2o Tenente Aviador JOÃO MAURÍCIO CAMPOS DE MEDEIROS
1921-1945

Medeiros
Conhecido como "Boulanger", nasceu no Rio de Janeiro em 15 de Abril de 1921. O apelido lhe vem de Cabo Frio quando andava pelos 15 anos e manteve uma transa com o pessoal feminino de uma padaria (boulangerie) local e que terminou em uma corrida noturna até o Rio.

Ainda criança, foi viver em Paris, onde completou o primário retornando ao Brasil com 10 anos. Escolheu a agronomia como profissão, tendo cursado até o 2o ano. Ao tomar conhecimento da criação do Ministério da Aeronáutica (20 Janeiro de 1941) veio para o Rio tratar de seu ingresso na Escola de Aeronáutica dos Afonsos.

Seu curso foi brilhante, destacando-se na pilotagem como um dos melhores da turma. Por seu mérito, foi escolhido como instrutor de vôo quando saiu Aspirante Aviador. Declarada a guerra, foi voluntário para compor o 1o Grupo de Caça.

Em Aguadulce, já como integrante do Grupo destacou-se principalmente no tiro aéreo, quando ocupou o primeiro lugar.

Esportista, excelente dançarino, sempre alegre, foi figura de primeiro plano em todas as nossas comemorações. Obteve com o P-47, o mesmo sucesso conseguido com o P-40 no Panamá.

Medeiros, antes de embarcar para o Teatro Europeu, comprou em N.York um par de pantufas, um robe de chambre estilo chinês e um cachimbo. Iria inaugurar esse material no acampamento de Tarquínia...

Um espetáculo à parte no acampamento era a ida de Medeiros ao banheiro. Calçava pantufas, vestia o robe chinês, punha um capacete de aço na cabeça e marchava solene para o banheiro que, diga-se de passagem, era a céu aberto. Enterrava as pantufas na lama e chamava a atenção de todos...

No dia 2 Janeiro de 1945, voando na ala do Dornelles, ao atacar uma locomotiva na estação de Alessandria, seu P-47 foi atingido mortalmente. Estava baixo mas, em uma fração de segundos, abandonou o aparelho. Antes do salto, ainda teve tempo de comunicar aos companheiros que iria deixar a aeronave.

Não havendo tempo nem altura suficiente para desviar o paraquedas dos fios de alta tensão, veio a chocar-se com os mesmos, sendo eletrocutado instantaneamente. A confirmação de sua morte, só a tivemos depois da Guerra.

Ninguém da sua esquadrilha percebeu o detalhe do choque com fios de alta tensão. Para todos, o Medeiros estava salvo, indo passar o resto da Guerra em um Campo de Concentração.

Morreu lutando... Seu nome hoje engalana o Centro de Civismo da Escola Supletiva Cantagalo, no Rio de Janeiro.

  

Maj.- Brig.- Ref. Rui Barboza Moreira Lima
Extraído do Livro SENTA a PÚA


 

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