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ABRA-PC NOTÍCIAS

(Número 93 - Ano XVI - jul/ago de 2012)





  

MENSAGEM DA DIRETORIA

Prezados Caçadores

Há dezessete anos, no dia 10 de agosto de 1995, era fundada a Associação Brasileira de Pilotos de Caça, com a finalidade de estreitar os laços de união e solidariedade entre os Pilotos de Caça da Força Aérea Brasileira, em especial os da reserva e reformados, e entre estes e os demais formados em outras Forças Armadas, nacionais ou estrangeiras, buscando estimular e preservar as tradições e o espírito de corpo, bem como promover a interação entre os associados e a Força Aérea Brasileira (FAB).

Ao longo desses dezessete anos muita coisa aconteceu, mas o mais importante foi a consolidação de Associação como representante, de fato, da comunidade de pilotos de caça do Brasil, e referência para qualquer assunto ligado a eles.


Hoje somos uma realidade palpável e nesse particular não há como não reverenciar aqueles que há dezessete anos iniciaram a senda ao longo da qual transitaríamos por todo esse tempo e, por que não, a todos nós, que nos unimos em torno de um sentimento que não sabemos muito bem como definir, mas que bate forte em nosso peito e nos une a todos.

Honra a quem nos precedeu, glória a quem nos seguirá!

Senta a Púa, Brasil !

 


ENDEREÇO

Praça Marechal Âncora 15-A (Prédio do INCAER)
Castelo - Rio de Janeiro - RJ
CEP 20021-200
Tel (21) 8182-6924 (Celular do Secretário Mesquita)
E-mail:
popopo#abra-pc.com.br

(Nota do gerente do Sítio: não colocamos o símbolo "arroba" para evitar que "robôs eletrônicos" descubram o endereço para enviar "spams")

Nosso expediente de secretaria é nas segundas e quartas-feiras das 9:00h às 12:00h.
Nos demais horários deixe o seu recado "na eletrônica", ou transmita um fax pelo telefone 21-2262-4304

 


ZÉ GALINHA (03)

Reflexões da Reserva



AGENDA



7 de agosto

Aniversário da Base Aérea de Natal (BANT - RN)

17 a 18 de agosto

Bródio dos Jaguares ( BAAN - Anápolis - GO)

21 de agosto

Aniversário das Bases Aéreas de Canoas ( BACO -RS) e Campo Grande (BACG - MS)

28 de setembro

Aniversário do 1o/3o G.Av. (Escorpião) e do 2o/3o G.Av. (Grifo)

15 de outubro

Aniversário da Base Aérea de Santa Maria ( BASM-RS)

24 de outubro

Aniversário da Base Aérea de Santa Cruz ( BASC- RJ)

30 de outubro

Aniversário da Base Aérea de BOa Vista ( BABV- RR)

31 de outubro

Aniversário da Base Aérea de Porto Velho ( BAPV-RO)

Às Unidades aniversariantes os votos de ventos sempre favoráveis na realização de todas as missões.

Às Bases Aéreas votos de sucesso continuado e nossos agradecimentos pelo incondicional apoio prestado às unidades de caça lá sediadas.

E ao 1o GDA os votos de sucesso na realização do tradicional Bródio dos Jaguares.

Senta a Púa !


PAPO-RÁDIO

 1 - MARQUE NA SUA AGENDA:

a) ANIVERSÁRIO DA ABRA-PC

Será realizado no dia 11 de agosto, nas instalações do Clube de Aeronáutica, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, um almoço comemorativo dos 17 anos de criação da ABRA-PC.
O almoço será por adesão para nos reunirmos em torno de uma mesa amiga para comemorarmos nossas histórias, nossas amizades e nossa união em torno de um mesmo ideal.


b) ALMOÇO "PICADINHO JESUS ESTÁ CHAMANDO"

Dia 6 de outubro, primeiro sábado de outubro, estaremos comemorando mais um aniversário do desembarque de nossos veteranos na Itália, com o tradicional almoço “Picadinho Jesus Está Chamando”, na sede do Clube de Aeronáutica, no centro do Rio de Janeiro.
Não deixe de comparecer, venha comemorar com nossos veteranos do 1o Grupo de Aviação de Caça, em torno da figura do Brigadeiro Nero Moura, nosso patrono e sempre presente in spiritu, o início da nossa mística, da nossa história e das nossas tradições. Compromisso imperdível!


