ESTÓRIA INFORMAL DA CAÇA  

(Estória 101) 

 
Este fascículo contém 2 (duas) estórias:
(101-1) O Ornitorrinco
(101-2) É Daí que é Daí?
 

O Ornitorrinco

(Estória 101-1)   

capacete de piloto de caça1. Pomo da Discórdia:

O CGNA (Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea) do DECEA, nasceu em São José dos Campos (contra a minha assessoria), antes de finalmente ser sediado no Rio de Janeiro (em consonância com minha antiga assessoria), ao lado do DECEA.

ornitorrincoNaturalmente, uma organização com as atribuições do CGNA, que é de fato o Centro de Operações do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), achou que deveria ter a visualização dos tráfegos sobrevoando a área de responsabilidade de controle do espaço aéreo do Brasil (mesmo achando que isso é desnecessário operacionalmente, apesar de ser uma boa ferramenta de marketing).

Para atender o desejo do CGNA, o pessoal técnico do DECEA fez um “benjamin” no CINDACTA I e, além de mandar as SARDA (Situação Aérea Regional de Def Aepc) de cada região para o CODA (Centro de Operações de Def Aepc) montar a SAGDA (Situação Aérea Geral de Def Aepc), passou a enviá-las também para a montagem da situação aérea de interesse do CGNA, cujo primeiro software foi desenvolvido pela Fundação Atech.

 

2. CONFLITO Civil x Militar:

Tudo transcorria normalmente (apesar de eu ter avisado que o “benjamin” deveria ter sido coordenado com o COMDABRA), até que o então Ten Cel Av Burnier (creio que ele era Chefe do CODA) descobriu o Cod System (bacalhau) feito pelo DECEA e constatou consternado que a visualização da SAGDA não estava mais somente no COMDABRA.

Deu-se o caos e o Burnier me deu um esporro cinematográfico (curiosamente, creio que o Burnier, algum tempo depois, fez um “benjamin” similar, para o CCCOA).

Durante essa primeira discussão sobre o assunto, eu argumentei que seria muito difícil impedir que o DECEA tivesse a visualização radar do Brasil, já que o DECEA já detinha esse conhecimento e era ele próprio quem fornecia esses dados para o COMDABRA.

Além disso, não haveria problema de segurança envolvido, já que o CGNA lidava com assuntos sigilosos regularmente.

 

3. Nascimento da ideia:

NasceaideiaO Burnier, ainda aborrecido, concordou em tese, discordando no particular, dizendo que o controle da visualização e de quem teria acesso à mesma deveria ficar no COMDABRA, e perguntando se não poderia ser desenvolvido um sistema que garantisse isso.

Eu fiquei de pensar em um sistema para atender a esta solicitação do COMDABRA, e este foi o momento em que mais esse “filho feio” foi concebido.

O primeiro rabisco foi no quadro da Sala de Reuniões do VP da CISCEA e fiquei impressionado com a flexibilidade e simplicidade da solução que surgiu naquelas linhas, e, mais ainda, porque é que a gente jamais tinha pensado nela.

 

4. Por que NÃO FIZEMOS isso antes?

Esse rabisco inicial foi sendo submetido aos “papas” da CISCEA (Cláudio Macedo, Sérgio Kisbergh e Lindbergh, no primeiro momento), que eram unânimes na frase: - Por que é que a gente não fez isso antes?

Assim a ideia foi sendo aperfeiçoada ainda no quadro do VP (que ficou proibido de ser apagado até que a ideia estivesse “em pé”), com a contribuição de diversas outras pessoas (Xavier e Anésio, entre outros).

Quando tivemos uma engenharia de sistemas preliminar pronta, chamei o Cláudio Carvas da Atech (Fundação criada para ser a integradora do Projeto SIVAM), para conhecer e analisar as possibilidades da ideia do Burnier.

Dessa discussão surgiram várias melhorias (como por exemplo os dois níveis de clientes, o primeiro recebendo tracks por diversos meios de telecomunicações e o segundo recebendo imagens pela Internet) e, naturalmente, a frase do Cláudio Carvas foi: - Por que é que a gente não fez isso antes?

 

5. Apelido do sistema:

Ainda houve outras reuniões para definir as quantidades de clientes, capacidades dos terminais de usuários, quem seriam os clientes, quais seriam as filtragens possíveis etc., inclusive com a participação do COMDABRA. Quando finalizada a Engenharia de Sistemas, o assunto foi levado ao Presidente da CISCEA, então MB Ramon, que levou o assunto à apreciação do DECEA.

O DECEA coordenou uma apresentação para o COMGAR, inclusive com a presença do Ten Brig J. Carlos (que foi realizada por mim) que, após conhecer as capacidades do sistema e os requisitos de segurança, concordou com a contratação, que foi então autorizada pelo DECEA.

