ESTÓRIA INFORMAL DA CAÇA

(Estória 91)

 

 
 
  
capacete de piloto de caça
  
Rasantes em BQ 
(Estória 91-1)

 

O Ten Thomé sempre “povoou” a imaginação, as conversas, as ilações das nossas turmas de 67/ 68/69, em BQ, na EPCAR.

 Quando lá cheguei, em Fev 1969, ele já havia “partido” e virado “lenda”, entre os então pré-cadetes que éramos.

Após qualquer dos muitos, hoje podemos considerar “arrojados demais” rasantes dados no Pátio da Bandeira, por um dos oficiais da Escola, a conversa sempre derivava para o lado do rasante que o Ten Thomé dera e para não bater nos eucaliptos, “passara na faca” entre dois deles...

Nós “avaliávamos” aqueles rasantes pela altura em que passavam em relação à verga do mastro da bandeira, sendo “famoso”  um que o Comandante da Escola dera, passando mais baixo...

A Fumaça quando lá ia passava também baixo e me lembro bem de ver os T-6 “afundando” entre a colina da cidade e a frente da Escola!AT-26 - Xavante

Na “alvorada festiva”, do Dia da EPCAR de 1969, uma esquadrilha de 4 AT-6 da então ERA 32 nos acordou com seus roncos e inúmeros rasantes! Fui um dos que correu feito um louco lá pro morrinho acima do Pátio da Bandeira, junto com o meu já amigo e “colega de vibração” Quintella, apelidado de “T-6” – com sua inseparável câmera fotográfica – e ficamos a ver extasiados tudo aquilo... até que um dos T-6 “afundou” de proa para nós, perpendicular ao pátio, e veio... não recuperou a tempo e entrou com sua asa esquerda num dos eucaliptos e POW... galhos para todo lado, o T-6 deu uma tremenda guinada, baixou o nariz e saiu ainda derrapado mas ganhou altura... UFA! Nós ali, vendo aquilo, e com a inocência e ignorância aviatória de então, achamos o máximo... pegamos inclusive alguns galhos e fizemos um tipo ramalhete, entregando ao autor da façanha, um 1º Ten Av, que aquilo recebeu ao chegarem os pilotos de volta à Escola, parando a viatura na entrada da garagem, em frente ao nosso Cassino.

Não muito tempo após, no inicio do rancho do almoço, houve a “visita” de uma Esquadrilha de 4 AT-33 do 1º GpAvCa. Lembro-me bem que com a correria da alunada pra sair do rancho, eu fiquei bloqueado, mas não perdi tempo; “voei” por uma das janelas... e nisso quase atropelei o “herói da árvore”, do caso anterior, que estava de Oficial de Permanência ao Corpo de Alunos. Corremos para o morrinho do pátio e lá ficamos por uns 10 minutos a ver os nossos futuros colegas Jambock/Pif-Paf a “atacar” a Escola... e os rasantes nada ficavam a dever aos dos T-6 e C-45, mas sem descer para mais baixo do mastro ou “afundar” no vale da cidade...

Logo depois, munidos de muita vibração, imaginação e “espírito investigativo”, resolvemos, Quintela, Ricardo (Rep. de 68), Nunes Ferreira, eu e creio que mais um outro do qual não me recordo, ir ao local dF-5 em vooa queda do Ten Thomé...

Num sábado, pela manhã, seguimos a pé até a Escola de Agronomia, onde contactamos alguns funcionários externos (jardineiros/serventes) dentre os quais dois nos indicaram o local do impacto, numa ravina atrás da Escola. Lá fomos por um caminho carroçável e dali entramos num matagal até o local informado... BINGO... demos com uma pequena clareira onde se podia ver sinais claros de impacto, remoção de material e pequenos restos de alumínio, fios, manchas de óleo e vestígios de vegetação queimada por fogo/ combustível... lá estávamos!... no local onde um de nossos “heróis” havia partido para seu voo mais alto... ficamos em silêncio, num misto de emoção e reverência... coisa da qual muito bem me lembro até hoje, decorridos tantos anos... e aí veio: no meio daqueles pequenos restos de metal/fios encontramos um pequeno fragmento de osso e veio então a dúvida. Seria do piloto? O que fazer?... Decidimos levar para a Escola e assim o fizemos, tendo sido a nossa caminhada de volta marcada pela dúvida/emoção de termos eventualmente “algo” daquela importância. Ao chegarmos à Escola, fomos direto ao Posto Médico, onde fizemos o nosso relato ao Médico de Dia, Ten. Freitas, que nos ouviu, examinou o osso e disse encaminhar ao Comandante do Esquadrão de Saúde, Maj Med Barros Lima. Nunca mais ouvimos falar de nada, mas ficou a lembrança de nossa “expedição” ao local da queda do Ten Thomé!