2 - PRÊMIO PACAU MAGALHÃES-MOTTA

Segue nosso primeiro chamamento aos nobres caçadores para participarem do PPMM 2012.Ano passado tivemos a grata satisfação de receber 16 trabalhos para concorrer ao citado prêmio. Seja pelo número recebido, seja pela elevada qualidade dos trabalhos recebidos, o PPMM de 2011 foi um sucesso.
Esperamos que este ano tenhamos a mesma participação e o mesmo sucesso. Nobres caçadores, escrevam seus trabalhos e nos enviem. A aviação de caça brasileira agradece!


3 - ARMAS EM FUNERAL

Cel.Av. Jorge Frederico Bins  (Binzinho)

A ABRA-PC cumpre o doloroso dever de comunicar o falecimento do emérito Piloto de Caça da turma de 1952, Coronel Aviador Jorge Frederico BINS, Jaguar 02, no dia 21 passado.

O Coronel Bins entrou para a FAB em 1949 teve destacada vida de serviços prestados como oficial aviador. Pertenceu ao 1o Grupo de Aviação de Caça, foi Comandante do 5o Grupo de Aviação e Comandante da Base Aérea de Santa Maria.

Integrou o famoso grupo de oficiais que implantaram a Aviação Supersônica no Brasil ("Dijon Boys"). Na reserva trabalhou no Instituto de Atividades Espaciais do CTA contribuindo para o desenvolvimento do Veículo Lançador de Satélites. Estava com 81 anos completos. O sepultamento foi em São José dos Campos (SP) onde residia há muitos anos.


Adelphi !

 
4 - HISTÓRICO DAS UNIDADES DE CAÇA
(Notas para o boletim periódico)

Um dos objetivos da Associação Brasileira de Pilotos de Caça (ABRA-PC) é o congraçamento entre os integrantes das Unidades Aéreas de Caça e entre esses e o pessoal hoje na reserva.
Nesse sentido, é intenção da Associação fazer publicar nos boletins periódicos as informações do dia a dia das Unidades que forem pertinentes a esse congraçamento. Seriam essas informações, algo relevante como: as 1000 horas de Caça alcançadas pelos pilotos; recordes individuais e da Unidade; comemorações alusivas a Unidade; manobras e deslocamentos; e outros eventos que forem julgados convenientes à divulgação.

Secundariamente queremos, também, com isso, incentivar a Unidade na elaboração do seu Histórico, não só operacional, mas, também casual. Nesse sentido, solicitamos às nossas unidades de caça a remeterem à ABRA-PC as citadas informações, como um meio de reforçar os laços de amizade e vibração que nos une, a todos, pilotos de caça da Força Aérea Brasileira. Antecipadamente nossos agradecimentos.

 

5 - SUGESTÕES AOS ASSOCIADOS

Temos procurado interagir de uma forma mais intensa com nossos associados, utilizando os meios mais modernos de comunicação. Nesse sentido, temos colocado no link “Notícias Recentes” informações atualizadas sobre as nossas unidades bem como sobre o universo de nossos associados de forma a mantermos um “canal quente” de comunicação.

Assim sendo, permitam-nos sugerir aos nobres caçadores que programem nos seus navegadores da internet o site da Associação – www.abra-pc.com.br como um dos sites a serem abertos automaticamente quando entrarem na rede. Certamente encontrarão notícias novas que interessam a todos e a cada um em particular.

