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XXIX Raduno dos Adelphis - 2017 Em uma confraternização que reuniu os integrantes do Esquadrão...

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ESTÓRIA INFORMAL DA CAÇA
  
Pilotos

                              (2o fascículo)

  

  

Este fascículo contém 3 (três) estórias:
(02-1) "Pega pra Capar" de Cumbica
(02-2) Aconteceu
(02-3) Uma chegada IFR

  

 

 O "PEGA PRA CAPAR" DE CUMBICA: P-40 VERSUS P-47!
(Estória no 02-1)


O clima era de guerra total! O país AZUL, com capital em S.Paulo e com o seu complexo aéreo sediado às margens do riacho Baquirivu (também conhecido como Baquirivu River pelos alunos do Curso de Tática Aérea), havia se declarado em operações de litígio com o país VERMELHO, capital Rio, e que sediava sua Força Aérea às margens do Canal do Itá (ou Vala do Sangue, como era conhecido pelos habitantes de ("Saint Cross Sur-Mer"). Esta era a ficção CTAna.

Os anos eram cinquenta e a realidade era a ocupação da então Base Aérea de São Paulo (Cumbica) pelos Esquadrões Operacionais da FAB que, a cada formatura de Curso, eram deslocados para o local com a finalidade de "encenar" ao vivo, a manobra de encerramento das atividades escolares.

Em que pesem as limitações de espaço útil disponível, até para o parqueamento dos aviões, o panorama visto "a vol d'oiseau" era digno de emoção: eram dezenas de B-25, de P-40, P-47 assim como SA-I6 e B-17 adornando as laterais da única pista existente e que, por essa razão, acabaram servindo de "barreira de parada" para aeronaves que perderam a reta durante "pousos estranhos e pistas conhecidas"...

Na distribuição dos meios aéreos do país AZUL, o aeródromo de Cumbica sediou as Unidades de interceptação e caça-bombardeio P-47 (oriundas do 1o Gp.Av.Ca - Sta. Cruz), as aeronaves de interceptação P-40 (oriundas do 1o/14o G.Av. -Canoas) e aeronaves de bombardeio leve B-25 (oriundas das Bases do Nordeste) assim como aeronaves de reconhecimento - foto B-17 (oriundas do Recife) e aeronaves de busca e salvamento SA-I6 (oriundas do 2o /10 o GAv - Cumbica).

Por outro lado, o pais VERMELHO (inimigo) sediava aeronaves de escolta e interceptação P-47 (pertencentes ao 2o/1o Gp.Av.Ca Sta. Cruz) e aeronaves de transporte de tropa C-47 (sediados no 1o e 2 o GT - Galeão e Afonsos).

Em determinado dia D-l, as tripulações de Caça da F.Aé. AZUL foram "brifadas" sobre uma eventual incursão aérea inimiga a ocorrer num dia D e que exigiria "esforço máximo de combate (EMC)". Por consequencia, as Unidades se entregaram ao afã de crescer sua disponibilidade de aviões para estar pronta para atender ao chamamento que viria (certamente) da maldita sirene que tocava no meio do estacionamento dos aviões de caça, ensurdecendo ao derredor e azucrinando os pilotos em alerta no solo, debaixo dos aviões.P-40 versus P-47

Não deu outra: lá pelas tantas (eram cerca de 11 horas da manhã) a sirene se esgoelou e fez "tocar horror" no então, pacífico (porém, preparado?) estacionamento dos caçadores do 1o Gp.Av.Ca e 1o/14o G.Av. Correria geral. “Papo" cortado repentinamente, guarnecer em acelerado, partidas sem cumprir o "check list" etc. O mais importante mesmo era decolar rapidamente e, se possível, também de forma organizada...

Eu, como de costume, despeguei na ala do meu saudoso e imitado (e jamais igualado) líder Cap. Av. BERTHIER FIGUEIREDO PRATES, Comandante Emérito da d'Ouros do 1o Esquadrão.

Após a decolagem, o "bandão" mais ou menos se posicionou para se opor à audaciosa incursão inimiga que, conforme informara NARIZ (unidade de radar de controle do espaço aéreo), detectara um ponderável número de aviões voando na proa de Cumbica e proveniente do setor do vale do Paraíba.

