Hiroyoshi Nishizawa ("O Diabo") - 2o Tenente Aviador.
(87 aviões abatidos)
(Bukai in Kohan Giko Kyoshi - "No Oceano Representativo dos Destacados Pilotos Militares, um honrado budista")

* 27 JANEIRO 1920 ( Nagano - Japão) - † 26 OUTUBRO 1944 (Mindoro - Filipinas)

  Nishizawa, o  diabo

“Hiroyoshi Nishizawa tornou-se o maior ás do Japão. Ele não devia ser julgado pela aparência. Realmente, bastava alguém olhar para Nishizawa para ter pena dele: estaria bem numa cama de hospital. Era bastante alto e magro para um japonês, tinha aproximadamente 1,72 m de altura. Era ossudo. Pesava apenas 64 quilos e sua contextura aparecia agudamente através de sua pele. Nishizawa sofria quase constantemente de malária e de doenças tropicais da pele. Sua palidez ultrapassava a medida.

Não obstante a atitude reverente de seus pilotos, raramente ele correspondia aos convites para relações de amizade. Sob a capa de uma fria e inamistosa reserva, ele tornava-se quase impenetrável. Passava freqüentemente um dia inteiro sem pronunciar uma palavra. Não podia sequer responder às propostas de seus amigos próximos, os homens com quem ele voava e lutava.

Acostumamo-nos a vê-lo vaguear sozinho, desdenhando a amizade, silencioso, quase como um exilado triste e não como um homem que na verdade era objeto de veneração. Se a expressão era permissível, Nishizawa era “todo piloto”. Vivia e respirava só para voar. E voava por duas razões: pela alegria de alcançar o domínio daquele estranho e maravilhoso mundo celestial, e para lutar.

No momento em que saia para voar, este estranho e fleumático homem sofria uma transformação surpreendente. A reserva, o silêncio, o desprezo pelos companheiros desapareciam quase rapidamente como a escuridão diante da aurora.

Para todos que voavam com ele, tornou-se “O Diabo”. No ar era imprevisível, um gênio, um poeta que fazia seu caça responder docilmente ao suave e seguro toque do seu comando. Jamais vira alguém proceder com um avião de caça da mesma forma que Nishizawa com seu Zero. Suas acrobacias eram de pasmar, brilhantes, inteiramente imprevisíveis, impossíveis e estimulantes para o espectador. Ele era um pássaro, embora pudesse voar de tal maneira que mesmo um pássaro não poderia imitá-lo.

Sua visão igualmente não era comum. Quando nós podíamos ver unicamente o céu, Nishizawa, com uma vista quase sobrenatural, conseguia perceber manchas dos aviões inimigos ainda invisíveis para nós. Nunca em sua longa e brilhante carreira com guerreiro dos ares ele foi apanhado de surpresa pelo inimigo.

Desempenhou verdadeiramente seu título de “O Diabo”. Mas apenas um diabo do céu e das nuvens, um homem tão bem dotado para fazer de todos nós, inclusive eu, pessoas invejosas de seu gênio no ar”.

Extraído do livro Kamikaze escrito por Saburo Sakai
Piloto de Caça da Marinha Imperial Japonesa com 64 vitórias

Nishizawa teve confirmados 87 aviões abatidos.
Morreu no dia 26 de outubro de 1944 como passageiro de um bimotor Nakajima KI-49 Donryu (codinome “Helen”) abatido por dois Hellcat F-6F, do Esquadrão VF-14 da Marinha Americana, sobre a cidade de Mindoro (Filipinas).
Em 27 de janeiro de 1945, três meses depois, completaria 25 anos.

Clique aqui para ouvir a música "Dança Macabra" de Saint Saëns. Inspirados nessa música, Nishizawa, Saburo Sakai e Toshio Ota fizeram um "ballet aéreo" (6 "loopings") sobre a base dos inimigos americanos em Port Moresby.


 

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