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ENDEREÇO

Praça Marechal Âncora 15-A (Prédio do INCAER)
Castelo - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20021-200
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Nosso expediente de secretaria é nas segundas e quartas-feiras das 9:00h às 12:00h.

(Nos demais horários deixe o seu recado "na eletrônica", ou transmita um fax, pelo telefone 21-2262-4304)  
 

 
 
ZEGA 11
  

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AGENDA

 

12 de dezembro
Encerramento do Curso de Caça
17 de dezembro
19 anos de falecimento do Brig. Nero Moura
18 de dezembro
Aniversário do 1º GAvCa
26 de dezembro
Aniversário do COMDABRA
11 de fevereiro
Aniversário do 3º/3º GAv

 

Às Unidades aniversariantes os votos de ventos sempre favoráveis na realização de todas as missões. Particularmente ao 1ºGpAvCa, cumprimentos especiais pela passagem do seu 70º aniversário.
Como antiguidade é posto, todos nos curvamos respeitosamente em homenagem a nossa primeira unidade de caça, gênese de mais de 1500 pilotos de caça formados ao longo desse tempo.

E aos novos pilotos de caça, votos de sucesso continuado na carreira. Ao longo de suas vidas profissionais, lembrem-se: em caso de dúvida sigam seus líderes!

  

Senta a Pua !final de artigo

 


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Mensagem eletrônica recebida 1
 
De: manzoni69022 <O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. >
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Enviada: Terça-feira, 24 de Setembro de 2013 12:05
Assunto: Abra-pc
Prezado Joseph,
Tudo bem meu amigo?
Foi com um prazer quase que sexual que li seu artigo para o ABRAPC (APN) notícias, envolvendo o Coalhada, personagem quase mitológico, devido a tantas e tantas estórias (algumas até verdadeiras) atribuídas a ele.
Bem, mas a bem da verdade verdadeira mesmo, o termo Manobra de Gontijo não foi inventado pelo Coalhada nem nasceu no evento descrito com irritante veracidade (pois mais uma vez demonstra minha ineficiência). Sim,  porque aquilo não era um combate aéreo, num voo de instrução em Natal um ano antes quando do nosso curso de caça. O voo consistia em treinamento de Tonneaux de G, manobra essa que, como todos sabemos, é uma manobra de última chance. Pois bem, quem estava à frente era o Coalhada, sendo atacado pelo Gontijo, sendo este com todas as vantagens; quando o COA iniciou a manobra, esta saiu horrível e mal feita, aliás bem característica do Coalhada. O Gontijo, como deveria fazer ao notar as intenções da dita manobra, iniciou a defesa que você, mais do que qualquer um, conhece bem, antecipando-se, só que a exemplo do COA, sua manobratambém foi uma merda e ele inexplicavelmente se posicionou às 12 horas. No debriefing, ao comentar aquela aberração aérea, o instrutor, que infelizmente não recordo quem era, saiu com essa pérola da tal “Manobra de Gontijo”. Obviamente, no espírito de “perco o amigo mas jamais a piada”, isso virou uma sacanagem com o Pescoço. No caso que você descreveu eu apenas puxei da cachola a estória pra exemplificar a minha cagada, porém o único intuito era o supracitado, jamais o de jogar para o do amigo, mesmo porque, não havia essa necessidade disso.
Eu iria responder ao cheque rádio da ABRA-PC com essa estória, mas o site aparece para mim como infectado, então não consegui enviar direto para lá, inclusive iria citar os seus “Condores” da contra capa da edição 99 contando também sobre o seu nascimento e a dúvida entre a sua (do bichinho) raça rapina ou galinácea.
Tem ainda a nota final, onde você apresenta com inteira justiça o Gontijo, talvez até para me proteger de algum desnecessário pseudo constrangimento, não falou aos mais jovens quem é o Coalhada, o qual também tem uma identidade, que se não é um expoente na caça ou na aviação, ou mesmo na turma, tem o maior respeito e carinho por todos, os quais considera verdadeiros amigos e que também trilhou esse difícil caminho, afinal.
Aliás, o  Coalhada vai cobrar direitos autorais na justiça sobre as letras das músicas do nosso cancioneiro onde ele participou ativamente na elaboração das letras e acompanhamentos de violão e não foi sequer citado... injustiça.
Bem, meu amigo saiba que sempre tive e tenho o maior respeito, admiração e carinho por você e sinto por não podermos mais ter, devidoaos diferentes rumos de nossas vidas, a convivência que sempre tivemos e que sempre me deram o maior prazer.
Um grande abraço. Coalhada.
 
