ESTÓRIA INFORMAL DA CAÇA

(Estória 90)


  

Este fascículo contém 3 (três) estórias:
(90-1) FEBEACA
(90-2) Como dois tenentes caçadores quase “descontaram” o Presidente com um saco de rosas...
(90-3) Uma Questão de Estilo (parte ii)
capacete

 

FEBEACA 
(Estória 90-1)



Vou completar 75 anos de idade. Servi à FAB durante 37 anos. Na Caça, passei quase 20... Às vezes me pergunto: sou veterano? Não? Mas também não sou novinho. Veterano ou Novinho? Fica a critério de vocês.Sendo assim, revendo meus alfarrábios, minhas anotações, minhas cadernetas de voo etc., resolvi coletar lembranças dos nossos tempos, entre 1954, quando ingressei na Força, e os dias atuais.

Elaborei este questionário muito simples, perguntas fáceis. Tenho certeza que todos passarão na prova. 70% de acerto estarão de bom tamanho!

Aceito críticas às questões mal formuladas. Vamos ao teste!

 

No meu tempo, o 1º/4º parecia um Zoo...

 

1- Um dos instrutores se chamava:


a) Mico-leão dourado
b) Babuíno
c) Macaco de Cheiro

 

2- Outro, boa praça, era o:


a) Tigre
b) Jaguar
c) Onça

 

3- O mais sisudo era o:


a) Rã
b) Cururu
c) Sapo

 

4- O mais sério era o:


a) Cacique Pena-de-Urubu
b) Cacique Pena-de-Andorinha
c) Cacique Pena-de-Abutre

 

5- No motor J33-A35, a válvula Sino era:


a) Aberta eletronicamente e fechada por mola
b) Fechada eletronicamente e aberta por mola

 

6- Quem não preenchia a ficha corretamente levava estrela:


a) 047
b) 046
c) 045

 

7- O único piloto que pousou de F-8 em Congonhas foi o: Tenente...


a) Roberto Carlos
b) Manoel Carlos
c) Erasmo Carlos

 

8- O Estande em Aquiraz se chamava:


a) Brandão
b) João
c) Vandão

 

9- O motor do F-19 tinha catraca:


a) No magneto esquerdo
b) No magneto direito
c) Em ambos

 

10- O F-8 era reabastecido com galões:


a) Regionais
b) Nacionais
c) Imperiais

 

11- O F-8 possuía machímetro?


a) Sim
b) Não 

 Painel dianteiro F-8

 

12- Antes de entrar no tráfego, o piloto acusava:


a) No Bordel
b) Na Zona
c) No Cabaré

 

13- A missão 5F2C era chamada de:


a) Pela Sapo
b) Pela Coruja
c) Pela Condor

 

14- A 40.000 pés, o F-80:


a) Voava
b) Deslizava
c) Atrasava
d) Desligava aspirante

 

15- As moçoilas do BQ eram chamadas de:


a) Farofa
b) Camofa
c) Galhofa

 

16- O F-103 possuía quantos paraquedas?


a) 1
b) 2
c) 3 

 F-103 pouso com pára-quedas

17- Qual o nome da vala que passava na cabeceira da Pista 22 de Santa Cruz?


a) Vala do Mangue
b) Vala do Sangue
c) Vala do Tanque

 

18- Como foi apelidado o famoso pilofe em Santa Cruz?


a) Maromba
b) Arromba
c) Saronga

 

19- O F-8 tinha quantos faróis?


a) 1 na ponta de cada asa e 1 na bequilha
b) 1 na asa direita
c) 1 na asa esquerda

 

20- Qual o material do piso da nacele do F-80?
a) Alumínio
b) Madeira
c) Plástico



21- Qual era a frequência de transmissão do comandinho do T-6?


a) 6988
b) 5680
c) 6855

 

22- A reunião dos instrutores tinha o nome de:


a) Balança a Bananeira
b) Balança a Roseira
c) Balança a Jaqueira

 

23- O nome do muar que rebocava a carroça no Estande de Santa Cruz era:


a) Felino
b) Sabino
c) Ovino

 

24- O apelido do Estande de Santa Cruz era:


a) Chapadão
b) Esperidião
c) Limatão

 

25- O apelido daquele Capitão bem baixinho era:


a) C_ Maneiro
b) C_ Rasteiro
c) C_ Certeiro

 

26- O “Push” do T-6 acionava:


a) Somente o trem
b) Somente os flapes
c) Trem e flapes

 

27- A dupla de taifeiros do 1º/4º era:


a) Artur e Peritônio
b) Dudu e Possidônio
c) Baracho e Jacy

 

28- “Rolon/Decolof ” – o que é?


