A AVIAÇÃO DE CAÇA E A TRANSIÇÃO OPERACIONAL
(Forum no 01 - julho de 2000)


A FAB encontra-se numa posição bastante confortável com suas aeronaves de formação básica e seu programa de formação de pilotos (AFA)(1). Praticamente, o T-27 TUCANO  atende integralmente os requisitos para aeronave primária / básica / avançada. Por isso mesmo, tem sido frequentemente vendido a outros países, para este fim.
Por outro lado, o T-25,  de extrema robustês e ainda passível de modernização, certamente permanecerá em serviço por alguns anos mais e não faria sentido não usá-lo como treinador primário. O que nos dá um programa de formação a duas aeronaves, no momento.

Devido ao seu desempenho, qualidades de vôo e simplicidade de operação, o treinamento que pode ser adquirido com o TUCANO é realmente excepcional. Ele é suficientemente simples para ser até a primeira e a única aeronave a ser voada, proporcionando um rápido aprendizado inicial, sem apresentar excessivas dificuldades de pilotagem que resultem em elevados cortes de Cadetes.
Porém, é suficientemente complexa, sempre apresentando desafios, à medida que a experiência do aluno cresce.

Com essas considerações, em qualquer momento a FAB poderá -com habilidade- implantar um programa de formação de pilotos militares apoiados em solução de uma só aeronave: o T-27. O futuro dirá..

No que se diz respeito à Transição Operacional, a aeronave AT-26  já não está perfeitamente enquadrada dentro do programa de treinamento desejado para os anos 2000. Dois fatos, fazem com que sua substituição seja pensada: o primeiro, é que o atual Treinador encontra-se em final de carreira, em função de já haver atingindo o fim de sua vida estrutural (fadiga); o segundo, diz respeito à modernização das aeronaves de primeira linha da FAB que, na medida que forem realizadas, fará com que o atual Treinador torne-se mais inadequado e obsolescente ainda...

A Transicão Operacional é uma fase de treinamento, "pós-graduação", que permite direcionar às Unidades de Emprego pilotos com extensos conhecimentos e habilidades que lhes permitam tripular aeronaves de combate de 1a linha. As características destas aeronaves (significativas para tal treinamento) devem ser coerentes, portanto, com as aeronaves de emprego dos anos 2000.

Para alguns, é "óbvio e evidente" que a linha de ação correta(?) é a produção do T-X(2) no Brasil. Esta escolha estará -dirão outros- baseada num "sentimento nacionalista" e (mais) emocional e não racional!. Entretanto, é para satisfazer aqueles que julgam que a decisão deve ser feita baseada em fatos técnicos / reais / operacionais é que faremos os comentários a seguir.
O ponto nevrálgico da questão da substituição do Treinador de Transição Operacional reside no fato que NÃO HÁ mais tempo disponível para desenvolver / ensaiar / produzir o tão mencionado (e desgastado) projeto T-X.

Qualquer iniciativa direcionada para essa solução "morrerá na praia": a atual aeronave se extinguirá bem antes que a tempística para o T-X esteja concluída!
Além disso, os verdadeiros profissionais das armas e formadores dos pilotos de combate questionam toda e qualquer solução que não contenha, no seu bojo, uma resposta para a problemática da aeronave que permita a intermediação entre o "pacote básico de treinamento" (AFA-CATRE) e a aeronave de caça da primeira linha (Unidades de Emprego). E que, no entender dos adeptos dessa tese, deve ser um jato puro, em contrapartida àqueles que vem aceitando(?) as aeronaves turbo-hélice. As razões são, fundamentalmente, técnicas.

As aeronaves de caça sempre foram instrumentos de combate dos mais exigentes em termos de interface / interlocução / integração homem-máquina e seus painéís / habitáculos cognítivos. Que são parâmetros que demandam habilidades refinadas de pilotagem e de emprego das armas, capacidade de supervisão e avaliação da situação de combate em tempo real, processo decisório imediato, tudo executado em ambiente dos elevadas cargas de trabalho físico / mental, provenientes das velocidades e acelerações elevadas, de desgastes do confinamento e ruídos, que só as aeronaves a reação impõem. Em contrapartida, o combatente deve estar em estado físico / psícológico / comportamental de nível superior, para superar a essas imposições.

Na realidade, não há como contestar essa posturas. Principalmente, porque ela é mundialmente aceita pois parte da inegável e bem experimentada tese de que:

"you fight like you train"...
(você combate da maneira que treinou)

NOTAS:
(1) AFA = Academia da Força Aérea
(2) T-X = avião de treinamento (ainda indefinido)


Major Brigadeiro R/R Lauro Ney Menezes
Piloto de Caça - Turma 1948

 

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