Roland Rittmeister - 1o Ten. Av.
* 1921 - † 1944

  Ten. Av.Roland Rittmeister

Com o apelido familiar de “Rolly”, nasceu em S. Paulo no dia 17 de Abril de 1921. Ingressou como voluntário no 1o Grupo de Caça com 23 anos de idade. Estudou o primário e ginásio na Escola Alemã (S. Paulo). Daí foi para o Realengo, onde passou um ano, seguindo então para a Escola de Aeronáutica dos Afonsos, tornando-se Oficial Aviador.

“Deveria ser cavalariano e não aviador, pois RITTMEISTER quer dizer, em alemão, Capitão de cavalaria ou Mestre de Equitação”, explicava Roland em tom de galhofa. Segundo ele, Rittmeister lhe soava a um nome de ás alemão da 1a Grande Guerra. Era um bom desportista, sendo o atletismo o esporte de sua preferência. Foi campeão de salto em distância e praticava, sempre que podia, o montanhismo.

Nos Afonsos conheceu o velho e veterano pára-quedista Charles Astor. O resultado é que o Rittmeister tornou-se, também, praticante deste esporte. Tomou parte em diversas competições, conseguindo o primeiro lugar no campeonato realizado em S. Paulo em 1942, na modalidade de precisão. Pela habilidade que tinha na pilotagem, foi classificado, ainda no posto de Aspirante Aviador, como instrutor de vôo nos Afonsos.

Era homem sério, militar correto, com desenvolvido senso de equilíbrio e grande responsabilidade. Logo de distinguiu como um dos mais capazes. Seus alunos o admiravam, não somente pelos conhecimentos que dele recebiam durante a instrução de pilotagem, mas principalmente, pelo seu espírito de justiça e grandeza humana. Usava uma “capa” de sisudez, sendo na realidade um jovem alegre e brincalhão. Entre seus pares, contar casos era uma de suas virtudes. Foi um mestre em fazer rir com suas piadas; mas sabia rir também.

No Panamá, na Base Aérea de Aguadulce, era figura obrigatória na “Roda do Chimarrão” de Gastaldoni e Lima Mendes. Todos os dias lia capítulos de um livro famoso na época, escrito pelo humorista Zé Fidelis. Fez curso de caça em Aguadulce, com a classificação dada pelos instrutores americanos na classe de “very good”. Formou desde o Panamá na “Esquadrilha Amarela”, a “Yellow Flight” do Joel Miranda. Nos Estados Unidos voou o "Thunderbolt" normalmente, como já havia feito com o P-40 em Aguadulce.

Rittmeister era tímido e reservado, e o pouco tempo que passamos juntos não me foi suficiente para penetrar a fundo em sua “defesa” natural e iniciar uma intimidade maior. Tinha somente 23 anos e, com tão pouca idade, era um homem adulto, sério, compenetrado, firme nas suas convicções e pronto para lutar pelos seus ideais. Correto e ordeiro, mas ao mesmo tempo, o jovem puro disposto a viver a vida com alegria.

Só teve oportunidade de voar uma missão de guerra. Realizou-a no dia 16 de novembro de 1944 com o objetivo de atacar e/ou reconhecer a área de Vilafranca, Verona e Vicenza ao norte do Rio Pó, voando na Esquadrilha Vermelha comandada por Lafayette. “Hoje já posso ser chamado piloto de guerra”, disse.

Faleceu a bordo de um C47 americano que explodiu, após colidir com aeronaves de uma esquadrilha brasileira que estava sendo filmada.

O histórico do 1o Grupo de Caça assim relata os acontecimentos:

“Novembro 1944 - A 17 foi público o seguinte: Acidente de aviação - Ocorreu ontem, quando aviões brasileiros voavam para serem filmados, um choque entre o avião brasileiro P-47 No 44-19659 pilotado pelo 2o Ten Av Luiz Felipe Perdigão Medeiros da Fonseca, e um avião de transporte do Exército Americano no qual viajavam a serviço os 2o Ten. Av. Waldyr Paulino Pequeno de Mello e Roland Rittmeister. Os aviões projetaram-se ao solo, em chamas. O 2o Ten. Av. Perdigão saltou de pára-quedas, salvando-se. Faleceram os Tenentes Waldyr e Rittmeister”.

  

Extraído do Livro "SENTA A PÚA"
do Maj. Brig. Ref. Rui Barboza Moreira Lima


 

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