a) Marca de vodka
b) Nome de um piloto russo
c) Cheque de rolagem do P-47

 

29- Quantos pontos de reabastecimento havia no F-80/T-33?


a) 5
b) 6
c) 7 

 F-80

30- Quem era o Operações do 1º/4º em 1966?


a) Salmão
b) Sardinha
c) Bacalhau

 

31- O F-8 tinha paralamas?


a) Sim
b) Não

 

32- Qual o código da Torre de Canoas?


a) Pica-pau
b) Coruja
c) Quero-quero

 

33- O tráfego nos Afonsos era realizado a:


a) 500 pés
b) 1.000 pés
c) 820 pés

 

34- Aquele aviador quebrou o avião quando...


a) Realizou um pouso estranho em campo normal
b) Realizou um pouso normal em campo estranho
c) Marcou o chumbinho na pista de FZ

 

35- O maior tanque do F-103 é chamado de:


a) Bidom Carvalho
b) Bidon Baralho
c) Bidon Zaralho

 

36- O hangar de Santa Cruz foi construído para abrigar o:


a) Tião Pezin
b) Zé Pelin
c) Dudu Pelin

 

37- Quem foi o criador do famoso “Esquenta-Coco”, o boné de feltro usado no 1º/4º?


a) Kenzo
b) B. Menezes
c) Vuitton

 

38- O indicador do ângulo de ataque no F-103 se chamava:


a) Valdemar
b) Ademar
c) Avatar

 

39- Ao acoplar o radar no alvo, o piloto transmite:
a) Afrodite
b) Zênite
c) Judite














 

As respostas serão divulgadas no Papo-rádio da próxima edição. Confiram!

 

Aceito sugestões.

    

gaivota1Thomas A. Blower – Cel.Av.
Piloto de Caça - Turma de 1960 - Reformado – Em bom estado  

  

Nota do editor: Aos mais jovens que, eventualmente não entenderam o título do artigo “FEBEACA”, ele é uma analogia a uma expressão cunhada pelo colunista Stanislau Ponte Preta, nos anos 60, “FEBEAPÁ”, que significava Festival de Besteira que Assola o País.


 

Este fascículo contém 3 (três) estórias:
(90-1) FEBEACA
(90-2) Como dois tenentes caçadores quase “descontaram” o Presidente com um saco de rosas...
(90-3) Uma Questão de Estilo (parte ii)




 capacete

 

   Como dois tenentes caçadores quase “descontaram” o Presidente com um saco de rosas...
(Estória 90-2)

  

Tarde quente de verão, lá na BASC.

Acabávamos de sair do rancho, após o almoço, e estávamos sentados naqueles degraus dos acessos aos Esquadrões e Grupo, lá no 1º GpAvCa, uns indo voar alguma missão mais tarde e outros voltando a seus “pepinos” nas respectivas seções.

Foi quando um dos cabos de serviço lá da Sala do OPO, veio me dizer que haviam ligado da Esqda. de Adestramento da Base, me oferecendo uma missão de Regente, o que era para mim, absolutamente irrecusável...

Nessa hora eu batia papo com meu colega de turma e amigo, Ariovaldo “Ari”, e o chamei para ir comigo, o que foi aceito de pronto por ele, com a chance de uma “carona” até o RJ (Santos-Dumont) e dali seguir para sua casa, em Ipanema.

Lá fomos nós para o Comando da Base, falar com o pessoal do EC (Esquadrão de Comando), sendo que quem nos “brifou” a missão foi o então Cmt da BASC, Cel Av Luis Carlos Picorelli Figueiredo, caçador da época do Gloster. Famoso pela sua pequena paciência com Ten e Cap, foi logo dizendo que tomássemos muito cuidado, pois era uma missão em apoio ao Exército, na Vila Militar, cujos detalhes ele desconhecia, e que nos seriam dados em voo, uma vez no sobrevoo do Campo de Gericinó, no setor Norte dos Afonsos, fazendo contacto em determinada frequência, que nos foi então passada. E lá fomos nós, no U-42 2234, sendo eu de 1P e o Ari na direita, em um voo que parecia ser mais uma missão que chamávamos de “Coca- Cola”, na TMA RIO.

Voamos nos usuais 1.500ft seguindo a Av. Brasil, passamos no través N de Bangu, chamamos a TWR AF e coordenamos o sobrevoo de Gericinó. Lá chegando, iniciamos as chamadas na frequência que nos fora dada na BASC.

