Fernando de Barros MORGADO - Aspirante da Reserva Convocado.
* 7 OUTUBRO 1921 (Taubaté - SP) - † 1 JULHO 1955 (Rio de Janeiro - RJ)

  

Ten.Av. Morgado

Ingressou na aviação pelas mãos de seu irmão, Cel(PM) Felix Morgado, que mais tarde viria a ser chefe do Estado-Maior da PM-SP; tornou-se bolsista do governo brasileiro ( Ministério da Aeronáutica), indo fazer seu curso de piloto militar nos EUA, tornando-se amigo próximo dos, também veteranos, Rocha, Santos, Tormin, Poucinha, Canário, Armando e Mocelin.

Apresentou-se em Pisa no dia 3 de abril de 1945. Fim de guerra... Ingressou direto na escala de voo. Se tivesse que aprender mais alguma coisa, que treinasse em combate. Não teve. Estava pronto para entrar em ação. Bom piloto. com alto padrão de pilotagem e grande combatividade, engrenou nas missões como se fosse um veterano.

Foi designado para voar na "Blue Flight", a Esquadrilha Azul, na época comandada pelo Horácio. Não teve muita oportunidade de mostrar seu verdadeiro valor.

Realizou 19 missões nos 21 dias em que operou.

"Em uma delas no dia 24 de abril de 1945, voou em minha ala. Era a minha octogésima sexta. O Objetivo era a ponte ferroviária de Sórbolo. O Coronel Nero foi o comandante, tendo o Major John Buyers de no 2, eu de líder de elemento e ele o no 4. O objetivo foi destruído. Morgado fez um "bingo", atingindo diretamente o meio da ponte. O restante da esquadrilha completou o trabalho. Sucesso! Como o Coronel Nero estava curto de gasolina, desci com o Morgado para o ataque rasante a alvos de oportunidade. Ele destruiu três caminhões e eu outros três.

Observei bem seu vôo. Igualou-se em tudo aos veteranos, desde a perfeição com que executou o voo de formatura, até o ataque aos caminhões. Ao regressar da missão tive curiosidade de ver seu relatório. Não havia senão, continha justamente o que aconteceu."(RUI MOREIRA LIMA)

Certa vez foi atingido seriamente pelo Flak numa missão no Passo de Brenner.

Morgado era excessivamente reservado. Estatura média ( mais ou menos 1 metro e 73cm), físico bem formado, excelente caráter, caiu no "goto" dos companheiros logo de saída. Tinha uma extrema boa fé em tudo que lhe contavam.

Recebeu as seguintes Condecorações:

 Campanha da Itália  Campanha da Itália;
 Cruz de Aviação Fita 'B'   Cruz de Aviação fita "B";
 Campanha do Atlântico Sul   Campanha Atlântico Sul;
 Mérito Aeronáutico - Cavaleiro   Ordem do Mérito Aeronáutico;
Distinguished Flying Cross - USA  “Distinguished Flying Cross"(EUA);
Air Medal - USA  "Air Medal" com 3 palmas (EUA); e
Presidential Unit Citation  "Presidential Unit Citation" (EUA).

No regresso ao Brasil, Morgado voou bastante tempo na Base Aérea de Santa Cruz. Logo conquistou o lugar de líder de esquadrilha. Sóbrio no falar, voava no ESPC dando instrução e transmitindo aos jovens da nova geração o que sabia tão bem - os segredos da aviação de caça. No 1o Grupo, lá na Itália, mereceu o respeito dos companheiros. Em Santa Cruz distinguiu-se pela pilotagem fina e grande combatividade.

Um dia, no início de 1947, reuniu os companheiros de guerra e confessou que iria dar baixa da FAB. "Afinal sou um oficial da reserva convocado. Daqui a pouco estes jovens aspirantes que estou instruindo serão promovidos, passarão por mim nos galões e eu a voar caça. Não, deixarei vocês, irei voar na aviação civil."

Ingressou na PANAIR do Brasil, a maior empresa de aviação civil da época, onde voou as aeronaves DC-3, Catalina e Constellation, perfazendo um total de 8.000h de voo e tendo sido Chefe da Base Belém (PA) daquela companhia.

Casou-se com D. Ilma Morgado e teve 3 filhos.

No dia 16 de junho de 1955 sofreu um acidente de "Constellation" em Assunção, Paraguai, na curva-base para pouso, num vôo em que foi acionado como piloto reserva ("stand by") em uma etapa para a qual não estava inicialmente escalado. Por ocasião do acidente ocupava o assento da direita (não era o piloto em comando).

Várias coincidências infelizes marcaram esse acontecimento, mas o que mais impressionou foi sua determinação em sobreviver, comportando-se como um verdadeiro guerreiro. Conseguiu sair do avião somente após seu suspensório queimar-se, arrastou-se num braço só, com o pé esquerdo preso somente pelo tendão, encostando-se numa bananeira e esticando braços e dedos e gritando "para manter o moral elevado e revelar sua posição para os grupos de resgate", segundo seu depoimento tomado ainda no calor do acidente.

Sobreviveu vários dias com 75% do corpo queimado, vindo a falecer no dia 1 de julho de 1955 na cidade do Rio de Janeiro sendo enterrado em sua cidade natal, Taubaté (SP).

Morgado. Esse extraordinário homem e grande piloto de combate, deixou um claro entre os veteranos do 1o Grupo de Caça...

  

Trechos extraídos de depoimento de seu neto Renato de Mello Figueiredo e
do livro “Senta a Pua!” do Major Brigadeiro do Ar Rui Barboza Moreira Lima
 

 

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