Justa homenagem
(Fórum no 37, jan/fev 2013)

 

 

Venho buscando, há algum tempo, um bom motivo que me leve a escrever mais um artigo para a ABRA-PC. Felizmente, relendo algumas edições passadas do nosso periódico, me dei conta de que temos uma equipe multidisciplinar de colaboradores. Uns mais filosóficos outros mais técnicos e até mesmo alguns poéticos ou engenhosos (como disse o Cel Kauffman na edição de SET/OUT de 2012).
Ora, como ser original e criativo diante de talentosos companheiros?

Então, busquei nas sábias orientações do Brig Quírico a motivação que me faltava. Chefe, o senhor sempre incentivou a produção cultural de nossa comunidade. E foi com arrojo que risquei essas palavras e arrisquei uma homenagem aos nossos queridos CAÇADORES QUE ESTÃO ATUALMENTE NA RESERVA REMUNERADA.

No último artigo que enviei à ABRA-PC falei sobre LIDERANÇA e EXEMPLO, fatores indispensáveis aos líderes de Esquadrilha/Esquadrão na condução de seus comandados. Agora, sem fugir muito do tema, vi nos CAÇADORES DA RESERVA um digno exemplo de entrega e altruísmo.


Falar de Nero Moura, Pamplona, Lima Mendes, Danilo de Moura, Rui Moreira Lima, Meirinha e tantos outros (nossos eternos HERÓIS) se torna relativamente fácil. Grande bibliografia, relatos abundantes, fotos de época, artigos publicados, entrevistas... enfim, um farto material. O apreço que temos por eles é inegável! Porém, gostaria de mudar o foco e registrar as devidas homenagens aos atuais colaboradores.

Como um bom frequentador de Ximbocas (cervejadas) eu ficava me perguntando o que levava aqueles ex-caçadores, já na reserva remunerada e alguns com excelentes empregos no meio civil, a frequentarem esse ambiente cheio de pica-fuPicadinho 2012- Pilotos de Caçamos e pixoxós. Isso sempre me intrigou!

Buscando algumas explicações fui ao sítio da ABRA-PC na NET e comecei a navegar nas Estórias e no Fórum. Não foi coincidência encontrar, em sua maioria, artigos publicados pelos Maj Brig R1 Lauro Nei Menezes e Brig R1 Quírico. Escondidos, avistei um do Maj Newton, outro do Ten Cel Ronconi e até um meu (nós ainda estamos na ativa!). Sem ressentimentos, desconsiderei os publicados para o Prêmio Pacau Magalhães Motta, pois são enviados em aproveitamento de Monografias/Artigos Científicos dos Cursos de Formação ou de Pós-Formação da Força.

 
De volta ao assunto, estou certo de que a maioria de nós não imaginava que teria que exercer atividades tão diversas daquelas ensinadas na EPCAR e na AFA. Em toda a nossa carreira tivemos que assumir papéis, cargos e funções para os quais não fomos explicitamente preparados. Na EPCAR queríamos ser cadetes e na AFA queríamos ser caçadores. Simples assim!

Mas nessa transição de papéis se apresenta a capacidade de convivência e a habilidade da conquista da admiração. E essas pessoas, as quais eu homenageio, têm sob seu julgo a capacidade de direcionar suas ações. Então, não seria legítimo questionar o que os levaria a estar entre nós convivendo e confraternizando?

Tendo voado por sete maravilhosos anos no 1° GAVCA, vou usar a convivência que tive lá para traçar um paralelo e unificar todas as outras Unidades de Caça da FAB. Cervejadas das sextas-feiras, Ximbocas da Saudade, Aniversários da Unidade, Reuniões da Aviação de Caça, Picadinhos, etc. são uma pequena amostra da convivência que tive e que tenho com eles.

Amigos(as), é nesse ambiente informal e também pelas páginas do periódico da ABRA-PC que nossos homenageados se fazem presentes e nos brindam com suas estórias/histórias. Para eles, o prazer de voltarem ao convívio dos “novinhos”, o prazer de respirar os ares do ambiente operacional, de escutarem o ronco dos motores, de voarem nos voos da saudade, de cantarem o cancioneiro/porno-cancioneiro (acompanhado de um Glenmorangie double shot) se transformam em suave bálsamo rejuvenescedor!

Felipe Duncan, filho do Cel Duncan (meu Adelphi ao Senhor...) num email destinado aos membros da ABRA-PC declarou: “Ele disse que chegou como Coronel e saiu como Tenente” após ter realizado o Picadinho 2012- Pilotos de Caçavoo da saudade no F-5M em 2010 com o Maj Ronconi (na época operações do Grupo).

Caríssimos, não se enganem! Nós é que nos deleitamos com vocês. Viajamos com vocês nos aviões com reloginho, nos planejamentos feitos da ponta do lápis, nos ataques desconflitados com barbante, nas artimanhas e malandragens usadas nas missões de interceptação sem esquecer das dezenas de gráficos consultados para o cálculo de combustível. Contudo, histórias/estórias sem demonstração de atitude e de vibração não dizem nada. Os senhores nos transmitem a emoção de terem pertencido ao Esquadrão A ou B, de terem pilotado máquinas apaixonantes, de terem criado músicas e paródias, de terem lançado um F2 perfeito. Por fim, os senhores nos mostram o que é a essência da CAÇA e o quanto ela AINDA é apaixonante!

Como disse Antoine de Saint-Exupéry “O essencial é invisível para os olhos”. Tenham certeza de que sentimos todas as emoções vividas por vocês.

Por tudo isso é que os senhores (ainda não existem caçadoras na reserva...!!!) são essenciais na perpetuação das nossas tradições. Nero Moura tinha razão! Elas não podem morrer. Por isso, não nos abandonem...

Nos atuais tempos de indecisões e prorrogações na compra de melhores e modernos “cavalos de batalha” (Tacarijú, 2012) os senhores ajudam a manter viva a chama dos jovens “cavaleiros” (Tacarijú, 2012) e nos fazem sonhar e acreditar em novos horizontes.

E assim deixo esta justa homenagem.

Senta a Pua!

  
Helmer Barbosa Gilberto - Maj.-Av.
Piloto de Caça – Turma de 1996
Comandante do Corpo de Alunos da EAOAR – 2012

 

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