Esquadrilha de F-5No ano seguinte, chegou à Escola um jovem arrojado, vibrador e bigodudo aviador (como ele mesmo se intitulava, usando e abusando de seu sotaque gaúcho...). Era um 1º Ten Av. Foi comandar a turma de 70 e realmente era uma pessoa carismática e de uma vibração bem contagiante.

Toda vez saía ou chegava a BQ, seus rasantes eram certos... e baixos... e cada vez mais arrojados. Mesmo não sendo aviadores nós víamos que “a coisa estava sempre no limite”... até que um dia ele foi chamado pelo então Comandante da Escola, o Brig Zenith, que o “aconselhou” a não mais aquilo fazer... Ao sabermos disso, em nossa maioria, desaprovamos o “tolhimento de vibração” do Brig Injusto, descabido... mas com o passar dos tempos e o ganhar de experiência vimos que a experiência e maturidade do nosso Comandante pode ter prevenido “algo” bem desagradável e funesto, como o que ocorreu tempos depois, em uma festa da Escola, quando um helicóptero, com ex-alunos, ao fazer uma passagem baixa, lá se acidentou, caindo dentro da mesma, matando seus ocupantes e empanando o brilho das festividades: uma tragédia.

Muito tempo depois, como Cap Av antigo, quase Major, fui escalado para liderar uma Esquadrilha de 4 F-5E e fazer uma demonstração/sobrevoo da EPCAR, na semana de seu aniversário, sendo a Esquadrilha composta de: Líder Eu (T69), #2 Coelho (T69), #3 Souza e Mello (T69) e # 4 Wagner (T70 ). Decidi fazer “algo” diferente ao invés de passagens baixas e seus aleatórios riscos inerentes... montei um perfil bem operacional: chegada na vertical no FL 200 supersônico (booom!), descida circulando e desacelerando para observar a área e sermos vistos, dando tempo da “alunada” se posicionar (e não “atropelar” ninguém pulando por janelas...). Ataque simultâneo de 1 elemento em pop-up e BP com o outro em BR, seguido de passes de TT defasados em eixos de 45 graus (eu “ataquei” a frente da Escola... a visada foi na águia do Comando... mandamos um poster, com dedicatória aosF-5 na decolagem alunos, mas até hoje não sei se receberam...). Passagem de 1 elemento com full configuração de pouso e simultaneamente, 180º defasado, o outro elemento a 480 KIAS. Reunião com nova passagem de 4 av. a 1000ft, 300KIAS, enquanto coordenava a nossa subida, que foi então feita após passagem a 2.500ft, 480KIAS e “nariz pra cima” até FL 300 quando fizemos o nosso “retorno maloca”.

Confesso que ao receber a missão me lembrei muito daqueles tempos de EPCAR, daqueles T-6, C-45 e U-42 a picar sobre nós, nos aproando e vindo MUITO baixo... daquele T-6 que nos aproou tão baixo que colidiu com os eucaliptos debaixo dos quais estávamos... daquele C-45 passando com sua asa mais baixo do que a verga do mastro, e de frente para as salas de aulas, posto médico, alojamentos e ranchos... daqueles T-6 “descendo” no estreito vale, onde havia o ginásio, o Artarium e Pavitec... a minha Esquadrilha estaria composta por pilotos operacionais, do mais alto nível da FAB, cujo dia a dia era voar baixo MESMO... mas eu decidi dar aos alunos de então “outra visão” do que era capaz um piloto militar, no emprego de sua aeronave, com uma conotação bem diferente do que víamos nos idos de 60 e que “aquilo” achávamos que era ser “AV”!

Quem sabe a “semente” não ficou?...Hoje alguns daqueles alunos devem ser full Coronéis ou Brigadeiros!......

