OS ARP (VANT) NA FORÇA AÉREA
(Fórum no 32, jan/fev 2012)


Abandono a Sala de Conferências do Clube da Aeronáutica - Rio após ouvir uma apresentação promovida pela ABRA-PC a respeito da introdução na FAB das Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP), conhecidas pelo vulgo como Veículos Aéreos Não-Tripulados (VANT). Extremamente oportuna, diria, e principalmente pelo nível da ignorância a respeito do assunto por parte deste velho escriba. E que foi superado. Em termos técnicos gerais, deixei o convívio com os apresentadores melhor “municiado”. Entretanto, e como sempre acontece comigo (e outros), certas “raízes conceituais” – ao invés de clarificadas – trouxeram-me “dúvidas atrozes”... Se não vejamos: 

- o que está sendo implantado já merece um ESQUADRÃO NUMERADO? Parece-me que um Grupo de Trabalho (GT) ainda mais ativo, para pesquisar e fornecer esclarecimentos, eliminar as dúvidas naturais provenientes do desconhecimento geral dos efeitos desse “salto tecnológico”, seria mais apropriado. Porém, o Esquadrão já criado! E ativado! Merece reflexão!...

- ao criar uma Unidade Aérea, e ter injetado o ser humano no contexto ("man-in-the-loop") estarão sendo consideradas as suas consequências? Inclusive de carreira (horas de voo, por posto), remuneraçMaj.Brig. Menezesão para compensação orgânica do voo (?), funções administrativas em “UAe novidade” versus as verdadeiramente? operacionais (?). Além disso, e as características psicológicas para o exercício dessa atividade aérea (?). E uma miríade de pequenas questões colaterais. Aliás, a FAB é mestra em “jogar” com seus recursos humanos sem que toda a panóplia daí decorrente tenha sido analisada e avaliada ANTECIPADAMENTE. E vai corrigir (?) após a decisão!!!... Merece reflexão!

- no momento em que um Projeto de Alta Modernidade deste tipo (e, portanto, eivado de questões não-perfeitamente respondidas) adquire “movimento operacional” (como é o caso de um ESQUADRÃO com MISSÃO atribuída), parece ser ABSOLUTAMENTE necessário que o número de interrogações porventura ainda existentes seja próximo de ZERO! O que parece não ser o caso...

- essa MISSÃO ATRIBUÍDA ao ESQUADRÃO é missão da FORÇA AÉREA? E onde ela se encaixa na tarefa de MANTER e CONQUISTAR a SUPREMACIA AÉREA sobre o Território Nacional? Ou, na realidade, é uma OPERAÇÃO ESPECIAL que nem só a Força Aérea pode (e deve) realizar?... Outras Organizações também... E onde entram as Polícias (Federal e Estadual) nisso?

- é uma tarefa experimental ou especial e/ou será incluída como MISSÃO institucional da Força Aérea? Há que conceituar...

- para guarnecer (ou tripular?) esses vetores (hoje voltados somente para a vigilância), que tipo de HOMEM a UNIDADE vai requisitar? São necessários Pilotos de Combate de Primeira Linha para a Vigilância? E precisa ser Piloto de Caça? E precisa ser de carreira? E vai ao posto de General voando (?) os ARP?

- o “voador do veículo” precisa realmente ser Piloto totalmente formado de forma acadêmica (EPCAR-AFA-UAe) ou basta ser um “especialista esperto”? E onde recrutálo? Ou formá-lo? Os exemplos que usam os modelos em uso (USAF Israel) só são “deglutidos” naqueles países... simplesmente “por mobilizar meios e desmobilizar sem dó nem lei”... ou ter que cumprir tarefa (e não missão) exclusiva e pontual! Cirúrgica, melhor dizendo...

- a “extração” de Pilotos de Combate das Unidades de PRIMEIRA LINHA para compor a tropa dos ARP ocorrerá sem “mugidos” e ruídos? Ou para lá vão os que ninguém quer... E aí, vamos compor Unidades Aéreas dos Refugados???... Já vi Unidades Aéreas guarnecidas por “frustrados” e que nunca conseguiram se organizar. E nem cumprir missão... nem em tempo de paz!

- que tipo de motivação terá um “voador de ARP” já que não sente o “fragor da batalha”? Não será a “adrenalina no combate” que induz os neurônios e o espírito do guerreiro até ao sacrifício da própria vida? Estarei sendo muito romântico?...

- não será tudo isso muito “encantamento” por uma tecnologia que outros já conheciam e NÓS ainda não?... Novidade? Só para nós...

- sobre a “compartimentação do voador” em um "shelter" (mesmo com ar condicionado) por 10 ou mais horas, que tipo de resposta psicomental a FAB espera do "man-in-loop"? E a solidão da espera? E a hipnose ocular? E a fadiga psicológica? E a sensação de “guerra nas estrelas”?

- afinal (se é que) é operação cirúrgica e pontual e contribui para as ações bélicas no Teatro ou serve exclusivamente para um fim determinado e instantâneo...

E por aí vai... Não será melhor refletir ANTES DE?...

Lauro Ney Menezes - Maj. Brig. Ref.
Piloto de Caça - Turma de 1948

 

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