O RFP (Request For Proposal – Pedido de Proposta) que a CISCEA encaminhou à Atech, foi respondido com uma proposta Técnica/Comercial que, pela primeira vez, atribuiu uma sigla ao sistema, que deveria ser o nome pelo qual seria conhecido.

Essa sigla era tão feia que eu sequer lembro qual era. Só sei que ao ouvi-la pela primeira vez eu disse: - Eu posso chamar o sistema de Ornitorrinco, mas não vou usar essa sigla esquisita! Aí surgiu o apelido.

Depois da contratação ainda houve diversos aperfeiçoamentos no sistema (por exemplo, surgiu a função de possibilidade de inserção de “retardo” nas informações para alguns clientes), mas o desenvolvimento transcorreu normalmente.

O então Maj Brig Ramon, provavelmente também chocado com o nome que a Atech inventou para o Ornitorrinco, foi quem criou a sigla SisTraSAG (para Sistema de Transmissão da Situação Aérea Geral), pela qual o sistema passou a ser tratado formalmente. Particularmente, acho Ornitorrinco mais interessante.

 

6. Testemunho Final: TestemunhoFinal

A partir daí, fui transferido para a Chefia do SDTE (Subdepartamento Técnico) do DECEA (voluntariamente, mas isso é outra estória), sob a Direção do Ten Brig Vilarinho e não acompanhei mais o desenvolvimento, que passou a ser controlado depois pelo Xavier (o outro “mal necessário”), que pode informar o que aconteceu até a implantação do Ornitorrinco no CODA.

A Atech reconhecendo que o apelido era melhor do que a sigla deles, até fez um bonequinho de pelúcia, em forma de um Ornitorrinco estilizado para apresentar o sistema na LAAD, boneco este que mantenho orgulhosamente em casa, dada a minha participação na equipe que desenhou e desenvolveu o sistema, e a minha autoria no próprio “batizado” do mesmo.

Finalmente, após já ter saído da FAB, em visita à CISCEA, ouvi do Xavier que o sistema estava em fase de recebimento no COMDABRA. Algum dia vou visitar aquela organização para conhecer a cara final do bicho!

 

7. Considerações Finais:

7.1. Pai da Criança - COMDABRA:

O Ornitorrinco nasceu por solicitação do COMDABRA, para que ele tivesse o controle da distribuição da SAGDA.

Como haveria clientes potenciais dentro e fora do Comando da Aeronáutica (CON, COCS, COTER, COAAAe, CDAT, PDAT, JFAC, DIREX, cia aéreas, países vizinhos, Eurocontrol, FAA, entre outras siglas), ficou óbvio que o cadastramento de clientes deveria ser inicialmente autorizado e coordenado pelo EMAER, assim como a atribuição das filtragens iniciais e dos níveis de acesso de cada um.

Ao COMDABRA caberia então implementar o cadastramento como autorizado pelo EMAER e supervisionar a operação e utilização do sistema, com o poder de interromper a transmissão ou aumentar o nível das filtragens, se julgado operacionalmente necessário.

 

7.2. Ornitorrinco, um potencial Anekin:

piloto de caçaFicou claro para mim, desde o começo, que o conceito do Ornitorrinco não se aplicava apenas à transmissão da SAGDA filtrada. Na verdade o Ornitorrinco é um sistema de transmissão de dados, com diversos tipos de filtros e segurança de comunicações.

Com isso, nada impede que utilizemos parcela do que já está implantado e o mesmo conceito para transmissão de imagens (como já é feito para o cliente nível 2), dados de ELINT (que já tramitam via data-link) e até mesmo textos, com os mesmos tipos de recursos de segurança e controle de distribuição de dados.

Por exemplo, o Cmt da Aeronáutica, o Ministro da Defesa, o Comandante-em-Chefe e outros que tenham a eventual necessidade, já poderiam, por meio do Ornitorrinco (ou alguém acha que vou chamar o sistema de SisTraSAG?!) acessar a visualização radar de todo Brasil a partir de qualquer local do mundo, incluindo seus próprios Gabinetes, via Internet.

 

7.3. Visão Prospectiva:

Além disso, o Ornitorrinco mostrou a inadequação do termo SAGDA para o futuro.

Se quisermos ter uma visualização operacional com dados de radares, informações ADS, carregamento de planos de voo, rotas e navegações civis e militares, alvos aéreos, de superfície e de sub-superfície, localização e identificação de emissores, localização de terminais portáteis e veiculares de RDSS (SIVAM) e outros dados de posicionamento de equipes, alvos ou sensores que possam vir a estar disponíveis, precisamos de um novo nome para a síntese (Visualização Global Generalizada Integrada ou Nova Apresentação de Defesa Aeroespacial ou ainda Mostra de Engenharia Reversa de Defesa Aepc, ou Visualização Integrada de Consciência Situacional: Geral, Regional ou Local, por exemplo, ou coisas que tais).

