar Duncan Rodrigues, um dos fundadores da FAB.

Distribuímos os “anacreontes” pelas diversas funções e o magrelo sorridente foi ser Auxiliar da Seção de Estatística, subordinada ao Setor de Operações. Nessa função, o magrelo demonstrou seus dons e dotes de artista e desenhista, criatividade e simplificação. E, além disso, desenhava as caricaturas dos Instrutores e do próprio Comandante. Sempre respeitoso...

E, nesse ambiente saudável, nasceu também o CB AREINHA... 

Cel Ivan, Cel Duncan e Cel Potengy na Condecoração da Ordem do Mérito Aeronáutico em 23/10/2006.Tive oportunidade de fazer o primeiro voo do magrelo no Tango 33, “feroz aeronave” usada para amansar as feras: o magrelo era excepcional. Sabia tudo de tudo. Inclusive, voar bem. Era inventor e “bolou” uma prancheta “maneira” para preencher check list para ser usada presa na coxa sem prejudicar a ejeção... Tirou o curso com louvor. Um dia, deu-me um abraço amistoso e partiu na proa da “Terra dos Jambocks”...

Acompanhei-o de longe: o magrelo era “madeira de dar em doido”! Fera... Fez uma brilhante passagem nos Jambocks e resolveu virar engenheiro: tinha tudo para isso...

Voltei a tê-lo sob meu Comando quando assumi o CTA e o encontrei no então Instituto de Fomento de Coordenação Industrial (IFI).

Sempre em destaque. Ousado que era (do jeito que gosto), um dia me propôs uma doidice (como ele mesmo nominou): instalar um probe de reabastecimento em voo no AT-26 Xavante!!! Sem saber muito bem quem era o mais doido, autorizei. E o (sempre) magrelo cortou chapa, tubulações, mudou o circuito de alimentação de combustível, emendou fios e cabos e, um dia, surgiu a “fera neném”: o AT-26 4422 com um probe de F-5 (roubado pelo magrelo) e em condições de voo!
Essa “máquina” rodou por aí e, até onde me lembro, “morreu” em Santa Maria...

Levava sempre a marca do DUNCAN!

Suas passagens nas Unidades de Caça e em funções outras, sempre deixavam a marca de qualidade e confiabilidade. E alegria – por incrível que pareça – pois compôs o PILOFE de ARROMBA que até hoje cantamos nas nossas cervejadas...

Ao organizar nossa querida ASSOCIAÇÃO, convoquei-o – mais uma vez – para contribuir com sua vibração, espírito, dedicação, equilíbrio, criatividade e profissionalismo. E ele respondeu à altura! Nosso codinome ABRA-PC vem de sua criação: “ABRA a PÓSCOMBUSTÃO! ABRA-PC”!

Aviador Duncan, suba aos céus com a certeza de que, das minhas crias, você foi uma das que mais me encantaram. Voe com os anjos: você merece! Um dia destes, voltaremos a voar com “uma barra” para cima. Juntos, rumo ao infinito!! 

 

L. N. Menezes – Maj Brig
Velho Comandante
Piloto de Caça - Turma de 1948
 

 

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