Nota do Editor:
Para os mais jovens, o “Coalhada” em questão é o Cel Manzoni, piloto de caça formado pelo esquadrão Seta, em 1976, piloto de AT-26 e F-5B/E, que ao sair da FAB foi ser piloto de produção da EMBRAER, chefe da equipe que recepcionou e apoiou, pela empresa, no Chile, duas aeronaves AMX no seu primeiro deslocamento internacional para participar da FIDAE em 1990.
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 Mensagem eletrônica recebida 2
 
De: Ronildo Moreira <O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. >;
Para: “O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ” <O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. >;
Enviada: 23 de setembro de 2013 09:42
Assunto: Hino para a Força Aérea
 
Caro Brigadeiro Quírico,
Desculpe usar o seu email pessoal para tratar do assunto, porém era o que eu tinha salvado.
Quando o Pinheiro enviou-lhe uma estória, escrita por mim, para contribuição para as estórias informais, eu salvei o seu email.
Sobre o assunto, coincidentemente, nos últimos meses, ao ouvir a música Bandeirante do Ar tocada em algumas solenidades aqui em Recife, comentamos: eu, o Cel Dias (Bira - 67) e outros oficiais presentes que esse deveria ser o Hino da Força Aérea.
O que me chamou atenção é que havia oficiais juntos de diversas especialidades que talvez não soubessem de cor toda a letra.
Bastou que cantássemos a letra para que todos concordassem.
Considerando ainda a parte “Entre as nuvens dos céus vendo a terra, vivem lá os cadetes do ar, comandando...” comentamos que bastaria substituir essa palavra por por exemplo: guerreiros, naturalmente com o devido aval do autor. Ou não.
É isso ai Brigadeiro. Apenas para dizer-lhe que o seu pensamento vem ao encontro com muitos outros.
Abraços, Cel Moreira 
 
final de artigo
 
 
 

 
Atividades da Diretoria da ABRA-PC
 

A diretoria da ABRA-PC teve a honra de participar, por especial gentileza do comandante da Terceira Força Aérea, dos aniversários do 1º/3ºGAv, em Boa Vista, e do 2º/3ºGAv, em Porto Velho, onde
pudemos testemunhar o elevado nível de profissionalismo e vibração dos jovens pilotos de caça na Amazônia.

Ainda, por gentileza do Comandante Geral de Operações Aéreas, a Associação teve o prazer em observar o desenrolar do exercício CRUZEX Flight 2013, onde a Força Aérea exercitou sua capacidade e competência em organizar e liderar um exercício internacional com a participação de 8 nações estrangeiras. Pudemos verificar, in loco, o salto gigantesco que nossa Força Aérea deu nesses últimos anos, motivo de orgulho e admiração de todos nós.

Finalmente, em dezembro, participamos da formatura dos novos pilotos de caça, em Natal, a primeira que ocorre sem a participação dos nossos veteranos de guerra que, infelizmente, a ação inexorável do tempo nos levou. Foi, entretanto, a primeira onde os “novos veteranos”, pilotos de caça de 1946, participaram e tiveram a oportunidade de dizer para os novos caçadores o que foi receber instrução de caça diretamente daqueles que fizeram a guerra. 

 
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ABRA-PC Notícias nº 01
 

Prezado Caçador,

Estamos remetendo, em anexo a este, uma cópia do primeiro ABRAPC Notícias, publicado em outubro de 1997. Por motivos de força maior não foi possível fazê-lo, como gostaríamos, por ocasião da edição de número 100, publicada em set/out de 2013.

Nosso objetivo, ao reeditar aquela singela publicação junto com nossa edição histórica publicada recentemente em outubro de 2013 é o de, estabelecendo um elo entre o passado e o presente,  celebrar as conquistas alcançadas nesses 18 anos de existência da ABRA-PC e homenagear cada um dos senhores pelo continuado apoio e por tudo que têm feito em prol da nossa Associação.

 

A la Chasse!!!

final de artigo
 
 
 
 
Sorteio para a ida à Feira de Farnborough 2014
 

 Com base nas extrações da Loteria Federal dos dias 02 e 06 de novembro de 2013, os seguintes associados foram sorteados para participarem da Feira Aeronáutica de Farnborough a ser realizada no período de 14 a 20 de julho do próximo ano:

• Efetivo: Brig Márcio Bhering Cardoso (NSI 081);
• 1º Suplente: Maj Brig. Jorge Cruz de Souza e Mello (NSI 062);
• 2º Suplente: Cap Rafhael Efísio da Silva (NSI 700).