É preciso lembrar que o P-3 vem aí, que navios e carros de combate já podem ter ADS ou Transponders e que não faz sentido somente a Marinha conhecer o cenário marítimo, como não faz sentido somente o EB conhecer o terrestre e somente a FAB conhecer o aeroespacial. Esta na hora de virarmos Ministério da Defesa de fato.

A Visualização Combinada permitiria o acesso a uma base de dados compartilhada e distribuída, com as filtragens adequadas à necessidade operacional de cada situação e Força Armada.

 

Conclusão - As verdades de cada um: pilotodecaça

Essa é a minha verdade, como eu a conheci e me lembro (por enquanto). Como cada um tem, quanticamente, a sua verdade, pode ser que haja alguma discordância em pontos específicos da estória, mas o resultado não pode ser muito diferente.

Espero que tenha atendido às expectativas do leitor com essa narrativa jocosa e que o pessoal do COMDABRA entenda que a ideia partiu deles e foi desenvolvida na CISCEA, e não o contrário.

O EMAER entrou depois, por obviedade, e não tem direito de reclamar de estar no circuito, porque esse é o certo quando se envolvem organizações fora do COMAER.

Obrigado pela oportunidade de apresentar estas informações, porque mais uma estória de pioneirismo e sucesso da FAB (no meu entender) teria se perdido sem essa iniciativa.

Outro dia contarei a estória do Quick-Look (hoje denominado SPA pelo COMGAR).

Um abraço,

 

Bonfors Sem Passe - 1o Ten Av
Piloto de Caça Lendário, de Anápolis
 
gaivota1
 
 

 

Este fascículo contém 2 (duas) estórias:
(101-1) O Ornitorrinco
(101-2) É Daí que é Daí?

 

 

 

 

     

 

É Daí que é Daí? 

(Estória 101-2)

capacete de piloto de caçaSeguiam céleres os anos 80, com todos os sintomas e problemas de segurança extremada da antiga “Guerra Fria”, e a Defesa Aérea Brasileira, sob gerenciamento do COMDA (que ainda não tinha a pretensão de ser Aeroespacial), resolveu atualizar pela primeira vez suas táticas e normas, com base nos conhecimentos adquiridos por pessoal da Aeronáutica no dia a dia e em cursos realizados nos E.U.A., na França e na Inglaterra.

CindactaNesse processo, o COMDA decidiu criar um Grupo de Trabalho para substituir as antigas Ordens Permanentes de Operação (OPO), que eram embasadas na documentação pioneira, que veio junto com o sistema completo de defesa aérea que foi adquirido da França em meados dos anos 70, incluindo softwares ATC e DA, radares 2D e 3D, aeronaves Mirage III, rádios VHF e UHF, e o correspondente suporte de telecomunicações.

Eu era o Oficial de Operações do POH, que era o Chefe do Primeiro Centro de Operações Militares (COpM 1), e tive a oportunidade de participar daquele grupo de trabalho, capitaneado pelo, hoje, Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (NUCOMDABRA), na pessoa “equilibradíssima” do seu Chefe de Estado-Maior (autor de alguns livros sobre gamão e que foi Comandante do Grupo de Caça por algum tempo), durante as discussões e normatizações de todas as mudanças.

A substituição das OPO passou por um processo extremamente profissional, onde tudo foi esmiuçado e discutido, desde como deveriam ser as capas que encadernavam os documentos até a própria denominação da coletânea, que, passando por “Normas de Aplicação da Defesa Aérea” e “Manuais Específicos de Regulação da Defesa Aérea”, findou por ser denominada NOSDA (Normas do Sistema de Defesa Aeroespacial), o que, convenhamos, é uma sigla muito melhor do que as previamente discutidas (até hoje eu não sei por que não continuou o nome de OPO).

O COpM 1 era o único controle de defesa aérea que existia até aquele momento, bem antes de o Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA 2) entrar em operação, e era o cerne do controle das aeronaves envolvidas em missões de interceptação no polígono Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, ainda operando os software CTA (controle de tráfego aéreo) e DA (defesa aérea) que foram adquiridos da França, com os dados processados pelo avançadíssimo computador CII-10.070.

