WALDYR PAULINO PEQUENO DE MELLO - 2o Ten. Av.
* 1922 - † 1944

  Ten. Av. Pequeno de Mello

Nasceu em Manaus, em 14 de Setembro de 1922. Não constava na relação de voluntários do 1o Grupo de Caça. Quando estávamos quase concluindo o Curso de Caça nos Estados Unidos, recebemos quatro pilotos de Natal que vieram reforçar o efetivo do 1o Grupo de Caça. No dia 14 de Agosto de 1944 eram incorporados ao quadro de pilotos, entre outros, o 2o Ten. Av. Waldyr Paulino Pequeno de Mello, que cumpriu apenas uma missão de guerra.

Esses novos elementos chegaram a Suffolk (USA) e iniciaram o treinamento. Como o tempo era curto, fizeram apenas o solo no P-47 e algumas horas extras como adaptação.

A idéia do Estado-Maior da Aeronáutica era a de mantê-los nos Estados Unidos para concluir o Curso de Caça. Entretanto, o Brig. Nero Moura, com base na experiência já adquirida e conhecedor do passado de vôo dos novos pilotos, assumiu a responsabilidade de levá-los apenas com aquelas minguadas 10 horas de P-47, treinando-os no próprio Teatro de Operações.

Na divisão de esquadrilhas, Waldyr foi escalado para voar na Verde, do Lagares. Dei-o pronto para o combate, apresentando-o ao Lagares. Este fez o teste final e o passou ao Oficial de Operações – Cap. Av. Oswaldo Pamplona Pinto. Daí foi um pulo para voar sua primeira missão de guerra. Em 13 de Novembro de 1944 tive a satisfação de ter o Waldyr como meu ala em uma missão de reconhecimento sobre o Vale do Pó até o Passo de Brenner, com o 1o Grupo de Caça voando com 12 aviões. Waldyr portou-se como um veterano.

Três dias após ter voado sua primeira missão, a Esquadrilha Verde recebeu ordem para fazer um "vôo de show" para ser filmada por cinegrafistas americanos. O Waldyr estava a bordo do C-47 americano com os fotógrafos. Lagares, liderando a Verde, fez a primeira aproximação, com a formatura de quatro aviões. Nossa velocidade correspondia ao dobro da do C-47. Quando chegamos a uns 100 metros do C-47, prontos para a passagem inicial, notamos que essa aeronave fez pequena curva em direção ao rumo da esquadrilha.

Como a velocidade de aproximação era grande, a tentativa de desviar a esquadrilha não impediu que a asa do P-47 do no 2 (Perdigão) batesse na do C-47.

Foi o início da tragédia. A esquadrilha espalhou-se no ar. Vi o Perdigão saltar de pára-quedas e o C-47 entrar em violento parafuso para o lado da asa atingida. O C-47 rodou até chocar-se violentamente contra o solo. A bordo, o Waldyr e o Rittmeister... 

“Sei que vou morrer, mas quero ir para a Itália".

Essas foram várias vezes suas palavras. Infelizmente, acertou...

  

Extraído do Livro "SENTA A PÚA"
do Maj. Brig. Ref. Rui Barboza Moreira Lima

 

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