 

6 - CAMPANHA PARA NOVOS SÓCIOS

Solicitamos aos nossos associados que procurem trazer para a grande formação que é a ABRA-PC aqueles pilotos de caça que ainda não são sócios. Apesar de reconhecermos que por vezes, em determinadas circunstâncias, o desconto mensal possa se transformar em pesado, entendemos que um pouco sacrifício em torno de algo muito maior que apenas o aspecto material da coisa possa valer a pena.

Temos nossos boletins periódicos, temos as viagens ao exterior, temos nossas histórias a contar, nossa mística a preservar, mística essa nascida sob o fogo da metralha na Segunda Grande Guerra e que se mantém até os dias de hoje no brilho dos olhos dos nossos veteranos. Prezado associado, se souber de um companheiro que ainda não é sócio da ABRA-PC converse com ele, mostre a ele o quanto é importante para a aviação de caça a sua reunião a todos nós e o seu cotejamento ao nosso cheque-rádio.

Nossos agradecimentos antecipados!

 

7 - ATUALIZAÇÃO DE ENDEREÇOS

Encarecemos aos nossos associados que mantenham seus endereços atualizados junto à Associação. Isso é extremamente importante, principalmente para o pessoal da ativa, sujeitos a constantes transferências normais durante a carreira.
Recentemente fomos surpreendidos com a informação de que um associado, servindo atualmente na AFA, há mais de dois anos não recebia qualquer comunicação da Associação! Isto definitivamente não é aceitável e certamente passa por erro nosso.

Temos trabalhado permanentemente junto à DIRAP para manter nosso cadastro atualizado, mas por vezes nos perdemos nas nossas rotinas e algo sempre passa despercebido.
Assim sendo, encarecemos aos nossos associados, principalmente aqueles da ativa, recém-movimentados, que mantenham atualizados seus endereços junto a nós, e que, se por acaso, souberem de alguém que não tem recebido nossos boletins periódicos ou qualquer outra comunicação de nossa parte que nos mande uma mensagem eletrônica para providenciarmos o acerto de tudo.

Não tenham dúvidas de que nossa prioridade maior será sempre nossos nobres associados e nossa querida aviação de caça!

  

8 - FORMATURA NA ESCOLA DE ESPECIALISTAS DA AERONÁUTICA (EEAER):
(Inauguração de Painel)

No dia 21 de junho de 2012, na EEAER, como parte das comemorações da formatura da 18ª Turma do Estágio de Adaptação à Graduação de Sargento (EAGS), foi inaugurado o painel da turma Jambock. O painel homenageou a reprodução da tela: “Thunderbolt – P-47”, do artista Exequiel Martinez, que retrata o excelente desempenho dos pilotos brasileiros, conhecidos como “JAMBOCK”, treinados para combaterem na Segunda Guerra Mundial.

formatura do EAGS

Painel do P-47 na EEAER


A turma de jovens alunos, buscando inspiração nos feitos memoráveis daqueles pilotos brasileiros, fez do “JAMBOCK” o seu código de chamada. O grau de desempenho dos pilotos, que inspirou os alunos, perdurou durante todo o Estágio de Adaptação, mostra-se agora latente no profissionalismo demonstrado nos formandos que, a partir de agora, desempenharão suas funções técnicas nas diversas organizações militares do Brasil. 



9 - DEMONSTRATIVO FINANCEIRO RESUMIDO :

        SALDOS EM 30 DE JUNHO DE 2012
 

Conta Corrente (Banco Real)

R$ 2.14197

Fundos ABRA-PC (DI-Supremo)

R$ 40.17577

Sub-total recursos ABRA-PC

R$ 42.31774

 

        FUNDOS ESPECIAIS (*)

 

<Desenvolv. Cult. da Av. de Caça

R$ 5.29142

Prêmio Pacau

R$ 56.41120

 

          MÉDIAS DE RECEITAS DE 2012
 

<ALIGN="LEFT">Média anual

R$ 10.13305

 

          MÉDIAS DE DESPESAS DE 2012
 

Custeio

R$ 5.48372

Eventuais

R$ 2.85900

(*) A origem desses recursos deve-se à doação de cem mil reais, feita pelo Brig. Magalhães-Motta à Associação Brasileira de Pilotos de Caça.