  

A LA CHASSE ! SENTA A PUA! 


 
gaivota1 Marco Rocha Rocky – Maj (Res)
Piloto de Caça - Turma de 1976

 

 

 

capacete de piloto de caça

Este fascículo contém 3 (três) estórias:
(91-1) Rasantes em BQ
(91-2) Uma Questão de Estilo (parte III)
(91-3) FEBEACA

 

    

Uma Questão de Estilo (Parte III) 
(Estória 91-2)

 Caros amigos,

Após um número enorme das mais variadas respostas, todas erradas (e vejam que chegaram até a sugerir que o protagonista só podia ser o falecido Brigadeiro Baeta, que nem piloto de caça era!) o verdadeiro Caçador protagonista do episódio do “Nero on the Rocks” (Glenmorangie com água do Rio Pó), concorda (no que parece ser voz geral) que eu contaminei sua narrativa, com meu estilo (ou com a falta de um).

Sugeriu-me que tentasse imitar (ou seria emular?) seu estilo, para facilitar a charada.

Considerando que até Chopin parodiou Lizt, aí vai abaixo uma tentativa:
“Há poucos meses, tendo voado as mais variadas “viaturas” da FAB.

Da mais veloz até a mais lenta! Achei que a última fronteira para um verdadeiro Piloto de Caça seria a volta às origens, ou seja: ao Vale do Pó...

Como, no entanto, justificar a viagem em casa? Essa questão foi respondida com um telegrama forjado de uma empresa representada, convidando para um seminário sobre trem de pouso e tubo de pitot, na Toscana.

- Vamos nessa!

A ideia era partir direto para Roma, alugar uma limusine e sair em direção ao Norte, “tomando todas” e visitando todo o tipo de inferninho (sic).

O voo em 1ª classe não foi nada mal e ao chegar a Fiumicino, lá estava a limusine com chofer fardado, que na verdade era uma bela ragazza italiana de nome Gina.

Pensei comigo: “vai dar merda!”.

Após a primeira noite carregando a bateria e com passagem rasante no “baixo piranhal” romano, dei a ordem em italiano que já era esperada:

- Andiamo al monte. Va Gina!

Toscana...Saímos “descacetados” e após rápida parada na Vinícola Biondi Santi para um trago da cachaça local, o tal Brunello de Montalcino, resolvi portare via já que no boteco só havia além de mim, dois tribufus, uma delas a cara do Cianflone.

A partir dali, Torino, Piacenza, Cremona e Ferrara, os dias foram se sucedendo sem qualquer coisa que prestasse. Era uma canastra real de “mocréias” italianas. E algumas pareciam mães de outras, de tão velhas...

Num determinado momento chegamos a uma nascente inconfundível: a do Rio Pó!

E foi lá que eu, um Honorável Piloto de Caça do Clube das Mais de Mil e derradeiro piloto do Gloster Meteor, num pequeno gesto pessoal e salto enorme para a Humanidade, pude brindar ao “Velho Nero” com um Glenmorangie batizado com a verdadeira “água da fonte”!

Foi do "c#&*!"

Será que ficou mais fácil a identificação?Um abraço a todos, 

 

 

gaivota1Flávio C. Kauffman – Ten Cel R1
Piloto de Caça - Turma de 1978
  
  
  
  
FEBEACA(Parte III) 
(Estória 91-3)

 Conforme prometido no último número do ABRA-PC Notícias, divulgo o resultado do 1º Teste do FEBEACA.
Acredito que todos tenham obtido média acima de 70%.
A consulta entre companheiros é válida. Não é considerado cola.
Vamos aos resultados.

1. C 2. C 3. C 4. C 5. (***)
6. B 7. B 8. C 9. A 10. C
11. A 12. B 13. B 14. ABCD 15. B
16. C 17. B 18. B 19. C 20. B
21. B 22. B 23. B 24. C 25. B
26. C 27. B 28. C 29. C 30. C
31. A 32. B 33. C 34. C 35. C
36. B 37. B 38. B 39. C Fim!!!


(***) Resposta da questão no 5: esta pergunta só duas pessoas sabem responder:
O 1S Nelson, monitor de motor de F-80, na época (1961), ou o Paulo Pinto, exímio caçador e tremendo C.D.F.

Continuo aguardando sugestões.O 2º FEBEACA já está no prelo. Aguardem!  

 

  

     
gaivota1Thomas A. Blower – Cel R1
Piloto de Caça - Turma de 1961
  
 
 
  

 

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