A cena era mais ou menos a seguinte: por parte da F.Aé. AZUL eram 8 P-47 em linha de frente, escalonados para cobrir o setor do sol e 8 P-40, na mesma formatura e voando mais baixo, todos com os olhos voltados para o setor de onde viria a ameaça. Estávamos sobrevoando o território entre Jacareí e Cumbica.

Por parte da F.Aé. VERMELHA, eram 12-P47 voando em linha de frente (formatura Cruz) escoltando 12 C-47, voando em esquadrilhas de tres aviões. Entretanto, surpresa: toda a formaçao voava a muito baixa altura, o que quase impossibilitava qualquer passe de tiro!

Evidentemente, essa impossibilidade (?) jamais passou pela cabeça de BERTHIER que, após comandar "Atq 2", fez um passe sobre uma esquadrilha de C-47, voando quase rasante e se posicionou de tal forma que obrigou o ala a passar entre os C-47 e o chão!!
Mas o "pega pra capar" não parava aí... Quando o "pela coruja" começou, houve um "barata voa" geral e a escolta (P-47 vindos de Sta Cruz), ao se posicionar para se contrapor aos passes da F.Aé. AZUL, se deparou com uma mistura de P-47 e P-40! E ai, sem que tivesse havido nenhum comando, o combate adentrou a uma fase do NÃO ENTENDIDO: quais eram os P-47 da F.Aé. AZUL e quais os da F.Aé. VERMELHA? 

E, como era de esperar, tudo se transformou em P-47 versus P-40! E o espaço aéreo (agora sobre Mogi das Cruzes) foi transformado em um verdadeiro circo aéreo! Era uma ciranda só, um grande cobrinha de avião a cata de avião (dizem os gaúchos que eram muitos P-40 atrás de muitos P-47) e deu de tudo. Inclusive um P-47 com o motor fundido pelo "uso macio" no combate e pilotado pelo Cap. GESILDO PASSOS, que acabou pousando em MARTE com o motor parado... Não sei se todos acabaram pousando em Cumbica, independentemente do país a que pertenciam! O fato é que não houve acidentes reportados.

Esta estória deve ter outras versões, vistas por outros olhos e em outras circunstâncias. Na minha visão, esta foi uma das facetas do "pega"... Cabe completá-la, talvez... principalmente na visão dos "gaúchos"!

  

L.N. Menezes Maj. Brig. RR
Cmt BASC - 1975-1976

Este fascículo contém 3 (três) estórias:
(02-1) "Pega pra Capar" de Cumbica
(02-2) Aconteceu
(02-3) Uma chegada IFR

 ACONTECEU...
(Estória no 02-2)


Estávamos em dezembro de 1960. Tínhamos o privilégio de ocupar a posição de Instrutor do 1o/4o G.Av., sob a batuta do famoso Berthier Figueiredo Prates, “O Sol". Olha que grupo: Teodósio, Plínio, Moreira, Amazonas, Frota, Carvalho...!

Tinhamos o F-80 e o T-33 na mão. Aliás, é a instrução, quando a ministramos, que nos faz aprender mais que o aluno.

O Berthier tinha vindo dos "States", onde aprendeu toda a ciência do VI. Meia-barra, um quarto de barra, cheque cruzado, nem os cartões-verde do CAN tinham tanta prnficiência, como anos depois pude constatar. Sua fama, baseada em reais qualidades de exímio piloto de caça, impregnava os instrutores. Por isso, sentíamo-nos, todos, os melhores Ases da Caça. Era verdadeiramente a Sorbonne, como batizada anos mais tarde.

Comandando a Base, estava o Cel. Ovídio, vulgo Tanaka, boa gente, motivo de muitas estorietas que ainda serão contadas. A lembrança está feita.

Encerrávamos o ano de instrução. Tínhamos voado bastante. A turma que concluía o curso, recebia nosso atestado de elevada proficiência como Piloto de Caça. Muita "cambalhota", formatura-diurna e noturna, muito emprego em Aquiraz, e em Aquiraz muita areia nos olhos (uma vez, ao retornar do estande, onde exerci o papel de controlador, passei momentos terríveis devido ao banho em casa; a chuveirada trouxe a areia dos cabelos, das sobrancelhas e dos cílios para dentro dos olhos, ocasionando momentos terríveis, com dores e alfinetadas que passaram depois de uns 30 minutos de aflição e muitas doses de Lavolhos).