 

PARA REFLETIR

CARTAS DE UM PILOTO DE CAÇA



Itália, 19 de outubro de 1944

Meu querido pai e querida mãe

Depois de quase vinte meses de ausência do meu Brasil, presenciei hoje um espetáculo que me fez vibrar; hasteamos pela primeira vez na história da FAB, a bandeira nacional em território conquistado ao inimigo.
De há muito, devido às circunstâncias que me cercavam, que eu ia, aos poucos, perdendo aquele espírito patriótico comum a todos os brasileiros. Ao passo que ia adquirindo um espírito mais largo, mais sem fronteiras, mais universal e humanitário. Ia conhecendo novos países, novos povos, compreendendo e vivendo suas vidas, e o meu regionalismo (forma fácil de patriotismo) ia perdendo a sua intensidade pouco a pouco. Saudei centenas de vezes a bandeira americana e inglesa içadas ao mastro, mas de há muito eu não via o pendão brasileiro tremular ao vento.

Hoje porém içamos a bandeira e quando a marcha batida atacou, enquanto ela subia cada vez mais alto, um arrepio de emoção me correu a espinha. E rápido como o arrepio, me vieram à memória todas as minhas saudades da pátria. Meu pai, minha mãe, meus irmãos estavam, para mim, ali naquela bandeira. Um pedaço da minha terra, o símbolo da nossa gente, enfim tudo que me é querido, tudo que eu aprendi a respeitar era o significado daquela cerimônia para mim. Viva o Brasil, dizia meu coração dentro do peito. Sim, porque só se pode dar o verdadeiro valor ao Brasil quando se vê o estrago em que chegou esta velha e arruinada Europa.

Com o espetáculo que vejo diariamente diante dos meus olhos cheguei à conclusão de que existe um paraíso aqui na terra: os países americanos. O Brasil e Veterano Rocha e seu avião o  B-5os Estados Unidos que eu conheço são um verdadeiro céu em comparação com a Europa de hoje. Cheguei aqui na Itália há menos de um mês e já vi tanta desgraça e miséria que a imaginação de qualquer brasileiro, que se diz em luta difícil aí com racionamentos e filas, poderia jamais imaginar. As palavras fome, destruição e miséria aqui se escrevem com letras grandes.

Pobre criança italiana que tem que se contentar com migalhas de pão catadas no chão. Pobre moça italiana que se prostituiu em troca de comida. E a “gloriosa” mocidade fascista de Mussolini sai pelas estradas catando tocos de cigarros, ainda envergando os restos de um uniforme de Badoglio, única roupa que lhe resta. Esse mesmo rapaz já fez parte daquela multidão que respondia aos berros: - Canhão! Canhão! Quando Mussolini perguntava o que preferiam, se manteiga ou canhão.

Hoje ele raspa os restos que sobram na marmita de um soldado aliado.

O rastro deixado pela guerra aqui onde estou é medonho. E o pobre povo italiano olha a nós invasores não com desprezo ou altivez, mas implora e se rebaixa acovardado dizendo desconsolado: Tedesqui portati tutto. Pobre Itália, talvez nunca mais terá forças para se refazer.
Passei por Nápoles e daquela beleza toda que diziam que tinha, quase que só resta o Vesúvio. Em Livorno andei dez quarteirões inteiros sem encontrar um viva alma ou uma casa de pé. Ontem voei sobre Roma e a não ser algumas instalações militares e a estação de estrada de ferro, está tudo intacto. Roma é muito bonita e o Vaticano é uma coisa linda. Amanhã talvez irei a Roma passar dois dias como descanso.

Enfim, devemos todos dar graças a Deus, por ter preservado o Brasil desta calamidade. A guerra moderna é tão brutal e violenta que não respeita nada, absolutamente nada.

