Esquadrão Poker - 11k Grupo Jaguar - 11k

ABRA-PC NOTÍCIAS

(Número 96 - Ano XVII - jan/fev de 2013)






MENSAGEM DA DIRETORIA
Brig. Nero MouraEstamos iniciando um novo ano de trabalho, período em que acontecem diversas trocas de comando em nossos esquadrões de caça e bases que hospedam essas unidades.

No ensejo, é pertinente cumprimentar aqueles que deixam o comando após um extenuante período de trabalho. Estamos todos, a seu tempo, construindo essa enorme e bela catedral que é a nossa aviação de caça e nossa querida Força Aérea. E nesse mister, não há um tijolo mais importante do que outro – todos são importantes e fundamentais para a estrutura que se pretende. Por isso, é com alegria que cumprimentamos a todos que passaram o comando pela excelência do trabalho realizado e pela confirmação de que mais uma geração de comandantes passou a seus sucessores o bastão de comando com a mesma eficiência exigida na guerra pelo nosso patrono, Brig Nero Moura.

Aos novos comandantes os votos de sucesso na nova missão que ora assumem. Contem sempre com a Associação Brasileira de Pilotos de Caça e, por que não, com todos os caçadores existentes, no apoio ao trabalho a ser executado. Temos a certeza do sucesso de cada um!

Senta a Pua, Brasil !


ENDEREÇO

 

Praça Marechal Âncora 15-A (Prédio do INCAER)

Castelo - Rio de Janeiro - RJ
CEP 20021-200
Tel (21) 8182-6924 (Celular do Secretário Mesquita)
E-mail:
popopo#abra-pc.com.br

(Nota do gerente do Sítio: não colocamos o símbolo "arroba" para evitar que "robôs eletrônicos" descubram o endereço para enviar "spams")
(Nosso expediente de secretaria é nas segundas e quartas-feiras das 9:00h às 12:00h.

 


ZEGA 06

Zega e o FX!


AGENDA

27 de janeiro

Aniversário do veterano Brig José Carlos de Miranda Corrêa

30 de janeiro

Aniversário de nascimento do Brig Nero Moura

11 de fevereiro

Aniversário do 3º/3º GAv

24 de março

Aniversário do 1º/14º GAv

31 de março

Aniversário do COMGAR


Ao veterano Miranda Correia, nossa admiração, respeito e votos de muita saúde.
E ao Brig Nero Moura (in memoriam) nosso permanente compromisso de manter a chama sempre acesa e de cumprir a missão estabelecida durante a guerra.

Senta a Pua !



PAPO-RÁDIO 

1 - FORMATURA DOS NOVOS PILOTOS DE CAÇA:

A Associação Brasileira de Pilotos de Caça participou da formatura de mais uma turma de pilotos de caça da Força Aérea Brasileira, realizada nos dias 13 e 14 de dezembro de 2012. Concluíram com êxito o curso 23 pilotos, tendo sido indicado como estagiário padrão o 2º Ten Rafael Rodrigo Mancin de Morais, ao qual foi entregue o prêmio ABRAPC de uma viagem para visitar a Feira Aeroespacial de Le Bourget, na França.

A Associação realizou, também, em conjunto com o 2º/5º GAv, um painel com o MB Meira, veterano de guerra com 93 missões de combate, e os novos pilotos de caça, quando puderam ser contadas experiências da guerra e detalhes que marcaram o início da história da aviação de caça brasileira. Juramento do Piloto de Combate

Tivemos muita alegria em participar de todo o evento e perceber que a mesma vibração que tivemos e temos pela aviação de caça é aquela que sentimos pulsar no peito dos novos pilotos de caça.

Segue a nota emitida pelo 2º/5º GAv a respeito do evento, algumas fotos e o juramento dos novos pilotos de combate da Força Aérea Brasileira.

