CAP. AV. LUIZ LOPES DORNELLES
(*1920 - †1944)
 

Cap.-Av. Dornelles
Dornelles ingressou na Escola Militar do Realengo em 1939. Disputou o primeiro lugar na turma desde o início do curso. Estudioso e moleque. Foi para os Afonsos mantendo os êxitos da Escola Militar. Completou os estágios de vôo sem nenhuma alteração: o "bom" na pilotagem...

Declarado Aspirante, foi servir em Natal quando apresentou-se como voluntário para o 1o Grupo de Caça. No Panamá, distinguiu-se no tiro terrestre e formou na vanguarda dos melhores no tiro aéreo.

Voou na Esquadrilha Amarela (YELLOW FLIGHT) do Capitão Joel Miranda. Seu ala era Motta Paes. Como eram colegas de turma e de classificação muito próxima, tinham lá suas "turras" particulares.

Ninguém podia entrar no detalhe de suas brigas; primeiro porque eram amigos fraternos, segundo o Motta Paes só abria a boca para dizer "bom dia", e assim mesmo se nesse dia estivesse com a veia de "educação de menina do Sion".

Dornelles era baixinho, forte, bem apessoado, grosso no tratamento, até mesmo com os amigos mais íntimos; porém escondia, atrás de tudo isso, um "coração de pomba". - "sou boçal mesmo, e daí?"- frase usada com freqüência pelo "Picão Martelo", o apelido do Realengo.

Durante o treinamento nos Estados Unidos, fez nome em alguns "night clubs" de Nova York pelas gorjetas que dava.

Falar sobre o sucesso que o "baixinho" Dornelles alcançou com o P-47 durante a fase de treinamento em Suffolk, seria redundante. Continuou a ser "o bom", concorrendo na YELLOW com o Medeiros, ao título de "mais combativo". Tinha, além da habilidade na execução das missões de Caça, um espírito de luta acima do normal.

Assim chegou à Itália. A Esquadrilha AMARELA, do Cap Joel Miranda, logo se distinguiu das demais pelo arrojo de seu líder. Conseguiu incutir nos pilotos uma vontade de combater tão grande, que mal se comparando, se transformaram em verdadeiros "kamikases" do 1o Grupo de Caça.

Pagaram preço alto. A Amarela deixou de existir a partir de fevereiro de 1945: foram quase todos abatidos e afastados de vôo.

A perda de Dornelles foi uma brutal injustiça. Morreu voando a missão 89, atacando uma locomotiva em Alessandria. Destacou-se com o destemor de sempre. Seus ataques mortíferos davam a impressão de que queria conferir o resultado na hora. Sempre que o alvo era um depósito de munição, Dornelles entrava na explosão, trazendo as marcas dos estilhaços no corpo de seu P-47.

Sua audácia ia além do normal, relegando o instinto de conservação no calor do combate. Como alguns pilotos do Grupo, só avisava que fôra atingido quando seu avião estava em situação de perigo. Medo era palavra que não constava no seu dicionário.

O "baixinho" Dornelles tinha ânimo sereno e equilibrado, competente e hábil, acreditando na causa que defendia e, ao mesmo tempo, mortificado por ter que fazer aquilo, daquela forma.

E que aviador era Dornelles! Piloto de Caça fora de série, do mesmo tipo do Diomar Menezes, Limatão, Torres e Meirinha.

Aviador nato. Nada de "firulas", nada de presepadas, nem mesmo qualquer esforço para fazer as coisas com perfeição. Aquilo estava no sangue. No vôo era tranqüilo . Tranqüilidade de quem sabe quanto pode e não acha vantagem em poder, porque aquilo era natural, era assim mesmo. Ele era bom... enxergava tudo!

Foi condecorado com a Cruz de Sangue, Cruz de Bravura, Cruz de Aviação Fita A e B, Medalha da Campanha da Itália, Distinguished Flying Cross, Air Medal - 3 clusters e 4 citações em combate.

Foi promovido "post mortem' a Capitão Aviador.

Dornelles ficou em Pistóia...

  

Maj.- Brig.- Ref. Rui Barboza Moreira Lima
Extraído do Livro SENTA a PÚA


 

Temos 64 visitantes e Nenhum membro online