Texto retirado do livro "Cartas de um Piloto de Caça"
O treinamento e o combate 1943 - 1945
De Fernando Corrêa ROCHA
Veterano do 1o Grupo de Aviação de Caça com 75 missões de combate.



DEPOIMENTO

(extrato de entrevistas dos Veteranos de Guerra para o documentário "Senta a Púa")

Brigadeiro José Carlos de MIRANDA CORRÊA, no Panamá

“Tudo tem um princípio, e isso começou cinquenta e ‘tantos’ anos atrás. Eu cheguei de uma missão de patrulha e o meu comandante disse que eu deveria ir ao Ministério, pois o Major Nero Moura – que eu nem sabia quem era – queria falar comigo. Eu pensei: ‘O que será que eu fiz de errado’?”. Me fardei, fui para lá e me apresentei; eu não o conhecia, mas eu era gaúcho e ele também, de maneira que tudo deveria correr bem. Perguntei o que havia e ele disse que estava me convidando para uma missão. Eu disse: “Mas que missão?”, e ele respondeu: “Ah, isso não posso dizer.

Mas você topa ir a uma missão relativamente longa, talvez um pouco perigosa?”. Eu disse: “Bom, a princípio eu topo”. “Então vá para casa, converse com sua família e amanhã você me diz se topa ou não”, falou o Nero. Eu fui para casa e não pensei na missão, no que era ou no que não era. O sujeito com vinte e poucos anos não pensa se a coisa é ruim ou boa, você quer aventura, não é? Voltei no dia seguinte e disse que topava a missão, então ele pediu que eu aguardasse que seria comunicado sobre o que teria que fazer. Eu perguntei se ele não podia dizer qual era a missão e ele disse que não... e assim começou tudo.

Depois eu fui avisado que tinha que embarcar para os Estados Unidos. “Bom”, eu pensei, “eu vou, pois nos Estados Unidos não tem guerra”. Fui informado de que ia embarcar uns quinze dias depois, e o Nero falou que comigo iam outros oficiais; embarcaram doze pessoas, chamados ‘os doze homens-chave’. Aí é que ficamos sabendo que estávamos indo fazer um treinamento de aviação de caça, que talvez fôssemos depois mandados para a guerra na Europa caso ainda houvesse guerra. Dentre esses doze homens-chave cada um tinha uma especialidade: haviam "flight leaders" (líderes de voo), oficiais de informação, de armamento, de manutenção... eram os doze homens comandados pelo Major Nero Moura, e assim fui então aos Estados Unidos.

Fomos para Orlando na Flórida, que hoje é muito conhecida pela Disneyworld, mas naquela época ninguém sabia onde era. Chegamos lá e tivemos dois meses de instrução, cada um na sua especialidade. O mais formidável eram os pilotos ingleses e americanos que nos ensinavam como se usava um avião: não só para passear mas também para combater e matar gente. Veterano Miranda Corrêa

Eu me lembro de um piloto que todo mundo achava um homem excepcional, porque ele fazia gestos com as mãos imitando um avião perseguindo o outro, e aquilo para nós era incrível. Ficamos lá uns dois meses e cada um dos homens-chave que ia ser especialista em informações, armamento, manutenção, "flight leaders", ficou estudando a sua parte. Eu já falava inglês e fui designado para "inteligence officer" (oficial de informações) e durante esses dois meses na Flórida também continuei fazendo treinamento em terra, de aviação e de voo.

Mais tarde fomos para Miami e de lá embarcamos para o Panamá, um lugar chamado “Aguadulce”, que não tinha ‘água’ nem era ‘dulce’: era muito seco e árido. Lá nos encontramos com o resto do grupo, eu creio que uns 400homens que tinham ido do Brasil diretamente para lá para encontrar conosco. Muitos outros foram diretamente para a Itália, mas lá no Panamá eu tenho a impressão que eram uns quatrocentos homens. Cada um teve os seus auxiliares e começamos a instruir os quatrocentos homens sobre o que se iria fazer na guerra.

