MEDITAÇÕES PROFISSIONAIS
AS AERONAVES DE CAÇA DO ANO 2000
(Fórum no 12, julho/agosto de 2002)


A globalização mundial não trouxe em seu bojo, apenas preocupações com a economia e finanças. Trouxe, também, questões para os profissionais das armas (especificamente os soldados-do-ar):

o que serão as aeronaves de combate do próximo milênio? Quais serão as ameaças, os inimigos e os cenários de operação?

As interrogações são plenamente justificadas já que, em abandonando as fórmulas tradicionais (projetos, aerodinâmica, materiais, sistemas, sensores e armamento) antevê-se o surgimento de plataformas exóticas, decorrentes da compulsão pela busca da furtividade, da compactação e - de volta - a polivalência de emprego.
E, em agravando tudo isso, vetores de preços "estratosféricos", não coerentes com o bolso do operador comum ...


Entretanto, e com grande razão de acerto, a frota mundial poderá vir a ser um "mix" de fórmulas antigas e modernas, decorrentes da irregularidade dos operadores (e conflitos?), e cujas aeronaves habitarão, em conjunto, os céus do próximo século, em maior quantidade do que seria válido esperar.

A REALIDADE ATUAL

A frota global das Forças Aéreas, na entrada do novo século, será uma combinação de máquinas oriundas de conceitos de tecnologia / engenharia / emprego que vieram à tona desde o final dos anos 70 (F-5E, F-16 A/B, MIRAGE III/50) até os anos 90, (F-16 C/D, F-18, MIG 29, MIRAGE 2000), exceção feita aos produtos americanos da geração F-22/ATF.

Em assim sendo, e aceita a exceção mencionada (e em termos de capacidade combatente), as plataformas, por si só, são de alguma equivalência. Entretanto, velocidade e agilidade serão a tônica das máquinas de guerra deste novo século.

A ultrapassada bi-polaridade de poder (geradora da tipificação das ameaças) deixou, como herança, um acervo de antigas aeronaves de combate que - a não ser que modernizadas - tenderão ao desaparecimento, face às premissas do novo século. As ameaças - dilema generalizado - terão outro feitio que não o atual, já que os conflitos tenderão para a especificidade e não para a globalidade.

Entretanto, uma imposição é certa: as aeronaves de caça terão que ser formatadas (por produção e/ou modernização) prioritariamente, para a conquista da superioridade aérea, já que as missões táticas serão - cada vez mais - atribuídas às exuberantes máquinas de combate de asas rotativas, que entraram recentemente em serviço.

Principalmente aquelas missões junto às linhas de contato. Como os aviões de caça, por decorrência natural, continuarão a ser executores de variadas tarefas, volta a polivalência do vetor a ser considerada e estimulada, em que pese o fato de ser prioritária a "conquista da superioridade aérea, já que as missões táticas serão - cada vez mais - atribuídas às exuberantes máquinas de combate de asas rotativas, que entraram recentemente em serviço. Principalmente aquelas missões junto às linhas de contato. Como os aviões de caça, por decorrência natural, continuarão a ser executores de variadas tarefas, volta a polivalência do vetor a ser considerada e estimulada, em que pese o fato de ser prioritária a "conquista da superioridade aérea e o domínio do ar"...

A REALIDADE FUTURA

Como resultado, os aviões de caça século 2000 - em analisando plataformas recém projetadas - conservarão sua multiplicidade de emprego, à semelhança do passado recente. Porém ágeis, velozes e furtivas e equipadas com armas inteligentes e sistemas capazes de serem "linkados"(1) a redes de informação de batalha a digerir uma multitude de dados, em tempo real. E, podendo com isso, direcionar o combate com mais eficácia, obtendo mais "Kills"(2)... Com menores riscos.

Buscar-se-á, também, garantir maior sobrevivência às tripulações e aos vetores, através dos armamentos com lançamento à distância e automatizados, e a conseqüente menor exposição ao fogo superfície-ar.

A busca da furtividade será uma "exigência" irretorquível: ela será obtida com a "compactação dos sistemas", (natural miniaturização dos componentes) e com a conservação dos tamanhos reduzidos, (também impostos pela necessidade de redução da "assinatura radar"), além do uso extensivo de novas formas/desenhos e novos materiais não-refletivos.

A aerodinâmica e a motorização (grande potência + pós combustão pilotada) terão que oferecer, compulsoriamente, o vôo supersônico nivelado sem pós-combustão(3), o que permitirá o engajamento e o desengajamento plenamente comandado, em toda a arena de combate, com redução de consumo de combustível.

TREINAMENTO: ponto inquestionável

Independentemente de qual seja a solução para as fórmulas dos aviões atuais e a dos vetores futuros, um ponto resta inquestionável: o piloto e seu treinamento.

Em um mundo em que as disputas tendem a ser mais e mais administradas na mesa diplomacia, em que as Forças Armadas e sua existência são severamente questionadas e que mercê, das reduções de orçamento, o treinamento do combatente começa a ser visto como custo e não como investimento o que, para tanto, há que ser fixada uma política apropriada... Dizem os analistas e ideólogos do emprego do Poder Aéreo:

"A única forma de produzir um piloto de combate é mantê-lo voando e aprendendo. Caso contrário, o ensinamento poderá vir, da pior forma possível... e talvez, no primeiro dia de combate!"

"you fight like you train!!!
("Você combate como treinou"!)

Maj.Brig.R.R. Lauro Ney Menezes
Piloto de Caça - Turma de 1948

Notas do Gerente do Sítio:

(1) "linkados"= ligados, conectados (inglês);
(2) "kills" = vitórias áereas (inglês);
(3) PC = Pós-combustão - dispositivo existente nos motores à jato (normalmente dos aviões de caça), que permite requeimar os gases de escapamento criando assim um empuxo adicional (... e um aumento descomunal no consumo!).


 

 

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