Sobre a mensagem da Diretoria da ABRA-PC no Boletim nº 94
(Fórum no 36, nov/dez 2012)

 

 

Amigos Caçadores, descendentes na glória dos Cavaleiros Medievais,

O texto mensagem da diretoria foi escrito com enorme delicadeza.
Contudo, em suas entrelinhas, é possível ler que a Caça vive este mesmo drama há bastante tempo. Como já disse uma vez, uma aeronave de caça é como um cavalo de batalha medieval, “não pode temer nem o fogo nem o estrondo; deve ser forte para proteger seu cavaleiro dos ataques da infantaria; ágil para escapar dos ataques; e outras coisas que não me lembro mais”. É um cavalo caro, muito caro! Mas, sem ele, o “Reino” estará desprotegido. Simples assim!!! Um cavalo velho e cansado não defende nem a si mesmo!!

Há 27 anos, folheava um manual da Segunda Seção do COMAT sobre a Avaliação da Força, e lá estava tudo o que se ensinava na ECEMAR sobre o assunto. No ano seguinte, fui Instrutor de Avaliação da Força no CEM. O que sabia naquele tempo é que piloto, sistema de navegação e armas e plataforma (anv) precisavam casar-se até que “a morte os separe”. De todas as probabilidades que compunham a Probabilidade de Sucesso, havia uma que me chamava a atenção: a probabilidade de sobreviver na surtida. Era composta de algumas outras como superar as defesas, antes e depois do ataque, ou superar outra aeronave, antes e depois do ataque.

Neste ponto, Cavaleiros da Távola Redondaminha memória “rebobinou” até a metade de 1975, quando pousei no Galeão com o primeiro F-5E do Grupo de Caça. Demorei a “rebobinar” 37 anos até aquele momento. 37 anos é idade de Major, talvez Tenente Coronel, nascidos naquele ano. Bem, o “cavalo de batalha” está velho. Depois da “operação de catarata” vê um pouco melhor, mas, a força já não é a mesma. Os remédios para seus males já não funcionam mais. Seu primo, o A1, envelheceu junto com ele e sofre dos mesmos males, estando cego desde nascer; “galopa” sem força com seus “músculos” cansados e vê por instinto e pelos olhos de seu cavaleiro. Seu meio irmão Mirage “morreu” recentemente de velhice. Os cavalos de batalha do Reino envelheceram e vivem probabilidade desfavorável de sobrevivência em combate, Talvez não sobrevivam, levando consigo seu cavaleiro. 

Enquanto o “Rei” confere as moedas em seu cofre, as fronteiras do “Reino” estão sob ameaça constante. O discurso de que os “Reinos” vizinhos são amigos é pura fantasia. Os “Reinos” são amigos enquanto houver interesse comum. Com interesses conflitantes, iniciam-se as pressões econômicas e quebras de acordos, buscando impor-se ao “Reino” vizinho. Conversar “desarmado” é não ter “força” nos argumentos. Esta é a realidade das relações internacionais. Dissuadir ainda é verdade, desde Sun-Tzu.

Honra aos cavaleiros que montam seus velhos “cavalos de batalha” e estão prontos a perder suas vidas enfrentando cavaleiros montados em cavalos jovens! A “força” dos músculos do cavalo de batalha ainda é fator decisivo para sua sobrevivência, mesmo que o “arqueiro” nele montado dispare sua “flecha” a distância segura. Se errar, precisará combater ou fugir montado em seu “amigo” de “músculos” cansados...

Que o “Rei” descubra o valor de seus bravos cavaleiros e os proteja em suas batalhas eventuais no futuro!!! O “cavalo de batalha” é essencial nesta proteção!!! Os irmãos que plantam a comida, curam as doenças e fabricam as “armaduras” não estarão tranquilos sem os Cavaleiros montados em seus Cavalos de Batalha a defender o “Reino”.

Que o “Rei” não se esqueça disto!!!!

Assim seja.

Tacarijú Thomé de P. Filho - Cel R1
Piloto de Caça - Turma de 1967

 

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