Ao Efetivo se juntará o Estagiário Padrão do Curso de Caça de 2013, cuja formatura ocorrerá no dia 12 de dezembro no 2º/5º GAV.
A ABRA-PC deseja uma boa viagem aos associados sorteados. Aproveitem a oportunidade.

 
final de artigo
 
 


 
Demonstrativo Financeiro Resumido
 
SALDOS EM 31 DE AGOSTO DE 2013
 
Conta Corrente (Banco Real) R$ 5.62284
Fundos ABRA-PC (DI-Supremo) R$ 59.98029
Sub-total recursos ABRA-PC R$ 65.60313

FUNDOS ESPECIAIS (*)

Desenvolv. Cult. da Av. de Caça R$ 2.36859
Prêmio Pacau R$ 58.20818
Sub-total dos Fundos Especiais R$ 61.57677

MÉDIAS DE RECEITAS DE 2013

Média anual R$ 11.03433

 MÉDIAS DE DESPESAS DE 2013

Custeio R$ 5.98299
Eventuais R$ 2.60888

   

(*) A origem desses recursos deve-se à doação de cem mil reais, feita pelo Brig. Magalhães-Motta à Associação Brasileira de Pilotos de Caça.

final de artigo

 


 

Para Refletir

 

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"Para existir história é preciso
existir algum interesse das gerações
seguintes em contar essa história, aprender
com ela e dela tirar lições”.

Sérgio Rodrigues 

 "Independente do alvo a
missão continua!!!"

 

T en Peterson – 2º/3º GAv
Piloto de Caça – Turma de 2008

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Nota: Há uma versão mais informal desta frase que, quem sabe, os oficiais do esquadrão Esco rpião se animam a escr ever para as nossas estórias não contadas da caça.

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final de artigo

     


  
DEPOIMENTO
 
Extrato de entrevistas dos Veteranos de Guerra para o documentário “Senta a Pua”  

  

Comandante Alberto Martins Torres

 

Os torpedeamentos alemães

“Os alemães adotaram como principal estratégia marítima a sua frota de submarinos para torpedearem navios que transportassem aquilo que os aliados necessitavam. Os ingleses desenvolveram um tipo de radar com maior alcance, e os americanos imediatamente fabricaram um grandenúmero e equiparam os seus aviões com esses radares, de modo que os comboios passaram a ser cobertos por aviões e também por navios de guerra com esses radares. A partir de um certo momento os alemães não afundavam mais navios em comboios, mas sim navios que andavam soltos,
dentre os quais estavam muitos navios brasileiros no litoral do Nordeste. E em alguns desses torpedeamentos aconteciam depois atos selvagens como o metralhamento dos barcos salva-vidas. Os alemães só não atacavam os navios chamados ‘neutros’, como os argentinos e os chilenos, porque estes davam guarida para os seus submarinos. A opinião popular brasileira ficou muito contra esta guerra dos submarinos alemães e essa indignação proliferava sobretudo nos meios estudantis. Na ocasião esse foi um dos motivos pelo qual eu fui fazer um curso que a FAB criou, o curso de reserva, aproveitando as Escolas de Aviação Militar Americanas; eu era segundo anista de direito, mas tranquei a matrícula para fazer o curso. E os ataques continuavam e eram muito cruéis, mas depois foram se tornando menos eficientes com a tática dos aliados.”

O sentimento pessoal

“Eu pessoalmente reagia a essas notícias dos torpedeamentos com características até mais íntimas. Meu pai era diplomata e eu morei quatro anos na Alemanha e fiz o curso primário em Munique. Tanto é que o meu pai era cônsul lá e foi quem despachou o primeiro voo do Zepelim para o Brasil, a documentação foi meu pai quem fez. E lá eu assisti àquela campanha do Hitler e a criação da juventude nazista e, como eu era mais moreno do que eles, muitas vezes, no caminho para o colégio, era atacado. Então eu tinha mais esse aspecto pessoal e íntimo contra essa coisa do torpedeamento, e tudo já conduzia a minha ida para a FAB.”