Participamos do 23 de outubro em Copacabana, num dos empregos mais eficientes sobre alvos colocados a cerca de 1 Km da praia, na altura do Hotel Copacabana Palace. Nesse ano ocorreu o acidente do Muniz. Olha aí outra história tão badalada, mas ainda não contada.

Chegamos á tradicional festa de encerramento do ano PACAU. Presentes estavam o Ten. Brig. Reinando e comitiva composta por altas autoridades vindas da Corte.

Começou, então, o também tradicional vôo de demonstração. Eram cerca de 32 aviões no ar, o que me encheu de orgulho, junto com o Frota, ele Oficial de Manutenção e eu de Suprimento. Graças a essa disponibilidade (100%), tenho em minhas alterações um dos elogios mais curtos e mais significativos de tantos quantos recebi ao longo da minha vida militar.

Desse grupão participavam instrutores e alunos. Puxando, ia o Berthier, com o Tozmann na ala.

Atrás, na última esquadrilha, íamos, o Plínio Lemos de Abreu puxando, o Frota de 2, Amazonas de 3, e eu de 4. Era a esquadrilha de demonstração que, modéstia á parte, vinha se apresentando magnificamente, tal como no 23 de outubro já mencionado, em Copacabana. A idéia era a seguinte: decolavam os 16 elementos e o Berthier esperava com o Grupo no PE enquanto a esquadrilha fazia seus 10 minutos de show. Depois a esquadrilha juntava no grupo e, então, o Berthier fazia as passagens.

Assim foi feito. Quando encerramos o festival de acrobacia na ala, reunimos o grupo para o inicio das passagens, sentido 13/31, sabendo que as autoridades estavam no Esquadrão, de frente para o pátio, assistindo a tudo. Hoje, o visual está um pouco modificado, mas quem olhava da pista para o esquadrão via, à esquerda, o aeroporto, à direita o Contra-Incêndio, e em cima do Esquadrão estava a Torre de Controle, tendo à sua direita, a uma distância de uns 10 metros, uma antena da mesma altura, de ferro, subindo de uma base quadrada para terminar num ponto, portanto com 4 lados triangulares. Tudo isto, do lado do Cocorote.

Após a primeira passagem, com os 32 aviões em 2 esquadrões de 16 (que tempo bom, aquele!), Berthier puxa cobrinha de elemento a partir do final da pista 13 (naquele tempo era 12). Curva à esquerda, vai até o Pici e escorrega, em cobrinha de elemento, para a primeira passagem sobre a pista.

De repente, lá de trás eu vejo que o Berthier está sobre o pátio de estacionamento e sobre a pista... e todos vão atrás. A situação era a seguinte: assistência na porta do EElemento de F-80squadrão, composta por comitiva, militares, civis, autoridades, crianças... e, à frente, estacionados lado a lado, estavam o C-47 do Brig. Reinaldo (era o avião do GTE na época), e dois CONVAIR da VARIG, todos em frente ao aeroporto.
 

Berthier deixa o Tozmann na ala esquerda e passa baixo, baixo mesmo, na porta do Esquadrão. O Tozmann sente apenas um chiado sob seu avião, mas prossegue normalmente, sem desgrudar os olhos do líder, como todo bom estágiário que se preza.

Lá para trás ficam muitas painas brancas, voando, que faziam parte do revestimento superior do CONVAIR. O Tozmann simplesmente arrancou o dorso do C-47 e do CONVAIR do lado, deixando a assistência estupefata. Brig. Reinaldo, Cel. Ovidio, comitiva, todos dão um passo atrás. Passam os 16 elementos. Berthier faz curva à esquerda sem saber o que aconteceu. Também ninguém lhe avisa. Completa 270 e vem em nova passagem, sentido Base-Esquadrão, baixo, muito baixo. Mais baixo ainda vem Amazonas, o 31 e eu na ala, o 32. Olho para todos os lados. Amazonas é louco! Vai me deixar plantado num árvore! Vem literalmente pulando obstáculos. E eu corcoveando ao seu lado. Olho à frente e vejo os quadrados brancos e vermelhos da Torre se aproximando. Crescendo! E a assistência embaixo.

