A ESQUADRILHA É UM PUNHADO DE AMIGOS
(Fórum no 30, abr 2011)

esquadrilha de 5 F-5EM

 

 

Todos nós conhecemos como começa o “Bandeirantes do Ar”, hino que nos acompanha desde a EPCAR. Alguns devem saber que este mesmo hino foi composto por um militar oriundo da tradicional Marinha do Brasil. No entanto, fazendo uma reflexão numa solitária corrida matinal, me dei conta de que esta frase deveria ser cultuada pela Aviação de Caça, e por isso me cocei para escrever algumas palavras ao Boletim da ABRA-PC.

O cadete da AFA dificilmente entende a função do ala. Na concepção dele, o ala, burro, deve apenas manter posição, em poucas missões de Formatura Básica. Não há nele, nem há com incutir isso, a percepção de que o ala presta apoio mútuo, e é aquele que compõe o elemento, unidade mínima de combate. Só começamos a perceber tal coisa, e sentir necessidade, no curso de Caça, formação que nos torna efetivos combatentes. No 2º/5º GAV sentimo-nos braço armado, e nos são forjados os sentimentos da necessidade de apoiarmos o líder, mesmo com o sacrifício da nossa vida.

Ao prosseguirmos na nossa ascensão operacional vemos que o “ala burro” vai dando lugar ao perito guerreiro, que pensa e trabalha com maestria nas missões de combate, apoiando o líder como todo Ás gostaria. O foco muda. O ala é O amigo. Amigo de todas as horas. Não é a toa que falamos, com peito aberto: “O Zé é meu ala!”. O ala é o cara com quem nós podemos contar pra qualquer coisa. É o cara, que quando você olha pro lado, ele está lá. Pronto.

Não há dúvida de que ele é capaz, o líder sabe que ele vai dar conta do recado! O bom ala, o bom amigo.

E a Caça tem os nossos alas. Temos grandes amigos de turma, de infância, etc. Mas há aqueles que chamamos verdadeiramente de ala, que fortaleceram a grande amizade, baseada em lealdade, confiança, honestidade e respeito. Mais ainda, o ala pode ser mais antigo, pode ser da turma, pode ser mais moderno. Meus amigos são da Caça, e é isso tudo. Mas é, e sempre será, o amigo ao qual corremos quando precisamos, mesmo que não esteja mais na Caça. Porque sabemos que ele foi formado em uma escola, que forja o Ala dentro das mais rígidas exigências, numa escola única.

Hoje agradeço à Caça. Agradeço pelos amigos que tenho. Meus alas. Alguns, já na reserva, nem pude voar com eles (honra de liderar o Cel. Duncan, que fique registrado), que são parte da Caça. Que leio e ouço suas histórias, aprendendo a cada dia. Outros me comandaram, me deram exemplos, os quais compartilho sempre que possível. Amigos, que encontramos nas aerovias, que também são nossos alas. Por isso agradeço à Caça, que me fez ala, e me deu os maiores alas. Meus amigos.

Por isso, volto a dizer, que certo é dizer “A Caça é um punhado de amigos, a vibrar e a vibrar de emoção.” Os amigos Caçadores, estão por toda parte do país. É só olhar para o lado, que você vai encontrar um ala!

Maj. Av. Newton de Abreu Fonseca Filho
Piloto de Caça - Turma de 1997

 

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