A essa altura já sabíamos que estávamos indo para a Itália, que éramos um grupo de aviação de caça e que faríamos parte de um esquadrão americano – que nós chamávamos de “grupo” mas lá nos Estados Unidos era “esquadrão” – e iríamos lutar junto com eles lá. No Panamá a nossa relação com os americanos sempre foi muito boa, eu mesmo nunca tive problema com eles. Depois de um exame de vista no Panamá, num dia em que já acordei cansado, descobriram que eu tinha ‘astigmatismo’, então deixei de ser líder de voo e passei a ser “líder de reserva”.

Em Aguadulce foram formados os diversos "flights": o vermelho (o red), o azul (blue), o verde (green) e o amarelo (yellow), além de mais um outro "flight leader" que foi formado, o "brown flight" (marrom), e que tinha os piores pilotos. Eu ficava com eles tentando melhorá-los para os outros voos, mas esse "brown flight" me deu muito trabalho. O pessoal não queria voar, era difícil, as coisas nunca funcionavam direito, dificilmente a gente conseguia sair do chão e voar.

Quando conseguíamos sair tínhamos que voltar logo porque um dos aviões sempre dava pane. Alguns desses pilotos não foram para a Itália e voltaram diretamente para o Brasil... o grupo era tão ruim que acabou sendo apelidado de “CocôFlight”. Mas no geral tudo se passou muito bem no Panamá. Eu, como oficial de inteligência, dava aulas de aeronaves. Era uma silhueta projetada em uma tela e o piloto tinha que saber imediatamente que avião era aquele: não se podia analisar os detalhes do avião, ele tinha que instintivamente saber se o avião era inimigo ou amigo, porque se demorasse muito levavaum tiro do outro avião e daí não dava mais tempo de ver coisa nenhuma ...ia direto para o chão. Veterano Miranda Corrêa e o Cmt. da Aeronáutica, Brig. Saito

Essas eram as aulas que eu dava à tarde e de manhã; nós voávamos a manhã inteira debaixo de muito calor, muito cansaço, e quando chegava à tarde, depois de uma boa comida, todos estavam cansadíssimos e com sono, então era aquela aula com metade dos pilotos cochilando. Eu me lembro muito bem de um deles, que hoje é Brigadeiro e na época era ‘Tenente’ - o Rui Moreira Lima - , um dos que mais dormiam. “Rui, que avião é esse?”, eu perguntava, e ele acordava assustado.

Mas no fim todos aprenderam direitinho quais eram os aviões em que podiam atirar e os que deveriam derrubar.

Depois de pouco tempo começaram a acontecer pequenos incidentes com os aviões porque todo mundo estava cansado demais, então terminou o treinamento. Saímos do Panamá e fomos para Nova York, um campo em Long Island chamado de ‘Suffolk Field’, onde fomos tomar contato finalmente com os aviões que usamos na Itália, os P-47 THUNDERBOLT; aliás eu já tinha voado com esse avião logo que ele saiu da fábrica.

Em 1942, quando eu fiz meu primeiro curso nos Estados Unidos, eu e dois outros oficiais da Aeronáutica, da FAB, voamos no P-47. Em Long Island demos duas voltas no campo com o P-47, e esse modelo não tinha nem ido para guerra ainda. Aí o grupo chegou completo em Suffolk Field e lá começamos a usar os aviões.

De manhã fazíamos ginástica num clube que tinha perto do nosso campo, o lugar do pessoal mais rico e mais "high society" nos Estados Unidos. Esse pessoal vinha para o mesmo clube onde fazíamos ginástica e depois à noite dançávamos com as moças nas festas que faziam por lá.

Mas enfim, fizemos nosso treinamento no P-47 em Sufolk Field, e tudo correu muito bem; não houve acidentes, não houve coisa nenhuma, todo mundo ficou treinado.”


 

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