Amazonas falando no rádio: uma árvore, outra árvore... Seguro até não poder mais. Vejo a torre na frente, e penso: não dá mais para ficar. Amazonas vai bater. Cabro o F-80, inclinando para ver a batida, reduzindo um pouco a velocidade e vejo, no último momento, que ele, sabendo que não dava mais para cabrar e passar por cima, coloca o avião na faca e tenta passar entre a torre e a antena. Bate com o tip-tanque direito na antena e este é projetado fora, caindo na soleira de uma residência do Cocorote. Retorno à sua ala para avaliar o estrago. Ele não tinha ligado o “auto-drop”, que num caso desses serviria para ejetar o tip esquerdo, evitando assimetria praticamente mortal.

Mas o bicho era bom mesmo, aliás dos melhores com quem convivi. Segura o avião, combustível jorrando da ponta da asa direita, faz curva à direita, entra na perna do vento, faz a curva-base, baixa o trem e flape, pousa e eu arremeto... sem alijar o tip esquerdo!

Brig. Reinaldo abandona o recinto, dizendo: - ISTO NÃO É UM ESQUADRÃO, É UMA ESCULHAMBAÇÃO! Não era. Foi e é uma das Unidades mais admiráveis desta Força, que apenas escreveu uma página memorável, naquele dia, parte de uma história que a Força nunca contou... Oficialmente.

 

Carlos Almeida Baptista - Ten.Brig.
Cmt 1o/14o Gav. Cmt 1o Gp.Av.Ca.- 1977


Este fascículo contém 3 (três) estórias:
(02-1) "Pega pra Capar" de Cumbica
(02-2) Aconteceu
(02-3) Uma chegada IFR

 

 

 UMA CHEGADA IFR...
(Estória no 02-3)


No ano de 1956, encontrava-me servindo no 1o/1o/Gp.Av.Ca. na Base Aérea de Santa Cruz, equipado na época com os jatos de caça Gloster Meteor MK-VIII (F-8). Em maio, foi previsto um deslocamento de todo o Esquadrão para Porto Alegre e, em lá chegando, efetuar treinamentos de vôos a baixa altitude, em que a velocidade e o descortínio da região requerem do piloto uma atenção redobrada em sua navegação, levando-o a adquirir maior rapidez em suas decisões.

Uma frente fria, estacionária do Sul até acima do Rio de Janeiro, passou a prejudicar e retardar o dia da saída, tendo em vista que muitos dos F-8 ainda estavam sem a instalação dos equipamentos de rádio-compasso e a autonomia dos aviões era quase na conta. Os Esquadrões de Controle e Alarme (ECA 1 e 2) estavam em contato diário com o rádio, informando a evolução meteorológica.

Tudo preparado, "briefing" realizado, recomendações dadas e... o mau tempo nos segurando no chão. O que causava um ansiedade só amenizada pela atuação sempre bem-humorada do Ten. Pessoa.

Finalmente, no dia 5, com a melhoria do tempo em Porto Alegre, o Esquadrão pôs-se no ar, liderado pelo Oficial de Operações, Cap. Cassiano Pereira. Participavam do vôo os seguintes oficiais: Cap. Joel Rócio, Ten. Jorge Frederico Bins, Ten. José Pessôa Cavalcanti de Albuquerque, Ten. Cláudio Souza de Oliveira, Ten. Ruy Messias de Mendonça, Sérgio Camisão, Volnei Monclaro Mena Barreto, Edmar Flaeschen, Carlos de Almeida Baptista, Juarez de Deus Gomes da Silva, Werther Souza-Aguiar Temporal e Ary Camargo. No avião de apoio seguiram o Maj. José Carlos Teixeira Rocha, o Cap. Afrânio da Silva Aguiar (Cmt. do 1o/1o), Cap. Antônio Carlos Azevedo da Rocha Paranhos, Ten. Joaquim Francisco Lins Araújo e o Ten. Arm. Adalberto José do Espírito Santo (Betinho). Coube-me o F-8 4400 (A1).

O vôo transcorreu sem contratempos, a 30,000 pés para as três Esquadrilhas que estacionaram na Base Aérea de Gravataí. Nos dias subsequentes foram cumpridas as missões previstas, tendo entrado em pane elétrica do trem de pouso o F-8 4403 (A4).

Finda a missão, houve o infalível jantar na Cantina do Galeto, com a festiva presença de outros companheiros do 1o/14o Gp. Av. de Porto Alegre, Maj. Josino Maia de Assis, Cap. Adélio DeI Tedesco, Cap. Hildebrando Pralon Ferreira Leite, Cap. Med. Dr. Jorge, Ten. João Hoeppner, Ayrton da Silva Passos e Wanderley Montandon.