O Dez mil e Setenta, como era conhecido pelos mais íntimos, era programado por meio de cartões perfurados e trabalhava em tempo real, com “palavra” de 32 bits e “pizzas” de memória de 40 Kbits (do tamanho de um frigobar), apresentando, em telas distintas para cada um dos três LP-23 (radares bidimensionais de longo alcance, fabricados pela Thomson), instalados no GAMA (BR), COUTO (RJ) e SÃO ROQUE (SP) e associados a três radares tridimensionais VOLEX, todo o tráfego aéreo detectado nas respectivas áreas de cobertura, com informação aceitável de altimetria radar. Mapa dos CINDACTA´S

Havia ainda um outro LP-23, que foi instalado em Três Marias, sem um radar 3D associado, que era processado por um computador CISCO e apresentado em console distinta nas salas de controle do ACC e do COpM. Creio que o software do CISCO foi desenvolvido por brasileiros, mas isso fica para ser confirmado por quem souber mais do assunto. Eu não sei.

Com essa infraestrutura de detecção e controle, aliada às comunicações rádio VHF e UHF, a Defesa Aérea Brasileira, gerenciada pelo NUCOMDABRA, ensaiava seus primeiros passos, que vieram a desabrochar nesse exemplo de Sistema de Controle do Espaço Aéreo (SISCEAB) que, hoje, o Brasil pode ter orgulho de apresentar ao mundo.

Naturalmente, “A verdadeira arma é o Homem” (em homenagem ao KAU). Todavia, qualquer conjunto de equipamentos e sistemas depende de doutrina e processos operacionais, técnicos e administrativos corretos e completamente documentados, e com supervisão e atualização continuada, para que o todo opere de forma harmoniosa.

A Defesa Aérea Brasileira se baseia em, previamente definidas, autorizações e níveis de decisão, para poder agir ou reagir com presteza em face das diversas situações operacionais com que o sistema se defronta diuturnamente.

Além disso, os níveis mais baixos da cadeia de comando tinham autonomia para contactar até o nível mais alto (isso mesmo, até a Presidência da República), se não fosse possível contactar as autoridades dos níveis intermediários quando uma situação exigisse exceder o seu nível de autorização.

Por isso, toda a cadeia de decisão, incluindo os níveis mais baixos, tinha uma relação de meios de contato com todos os demais níveis, e esta relação de nomes e telefones deveria ser conferida periodicamente, para haver certeza de que, em um caso real, não haveria falha de continuidade no processo.

Evolução da infraestrutura dos CINDACTA´SAssim, o COpM tinha, no escaninho da console do Chefe Controlador, uma relação de telefones para contato com todas as autoridades da cadeia de decisão da Defesa Aérea, incluindo os telefones da Presidência da República. Como previsto, essa relação era conferida periodicamente.

Naquela ocasião, o oficial encarregado de fazer essa conferência, um gentleman (segundo os próprios instrutores do Dundridge College, na Inglaterra, onde esse militar fez um curso de Defesa Aérea), seguindo à risca suas obrigações, ligou para a Granja do Torto, para conferir se o telefone ainda era o mesmo...

Lembremo-nos de que a segurança da Presidência da República já era muito séria e profissional, assim como a do COpM1, e ninguém se arriscava a expor qualquer tipo de informação. Por isso, o diálogo que se desenrolou foi mais ou menos assim, quando a ligação para confirmar o número do telefone foi completada:

- Alô (disse alguém, na Granja do Torto).

- Alô... De onde está falando? (disse o Oficial do COpM).

- O Sr. deseja falar com quem? (veio a resposta da Granja do Torto).

- Ninguém. Eu só preciso saber de onde está falando.

- Para que número o Sr. ligou?

- Liguei para XXX-XXXX (respondeu o Oficial). Na época os telefones tinham apenas sete algarismos.

- O número é esse mesmo. Com quem o Sr. deseja falar? (voltou a inquirir a pessoa do outro lado da linha). Entendendo finalmente que o seu interlocutor não iria ajudar na identificação do telefone, o Oficial do COpM1 resolveu ser mais explícito...

- Amigo, aqui é da Defesa Aérea... ZEGA

- Sim... - Nós temos uma relação de telefones de autoridades que deve ser conferida periodicamente...

- Pois não...

- Então, eu preciso saber o seguinte...

- Aí é aí?

-É!

- Muito obrigado! Tchau.

- De nada. Tchau.

Depois desse exemplo inaudito de procedimento de segurança das comunicações, que deixaria embasbacado o próprio Mossad e todos os computadores e analistas da NSA, e que deve estar sendo discutido até hoje pelo Echelon, daquele dia em diante, todos os Oficiais que serviam no COpM naquela época, por iniciativa do Piolho, passaram a autenticar suas ligações telefônicas com a críptica frase:

- É daí que é daí?

 

Álvaro Luís Pinheiro da Costa (Zega) - Maj Brig R1
Piloto de Caça – Turma 1976
 
gaivota1
 

 

Este fascículo contém 2 (duas) estórias:
(101-1) O Ornitorrinco
(101-2) É Daí que é Daí?
 
   
 

 

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