Após um bom tempo em tentativas, afinal logramos o contacto e nos foi questionado o nosso “código”... que código??? ...isso não nos fora informado... mas pelo operador do EB isso era exigido... que situação! Bom, disse-lhe que éramos o “Força Aérea 34”, o que soava bem imponente para um REGENTE... Isso aceito, foi-nos “brifado” que faríamos um sobrevoo da Vila Militar, sobre a Praça de Esportes do 1º Regimento de Infantaria, o famoso “Regimento Sampaio”, num eixo perpendicular ao palanque, em treinamento para o lançamento de rosas... Isso mesmo; rosas... o que suscitou em nós risos, pelo inusitado do tipo de missão... mas como bons Ten. Av. “caçadores”, logo “elocubramos” a técnica; passe de BN (Bombardeiro Nivelado) a uns 100ft, com “visada”, “no olho”, na base do dito-cujo palanque.

Uma vez liberados, lá fomos nós e duas passagens foram feitas, cronometrando o tempo desde o PE (Ponto de Espera), sendo então abandonada a área, findo o “exercício”.

Deixei o Ari no RJ e segui para SC, via litoral, desfrutando daquela magnífica vista das praias, passando pela Grota Funda, entrando na pernado- vento, pousando no por do sol e estacionando o 2234 no Pátio Norte do Hangar do Zeppelin.

Ao cortar o motor, o Sgt de serviço de Ops. veio falar comigo e disse que um caminhão do EB havia deixado um saco, com rosas a serem usadas na missão do dia seguinte, tendo sido colocado próximo à sala de tráfego STF, ao lado da pequena garagem que ali havia.

No dia seguinte, na hora planejada, fomos para a STF e ali recebemos do Of. de serviço de Ops. informações adicionais sobre a nossa missão; sobrevoo do Regimento Sampaio, por ocasião da solenidade em comemoração a seu feito maior, que fora a tomada de Monte Castelo, na II Guerra Mundial, com o apoio aéreo aproximado do 1º GpAvCa, os nossos JAMBOCKS, em seus P-47D THUNDERBOLT. E lá iríamos, nós, dois tenentes do mesmo Grupo de Caça, só que voando U-42 REGENTE... Seriam lançadas pétalas de rosas sobre o palanque onde estaria o então Presidente da Republica, General de Exército João Baptista Figueiredo.

O saco com as rosas foi embarcado, e diga-se que relativamente pesado, as portas do REGENTE retiradas, bem como o banco direito, ficando o Ari encarregado do lançamento, do assento traseiro. U-42 lança o"saco de rosas..."

E lá fomos nós, dois “imbuídos” tenentes do 1º Grupo de Aviação de Caça, cumprir mais uma “missão de apoio” ao Regimento Sampaio, o que para nós, dois jovens “pica-fumos” tinha sua relevante importância...

Chegando ao setor de espera, sobre Gericinó, fizemos contacto na frequência prevista, e mais uma vez foi insistido em informar o nosso código... Com a proverbial e conhecida irreverência de um tenente eu disse: “Florista 34”... e foi aceito !

Após uns 30 minutos de espera, muito sacudindo pelas térmicas de um fim de manhã de verão, fomos liberados para a passagem.

Entrei no eixo de lançamento, baixei para 100ft, compensei o vento e lá fomos nós para o nosso BN com rosas...

Informei ao Ari para se preparar para o lançamento... fiz a “visada” prevista e no momento estimado comandei: JÁ... tendo ouvido em seguida: Ih Rocha, f_ _ _ u, caiu tudo!

Ao que perguntei: caiu o quê?... E ele disse: o saco todo; de uma vez só!

Bom, nessa hora, recuperando, em curva à direita, com proa de SC, eu imaginava aquele saco, caindo no palanque, e pelo impacto, atingindo o Presidente Figueiredo...Não queria nem pensar na hipótese!

Silencio sepulcral a bordo... do solo ninguém nos chamou ... e abandonamos a área.

Pousamos na BASC e estávamos num misto de assustados e perplexos... e conjecturávamos sobre o que viria a seguir... eu imaginava o Cel Picorelli a nos “comer vivos”...

Sem muito falar, e com ninguém nada dizer, voltamos para o Grupo e “sumimos” na rotina de nosso dia a dia... nada dito !

Fui fazer uma pequena e discreta investigação, e soube que o saco com as rosas fora bem compactado e deixado passar a noite no sereno e chuvisco que houvera... A carga de pétalas ficara aglutinada em um só bloco... o Ari, ao segurar o saco pelo fundo, foi surpreendido pelo seu peso e teve o mesmo arrancado das mãos pelo deslocamento de ar, na porta do REGENTE, e caiu tudo de uma vez!

Bom, creio que devido à balística de um saco pesado, ao invés das leves pétalas de rosas, o nosso lançamento foi “longo”, e o saco caiu depois do palanque... sorte!