No dia da volta, dia 10, a frente continuava sobre o Rio de Janeiro. O Cap. Aguiar lideraria o Esquadrão e eu fui consultado se levaria o 4403 que, além da pane do trem (tinha que ser recolhido manualmente), ainda tinha cedido seu horizonte artificial e bússola elétrica para outros aviões que necessitavam desses itens. Aceitei e ficou estabelecido que eu voaria em Elemento com o Ten. Camisão para apoio de rumo, já que a bússola magnética não era precisa. Prossegui em direção a Florianópolis, que ainda permitiu ser vista pela metade. Subi para os 32.000 pés previstos e, já no topo e conhecendo bem os recortes do litoral, coloquei o 4403 na reta, anotando o rumo que a bússola marcava (que não correspondia à realidade, mas não me deixava variar a proa). De vez em quando era chamado pelo Cap. Aguiar para saber se já avistava o Esquadrão, na mesma altura, o que não aconteceu. Identifiquei minha passagem sobre Santos e já comecei a preocupar-me, pois ouvi a torre de Santa Cruz (Primave) informar um teto de 1.000 pés com chuva intermitente. Na minha estimada próximo a Santa Cruz chamei o "Safa-Onça", que me deu um rumo proa norte. Voei mais um pouco e a nova chamada me deu um rumo sul. Já tinha passado Santa Cruz. O Esquadrão descia por Esquadrilhas. O Ten. Bins informou-me estar descendo sobre o F-8 descendo na chuvamar, próximo à Restinga.

Como, sem horizonte e uma bússola confiável, não poderia entrar em nuvens, reduzi as rotações das turbinas para um regime mais econômico e iniciei algumas curvas, procurando ver algo em baixo. Numa dessas, vi uma abertura e através dela umas casas, mas não consegui identificar se estava do lado do mar ou para dentro. Apliquei os flaps de mergulho para manter próximo ao "buraco" e entrei em contato com o Controle de Aproximação, no canal 5, informando-o da minha posição estimada e dizendo ter entrado em pane de instrumentos. Este mandou-me aguardar e desviou as aeronaves no setor, para a Ilha Rasa, Galeão etc.

Meu combustível já estava próximo do fim e eu, preocupado, já pensava em me ejetar e pensando: - Se as turbinas pararem, vou descer um pouco para o interior, com medo do avião cair sobre a área residencial, e não querendo ir para o mar preocupado em cair muito tonge da costa. Revi os procedimentos previstos para o assento Martin Baker (mira para dentro, calcanhares nos estribos, fios e traquéia desconectados etc.). O Controle autorizou-me a descer e eu enfiei-me pela estreita abertura, na vertical, turbinas reduzidas e flaps de mergulho.
 
O altímetro girava como um ventilador. Aos 8.000 pés avistei o Estádio do Maracanã, um pouco à direita, girei o F-8 para lá e nivelei a 1.000 pés aproando os Afonsos, com muita chuva. Não conseguia ver quase nada. Tentei, então, ir para Santa Cruz por trás da Serra da Madureira (Nova Iguaçu). Não deu, tudo negro com a chuva. Virei à direita para o Galeão e a torre informou-me: aeroporto fechado pela chuva e vento forte de través. Respondi-lhe: - Não tenho alternativa. E joguei-me na pista 14, quando pude, então, respirar aliviado.

Logo depois, chegou o Maj. Hélio Langsch Keller no T-6 1612, que já andava me procurando, pois havia avisado à Primave que me encontrava próximo ao Maracanã. O Maj. Keller perguntou-me se tinha combustível para ir para Santa Cruz. Respondi-lhe que não dava nem para girar as turbinas. Voltei no T-6 com ele.

No dia seguinte, foram enviados um carro com JP-1 (a aviação comercial ainda não operava com jatos) e o carro do APP (Auxiliar Power Plant) para o Galeão, para trasladar o valente A4 para Santa Cruz, que acredito não ter sabido o quanto esteve perto de estatelar sozinho em algum morro das redondezas.
 

  

Werther Souza-Aguiar Temporal - Cel. Av. RR


Este fascículo contém 3 (três) estórias:
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