Operações Aerotáticas na próxima década: "A rutura do ritmo".
(Forum no 04 , dezembro de 2000)


Meditações Profissionais

A introdução das novas aeronaves em nossa frota de combate, trouxe à baila um sem-número de questões interrogativas no seio dos profissionais-do-ar. Não que essas e outras questões já não estivessem em pauta nos nossos corredores, salas de pilotos ou à mesa de rancho...

Apenas ganharam a substância de "ser atual", após a ocorrência desse fato. Mas, isso não é verdadeiro só para aqueles que viram e participaram do assentamento das primeiras pedras dos pilares que acompanham, com avidez, esses programas.

Esse sem-número de interrogações têm como origem as especificações técnicas desses sistemas de armas e repousa, fundamentalmente, nos aspectos conceituais e doutrinários do dia-a-dia da Força.

Ou seja, no ângulo "filosófico da questão": a entrada de novas "ferramentas de trabalho" em serviço não imporá uma evolução (ou revolução) nos conceitos de emprego do Poder Aéreo Brasileiro ( ou mesmo "terceiro-mundista")?

Pergunta-se, ainda com muita propriedade: Como se apresentará o campo de batalha aerotático nos anos 2000? Para qual direção caminham, em grandes linhas, a evolução das armas, dos sistemas bélicos e de supervisão da aplicação tática? Em quais setores da tecnologia aeroespacial de aplicação tática, estarão as futuras potencialidades (ou debilidades)?

Face à incessante sofisticação dos armamentos da terra, mar e ar, dos sistemas de supervisão e de controle dos conceitos globais de emprego tático, qual será o encaminhamento a ser dado à visão de aplicação dos Poderes Aéreo, Terrestre e Marítimo?

Isso porque, aventar a introdução de qualquer novo sistema de armas, sem posicioná-lo no amplo e futuro contexto operacional, é apenas descobrir a parte visível "de um iceberg flutuando". E o restante?

A concepção e a entrada em serviço de um novo sistema de emprego operacional ( ou de armas) estão estreitamente condicionados a um grande conjunto de variáveis, mais ou menos ocultas, e que se denominam "alta integração sistêmica, guerra eletrônica, comando, controle e comunicações, informações, C4ISR, avaliação de ameaça, competência tecnológica inimiga", etc.

Além disso, com a atual velocidade das conquistas tecnológicas, é até possível esperar que Alguns sistemas bélicos, extremamente eficazes nos dias de hoje, não consigam ver romper os anos próximos ainda em estado operacional...

De qualquer forma, há uma realidade inquestionável: à medida que a tecnologia, os vetores e sistemas que estão prestes a adquirir o "status" operacional no Terceiro Mundo, estarão compelidos, irremediavelmente, a fazer frente às imposições de uma nova arena de combate.

O que se pretende dizer é que, com a conquista de algumas novas posições no campo da tecnologia, da aeroeletrônica, dos sistemas de comunicações e controle, das munições e das armas, do sensoriamento remoto da guiagem e controle, etc., alguns países (entre eles o Brasil) poderão, com os modernos sistemas de visualização/aquisição de alvo e lançamento/arremesso das armas e visualização do campo de batalha, abandonar as operações exclusivamente diurnas (ou visuais) de hoje, para passar à arena onde claro/escuro e o visível/não visível perderão o sentido.

E, assim, haverá uma "rutura no ritmo" tradicional de operar e cumprir as missões táticas: a arena de combate passará a ser contínua, sem que haja a restrição do dia-noite, do visual e do "instrumento", da boa ou má visibilidade...

Resta meditar e preparar-se para essa dimensão... para esse novo ritmo.

Major Brigadeiro R/R Lauro Ney Menezes
Piloto de Caça - Turma 1948

 

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