A entrada para a FAB

“Eu vinha do Ministério da Indústria e Comércio, pois eu era estagiário e aluno da Faculdade de Direito e trabalhava no escritório dos meus primos. Certa vez eu transitava por ali quando encontrei um amigo do Posto 6, Flávio Maranhão, amigo do João Saldanha, do Heleno do futebol, aquele pessoal para quem eu às vezes dava aula de inglês – eles queriam aprender inglês para poderem conversar com as coristas do Cassino Atlântico. O Flávio Maranhão vinha com um papel e eu perguntei em tom de pirraça: ‘Flávio, o que é isso? Nunca vi você vestido, só conheço você de calção de banho, e também nunca vi você lendo... você sabe ler?’. Aí ele disse: ‘É um negócio do Ministério da Aeronáutica, Curso nos Estados Unidos, Aviação Militar’. Estávamos a somente uma quadra do Ministério da Aeronáutica, e eu dali fui com ele e já me inscrevi; fui logo da primeira turma. Esta ‘coincidência’ culminou com a minha decisão e por causa da minha revolta contra aqueles torpedeamentos. Eu fui fazer o curso nos Estados Unidos na primeira turma, composta por oito brasileiros.”

 A patrulha

“Quando voltamos dos Estados Unidos nós havíamos feito um curso de pós-graduação para ‘Tenentes Aviadores Americanos’, instrutores de aviação militar. E nós implantamos no Galeão o primeiro CPOR da Aeronáutica e formamos vários instrutores para implantarem CPOR em outras bases no Brasil. Como prêmio do nosso trabalho nós pedimos que fôssemos transferidos para o Grupo de Patrulha, que também era da Base Aérea do Galeão, e aí passamos a fazer regularmente os voos de patrulha que eram divididos em dois tipos de voo: uns eram de varredura de locais
em que se sabia haver submarinos, e outro era o de cobertura, propriamente dito, acompanhando os comboios. Quanto à proposta dessas varreduras há uma coisa interessante: havia um Almirante que exigia um reporte às 6:00 h de cada submarino alemão que ia em código. Como os americanos já haviam capturado um submarino alemão, que está agora no Museu de Ciências de Chicago, eles diziam: ‘A coisa mais notável não foi a captura propriamente dita, nem o reboque desse submarino aos Estados Unidos, mas foi o absoluto sigilo em que foi mantido isso’. De modo que todos os dias cada submarino alemão mandava o seu reporte às 6:00 h para satisfazer o ego do Dönitz e nós tínhamos uma sala de operações na Avenida Venezuela e no Atlântico Sul com as etiquetas dizendo ‘submarino tal, em tal lugar’, e a gente até brincava dizendo assim: ‘Os gringos estão colocando isso para tirar sarro da gente, para dizerem que sabem onde estão os submarinos’, e de fato eles sabiam. Foi um dos motivos porque naquela missão em que fazíamos uma varredura já se sabia que havia um U-199 por ali, e nós fomos chamados de volta porque um americano o havia atacado e então se deu nosso ataque a esse submarino.”

O ataque ao submarino U-199

 “A minha escalação foi interessante porque era o primeiro voo solo do Miranda Corrêa, que era primeiro tenente no Catalina. Na última hora o Major Cal Filho, que era o comandante do grupo, disse: ‘Torres, vai você também porque você conhece todos aqueles parafusinhos do avião’, e lá fui eu. Nós fomos fazer uma varredura na rota que os comboios que saíam do Rio de Janeiro iriam cumprir nas próximas 24 horas na direção Nordeste. O nosso destino era ir até os Abrolhos e voltar, e quando estávamos na altura de Cabo Frio recebemos um cifrado dando coordenadas sobre a ação inimiga. Voltamos imediatamente e o Miranda foi fazer a navegação e me deixou no lugar do primeiro piloto, porque inclusive eu era instrutor de Catalina. Dali a pouco nós vimos o submarino no local a uns 100 quilômetros mar adentro, fora da Barra do Rio, 100 quilômetros do Pão de Açúcar. Imediatamente fizemos uma curva em direção ao submarino e para a nossa alegria ele virou para o eixo do nosso mergulho, que é a linha ideal de ataque de se ter, porque você tem à bordo o ‘intervalômetro’ no qual você regula as bombas. Normalmente elas já estão reguladas para 20pés de profundidade quando detonarem, isso pega desde o submarino na superfície até aquela profundidade em que ele tem que mergulhar antes de poder fazer qualquer manobra. O ‘intervalômetro’ dá o espaçamento entre as bombas. Nós tínhamos 4 bombas, sendo que 3 eram reguladas para 20 metros cada uma, e a quarta era para o tiro de misericórdia.” “Soltamos as bombas e para sorte nossa o submarino passou exatamente quando elas explodiram. Ele chegou a sair da água e ficou parado, foi aquela confusão. Nós demos a volta e ainda soltamos a quarta
bomba, e aí começaram a aparecer os aviões americanos que tinham atacado primeiro, mas tinham errado as bombas. Eles fizeram um trabalho fantástico porque tinham um porta-bombas, então eles fingiam o ataque, abriam os porta-bombas e quando o submarino reagia com as antiaéreas eles fechavam o porta-bombas e voltavam, e dessa forma mantiveram o submarino na superfície até nós chegarmos para o ataque. Nós jogamos um barco de borracha e os americanos jogaram outros dois e doze alemães – o comandante, três oficiais e oito marinheiros – embarcaram, amarraram um no outro e saíram remando. Eu tive até a oportunidade de transmitir em código morse, em alemão, para eles: ‘Não remem. Virá um navio buscar vocês!’. Dali a pouco veio um destroyer que levou 2:15 h para chegar com aquelas redes do lado, e os prisioneiros finalmente subiram. Eu cheguei de volta no Aeroporto Santos Dumont muito antes e fiquei ali, naquelas grades, junto com um monte de gente curiosa, e os vi embarcando num transporte americano para ficarem como prisioneiros no Recife, onde havia outros prisioneiros alemães. Lá, aliás, eles devem ter levado um ‘vidão’, pois os prisioneiros jogavam futebol, comiam bastante e não sofriam mais ataques de avião. Foi uma experiência curta e incisiva.”

