ALDIR RAPOSO MARTINS : PACAU, PAMPA E JAMBOCK
 

Cel.Raposo - janeiro de 2001Já são passados muitos anos. Mais de cinqüenta. Nos conhecemos no Colégio Militar em 1952. Mas amizade mesmo, só em 1954, quando começamos a cogitar a ida para a E.P.C.Ar. Nesse meio século de vida, jogamos muita bola juntos. Nos Afonsos, ele zagueiro central e eu goleiro. E muito vimos Garrincha jogar torcendo pelo Botafogo.

Fizemos o Curso de Caça juntos, ambos na Esquadrilha de Espadas do Baltar (e depois do Barrinhos) na companhia de outros amigos que já partiram, como o Fleury e o indefectível Tabalipa, então Oficial de Manutenção do 1o/4o G.Av. E também do "Doc" Paulo Fernandes, nosso médico, que anos mais tarde estaria a bordo do 2068 naquele trágico acidente na Amazônia.

Em Fortaleza, eu deixei de ser Pinto (já existia um no 1o/14o G.Av.) e passei a ser Paulo. Ele deixou de ser Martins (havia o Silvio Romero em Santa Cruz) e passou a ser Raposo. Foi quando surgiu o Aeroporto "Paulo Raposo", gozação do "Shooting" Starling (o aeroporto de Fortaleza chama-se Pinto Martins...).

Terminado o curso, ele Pampa e eu Pif-Paf, nos tornamos adversários de futsal e Torneios da Caça.

Voltamos a nos encontrar em 1966 em Fortaleza, quando compusemos a turma de "Instrutores de 66" sob a batuta de Lauro Ney. Isso depois de uma memorável viagem de carro junto com Fleury e Celestino em que encaramos 1.500 km de terra entre Salvador e Fortaleza. E a companhia do desajeitado perdigueiro "porra louca", o Yuki. Que teve, segundo as más línguas da turma, o desaparecimento, meses mais tarde, imputado a nós.

Em 24 de Maio de 66, jogando juntos de novo, derrotamos no futsal a imbatível equipe do Exército de quem ninguém ganhava em Fortaleza (eles tinham um time fantástico formado em volta do Castelo Branco, um "cracão" de bola que disputava o campeonato cearense).

Cumprido o nosso dever de instrução, destino Santa Cruz. Agora, ele Pif-Paf e eu, Jambock. Um de cada lado do hangar. Ele, Operações do lado do Bar do Lauro com o Baptista e eu, com Baltar, do lado do Bar do Zezinho.

Um ano e meio depois estávamos juntos de novo no "Esquadrão de Caça Quadrimotor do Galeão", o 1o/1o Grupo de Transporte, onde quem não era Caçador acabou sendo por força do ambiente. Ou porque já nascera com o espírito, mesmo não tendo feito o curso. Era o caso do Murillo, de quem nos tornamos grandes amigos - eu já o conhecia de Santa Cruz como "Anujá", no Esquadrão de Helicópteros da Embarcada.

E mais uma vez, fomos vizinhos no Galeão. E alguns anos mais à frente, de novo, como instrutores da Escola De Comando e Estado Maior - ECEMAR.

Pois o meu amigo e compadre Aldir se foi.

Recebi a notícia em Caxias do Sul. Por "email" do Duncan, duas horas depois de atender a um telefonema de sua filha Laíse, amigona da minha, com quem ela queria combinar alguma coisa. Aceitei a notícia com a frieza que a vida nos habituou a ter - não tem jeito, todos vamos um dia.

Mas, passadas as horas, comecei a recapitular o que havíamos vivido juntos e me dei conta de que nunca me havia passado pela cabeça que o Aldir fosse mortal.

Ele era dessas pessoas, todos nós temos alguma referência semelhante, que julgamos super-homens. Inteligente, destemido, personalidade marcante - teimoso, há que ser justo - atleta incomparável, líder nato, dedicado à família, amigo de fé. O que mais dizer?

Apenas que foi um dos melhores pilotos que conheci.

Profissional do ar. Marcou presença no Tiro e Bombardeio do 1o/14o G.Av. inovando o emprego do F-8 Gloster com as técnicas do "Fighter Weapons", que havia sido nossa "bíblia" em Fortaleza.

Na Seção de Treinamento do 1o/4o G.Av., fluente em inglês, refez todo o Manual de Vôo por Instrumentos - MAVI, depois de fazermos juntos um estágio com um instrutor da então IPIS da USAF (Instrument Pilot Instructor School) - curso que ele faria mais tarde.

Em Santa Cruz, vindos diretamente do 1o/14o, atuamos incisivamente na doutrina de implantação do TF-33 que substituía o Gloster.

Na ECEMAR, foi um destaque representando a FAB na Escola de Comando e Estado Maior do Exército - ECEME.

Tudo o que o Aldir fez na vida, foi bem feito, por onde quer que haja passado, marcou presença.

 Deve estar agitando as coisas lá no segundo andar. Junto com Fleury, Starling e Gonçalves, Fica aqui a saudade do seu amigo e dos Instrutores de 66: Menezes, Silveira "Bacalhau", Salazar "Zé Bironga", Celestino, Fleury, Starling, Paulo, Gonçalves "Azul", Villaça, Marées, Frederico Veiga, "Zé" Areal e Chagas.

  

Cel.R.R. Paulo José Pinto
Piloto de Caça - Turma 1960


 

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