Anos depois, como Maj Av, servindo na então II FAT, ao participar de uma reunião-briefing com pessoal do EB, um coronel muito simpático, ao conversar comigo, disse que estava em uma solenidade na Vila Militar, anos atrás, quando uma aeronave da FAB sobrevoara, mas deixara de lançar umas pétalas de rosas sobre o local, em homenagem à tomada de Monte Castelo, na II Guerra Mundial, e que ele até hoje não entendera o que houve... Ainda bem... pois naquela ocasião, dois tenentes do 1º Grupo de Caça quase “descontaram” o Presidente da República, com um saco de rosas... mas eu nada lhe disse, claro .

Isso ficou “guardado” conosco por anos, até que em uma reunião de turma, a coisa veio à tona, provocando boas risadas, agora que a coisa “prescreveu”... ufa!

 

  

gaivota1 Marco Rocha Rocky – Maj (Res)
Piloto de Caça - Turma de 1976


  

Este fascículo contém 3 (três) estórias:
(90-1) FEBEACA
(90-2) Como dois tenentes caçadores quase “descontaram” o Presidente com um saco de rosas...
(90-3) Uma Questão de Estilo (parte ii)



  


capacete
 

Uma Questão de Estilo (parte ii)  
(Estória 90-3)

 

Recentemente, mais precisamente no boletim 94, de SET/OUT de 2012, o Kauffman (Cel R1 – Piloto de Caça da Turma de 1978) colocou o desafio de quem adivinharia o autor de um texto ali apresentado, sabedor de que por meio do estilo com que ele foi escrito, normalmente sabe-se o seu autor.

Alguns caçadores aceitaram o desafio e aqui segue a sequência das mensagens trocadas:

KAU, também tento adivinhar os autores antes do fim dos artigos, e faltou um deles na sua rela de recorrência: quando tem alguma sacanagem inteligente ou pilha num inocente, é do Cel Peixe Lima, oxente!

A poética capacidade de pormenorizar uma descrição é sua marca registrada, e por ela você contaminou o texto abaixo.

Poderia ser do Cel Peixe Lima, pela alusão a tantas coisas boas que ele vivenciou na vida, mas ele não diria que sorvera um vinho pensando na viagem a Toscana, e sim que tomara muita cerveja lembrando de alguma pu..ria dos tempos de Puma.

Observando outros aspectos, mesmo tendo apenas o conhecimento indireto (por intermédio das suas hi/ estórias), sem saber se cabe o mérito, não tenho dúvidas de que você quis se referir ao Azzi, pelos superlativos empregados na primeira pessoa.

Um abraço!

RNI

Prezado Quírico,

Você tem razão quanto à frase “Io voglio cruzar Il Pó!”. É realmente a cara do Cepo.

No entanto, assim como o Schneider, o Cepo convive de nascença com um terrível escorpião no bolso da carteira. "Qui nasce il Pó" 

Aliás, me lembrei que o Cepo, quando éramos estagiários em FZ, programou seu cachorro, o Pererê, para viver apenas dos churrascos do esquadrão. Infelizmente o Neves Moraes (dono do Bar) adiou por dois dias um desses churrascos, e o cachorro faleceu.

E desse modo, não gastaria a grana nem no Brunello, nem no Glenmorangie, nem na limusine e sequer na viagem à Toscana.

Portanto, não foi o Cepo.

Amigo Ronconi,

O seu estilo de resposta está mais para o do Gordo Fontenelle (Mucio) nos bons tempos. Afinal sua aposta é no PLI ou no AZZ?

Na verdade, um piloto de caça do nível do Azzi não se rebaixaria a ir ao Vale do Pó. Esperaria até que o Pó viesse até ele!

O Chefe Peixe Lima já não anda mais de Puma e sequer toma cerveja. Dizem as más línguas que ele vai às reuniões da ABRA-PC de Mercedes com chofer (de quepe e tudo) até a esquina antes do Clube de Aeronáutica, e nos últimos 100 metros pega o Pégaso para chegar como pobre! Parece que foi assessoria do Bambino!

Em evento social recente, foi visto de black tie, acendendo um Cohiba com uma nota de R$ 100,00 e dançando “Singing in the Rain” em frente ao Copa!

Um abraço,

Kau

E assim permanece o desafio de quem descobrirá o autor do texto! 

gaivota1 





Este fascículo contém 3 (três) estórias:
(90-1) FEBEACA
(90-2) Como dois tenentes caçadores quase “descontaram” o Presidente com um saco de rosas...
(90-3) Uma Questão de Estilo (parte ii) 


 

 

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