Os preparativos para a Itália

“Uma das características do Grupo de Caça foi que o nosso treinamento excedeu em muito o treinamento que normalmente se dava a uma unidade americana ou a outros países. Tanto é que nós havíamos assumido, depois de um treinamento intensivo, a Base de Aguadulce no Panamá em todos os seus serviços, inclusive a interceptação de todos os aviões que passavam pela região. Havia vinte bases naquela região, em toda a América Central, que formavam a rede de proteção do Canal doPanamá. Então qualquer avião, fosse ‘teco-teco’ ou avião comercial, era interceptado e conduzido até a próxima escolta pelos aviões de uma daquelas bases. Isso tudo nos deu um treinamento em interceptação fantástico porque você ficava com o que eles chamavam de Stand By, de alerta. Quando tocava uma sirene você saía e o mecânico já estava sentado dentro do seu avião dando a partida; ele saía por uma asa e você entrava pela outra. Em questão de quatro, cinco minutos você já estava voando, recolhido e recebendo o rumo dado pelo radar. Com esse treinamento, quando fomos para Long Island, chegamos lá como uma unidade de caça já feita, completa. Foi preciso apenas uma adaptação no avião, o P-47, que era um avião bastante diferente do P-40, no qual nós havíamos treinado. Foi ao mesmo tempo diferente e melhor para nós que íamos para uma zona de combate, porque o P-47 é realmente um avião fantástico de robustez, de armamento, de tudo. Basta um dado para dar uma ideia: O C-
47, que é o DC-3 cargueiro, pesa sete toneladas e pouco. Pois o P-47 Thunderbolt pesa quase sete toneladas também, de maneira que podemos ver a robustez de um avião que é um monomotor mas uma máquina cuja potência equivalia praticamente aos dois motores do C-47, que eram dois motores de 1250 cada, e o do P-47 um de 2200 cavalos. Quando você dava a injeção de água o turbo compressor ia a quase 2600 de potência. De forma que o nosso treinamento nos Estados Unidos foi um treinamento de aperfeiçoamento no avião em que nós íamos atuar na Itália. Esse treinamento foi acompanhado pelo Coronel Disosway, que era o encarregado do nosso treinamento até nós embarcarmos para a Itália, e inclusive teve que vencer no início um pouco o ceticismo dos instrutores americanos que queriam nos dar instruções como se fossemos menos experientes. Mas esse foi mais um fator ao qual eu atribuo a eficiência do Grupo de Caça, não a eficiência de um ou de outro somente, mas do Grupo de Caça como um todo, e temos inclusive documentos oficiais dos americanos que falam disso. Uma das coisas, por exemplo, eram as missões com mau tempo, que eram conduzidas pelo radar. Havia muitas que só os brasileiros faziam porque sabiam voar ‘asa dentro de asa’, colados um no outro. Os americanos que tinham, vamos dizer, aquele ‘treinamento de 7 de setembro’, desfile, fazendo ‘bonitinho’ e coisa do gênero, não saíam com mau tempo, e quando saíam não chegavam no destino. Por isso esse estágio final foi muito útil e nós chegamos à Itália posteriormente com muita confiança no nosso próprio trabalho.”

final de artigo 



 

 

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