FÓRUM

(no 47, set/out 2014)

O FX2 e suas Consequências ...Irretorquíveis

caneta..'. início de textoPertenço à geração que – à semelhança dos Veteranos de Guerra – foi formada como Piloto de Caça tático.

Fui educado visualizando a manobra da guerra aérea nas tarefas de Apoio Aéreo Aproximado, Isolamento do Campo de Batalha e Manutenção da Superioridade Aérea no Teatro de Operações (?)... Entretanto, e através da própria senectude e da vivência na carreira, me considero um fervoroso defensor da Defesa Aérea, seu modo de agir, sua mística e – principalmente – o estado de espírito que deve habitar a alma e o coração de um interceptador puro, desligado da manobra terrestre e cônscio de que a Supremacia Aérea deve ser o habitat daquele que elegeu o espaço aéreo, como arena do combate. E, para tanto, tripula essas máquinas incrementadas e digitalizadas, que estão sendo postas nas mãos daqueles que terão que implantar (por que não?) a mística do cumprimento dessa missão soberba, que cabe ao verdadeiro guerreiro aéreo. E livre das peias daquilo que se passa na superfície terráquea: que pertence aos táticos... às Forças de Superfície... e, talvez, aos seus próprios meios aéreos. Que já os têm!

Em confissão pública, sempre tive curiosidade de interrogar aos nossos Líderes, nossos Mestres, nossos Mitos (nossos Veteranos de Guerra) do que se tratava (e como se tratava) a “Conquista e Manutenção da Superioridade Aérea no Teatro”... Na realidade, todas as respostas não completavam o “cenário” que habitava meu pensamento profissional e – infelizmente – não pude arrazoar, nem compreender, toda a dimensão que envolve obter o “Domínio do Ar e a Supremacia Aérea”... Principalmente quando se tratava do TO (?)...

E ELES também não clarificavam, pois não a praticaram em momento algum da refrega... A Defesa Aérea pura estava sendo praticada nos céus da Europa (Inglaterra, França, Alemanha e Pacífico) com seus Douglas Bader, Pierre Closterman, Saburo Sakai, Adolf Galland, Richard Bong e outros...forum47

Convivendo com um dos mais pujantes ideólogos sobre o emprego da Arma Aérea (Mal. Marcio de Souza e Mello), aprendi (por adoção tácita) que nossa PRIMEIRA missão, como Força Combatente Independente, era aquela que, como diz a nossa própria missão-encargo e posta na Lei, nos cabe o total e contínuo domínio do espaço aéreo sobrejacente ao território pátrio, sem o que, toda e qualquer ação bélica na superfície perderia a “razão de ser”. E até de combater... Meu guru, nessa matéria, um grande pensador e atrevido ideólogo, contrariando o “hábito” e, propenso a romper as amarras que subjugavam as aeronaves de combate ao desenrolar da manobra terrestre, terminou por mobilizar o jovem (à época) Ten Cel Av para adotar o conceito da “Força Aérea Independente”, una e soberana, proprietária indiscutível do inalienável direito de pleno domínio (através de suas máquinas, homens e armas) do espaço aéreo que se sobrepõe à Nação: liça do combate frequentada pelos melhores, e que dava largueza aos dons e dotes daqueles que, através do “entrevero pessoal” bem sucedido, permitiriam que o “restante” acontecesse a contento na superfície... por força do espaço aéreo dominado!!!

Participei, pessoalmente, da decisão maior tomada à época do esplendor das manobras táticas, quando a referida autoridade, em pleno uso de sua visão e convicção, queria implantar uma aeronave interceptadora na frota da FAB, que ascendesse rapidamente à base da tropopausa, que ali transitasse no dobro da velocidade do som, visando desestimular ou destruir um intrusor inimigo que já os havia... em nosso continente. Sábios requisitos, difíceis de obter... Além disso, e por isso, concebeu o Sistema de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (SISDACTA) que, por conveniência administrativa (?) fez anexar ao Departamento Controle do Espaço Aéreo (DECEA) com os encargos “adicionais da Defesa Aérea”. Sem polemizar sobre os resultados dessa combinação (com vistas ao futuro próximo), a Supremacia Aérea vai nos ser oferecida com a Implantação do FX2! E isso desperta, no velho Aviador a tendência a discuti-la... E apopleticamente! Pois identifica-se (ainda) a dificuldade na “ruptura do comportamento e pensamento tático e tácito da FAB (e suas missões de ‘prestação de serviços’)”, ao invés de se perceber visões voltadas para a realidade que o FX2 vai a nos impor, urgentemente. É necessário o surgimento de apóstolos para fazer concretizar a atitude voltada para a SUPREMACIA AÉREA e DOMÍNIO do ESPAÇO AÉREO, no seio da Força Aérea! Sem o quê, nada poderá ocorrer... lá embaixo! Os prestadores de serviços podem fazê-los, até com os meios aéreos táticos que as Forças Singulares já os possuem!

Apóstolos da Defesa Aérea: à luta!

Senta a Pua !

Lauro Ney Menezes – Maj Brig Ar Ref
Piloto de Caça  - Turma 1948
 gaivota...final de artigo

 

 

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