“No dia 14/12, em solenidade militar na Base Aérea de Natal (BANT), foi realizada a formatura de encerramento do Curso de Especialização Operacional da Aviação de Caça (CEOCA-2012).”

“A solenidade, presidida pelo Ten Brig Ar Juniti Saito, Comandante da Aeronáutica, contou com a presença de autoridades do Alto Comando da Aeronáutica, veteranos da Aviação de Caça, do efetivo da Guarnição da BANT e dos estagiários que ora encerram o curso. Abrilhantou o evento, o desfile aéreo dos três esquadrões da I FAE.”

Entrega de prêmio pelo CMTAER

“Na ocasião, o Cap Av Fabrício e o Ten Av Morais, instrutor, estagiário padrão e 1° colocado do CEOCA 2012, respectivamente, foram premiados pelas autoridades presentes no evento.”

“Orgulha-se o Esquadrão Joker de entregar à Força Aérea Brasileira 23 novos pilotos de caça que, após um longo e árduo estágio probatório, composto por mais de 100 missões, totalizando aproximadamente 120 horas de voo, alcançaram o grande objetivo de suas vidas.”

final de artigo

“Força, raça, doutrina e tradição. Joker!”



2 - HISTÓRIAS NÃO CONTADAS DA CAÇA

Nobres caçadores, prezados associados, informamos que o nosso estoque de histórias e “causos” não contados da nossa querida aviação de caça está se esgotando.

Sempre nos perguntamos se apenas no passado é que havia as gozações, as pegadinhas, os voos esquisitos, as missões inesquecíveis, etc. Será que só no passado havia os gozadores de plantão prontos para armar alguma coisa para alguém? Será que a tecnologia e o profissionalismo de hoje cerceiam tudo isso?

Às mais novas gerações, em tempos atrás também havia tecnologia e profissionalismo, adequado ao tempo em que se vivia, é natural, mas mesmo assim “causos” aconteciam e que geraram esta nossa preciosa estória tão bem retratada ao longo dos tempos.

Deixem de preguiça, escrevam-nos suas histórias. Ainda aguardamos o relato de uma recuperação de atitude anormal, pau e bola, noturno, nana vertical de Cachimbo, com flame-out nos dois reatores? Ibidem para a ponte rádio, em inglês, realizada por um bravo caçador do Vale do Pó, que adorava um papo-rádio in english, num deslocamento para Campo Grande, entre o controle Brasília e uma aeronave invisível, para não dizer inexistente? Será que ninguém, nunca mais, num teste de emergências críticas, após se ver num beco sem saída, tantas eram as panes que haviam sido pagas desabafou, num último procedimento: “Deus, está contigo!”?

Não é possível que nunca tenha acontecido algo de engraçado ou inusitado numa transmissão data-link ou numa imagem flir! Isso para nos reportar à tecnologia atual.

Nobres caçadores, aguardamos suas histórias. Queremos partir para o volume 5, volume 6, etc. da história da aviação de caça brasileira. As gerações que nos substituirão certamente vão agradecer! final de artigo 


 

3 - DEMONSTRATIVO FINANCEIRO RESUMIDO :

      SALDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2012

 

Conta Corrente (Banco Real)

R$ 1.63250

Fundos ABRA-PC (DI-Supremo)

R$ 33.21695

Sub-total recursos ABRA-PC

R$ 34.84945

 FUNDOS ESPECIAIS (*)

 

Desenvolv. Cult. da Av. de Caça

R$2.26297

Prêmio Pacau

R$ 56.23714

Sub-total dos Fundos Especiais

R$ 58.50011

 MÉDIAS DE RECEITAS DE 2012

 

Média anual

R$ 10.25949

 MÉDIAS DE DESPESAS DE 2012

 

Custeio

R$ 6.72270

Eventuais

R$ 3.55817

(*) A origem desses recursos deve-se à doação de cem mil reais, feita pelo Brig. Magalhães-Motta à Associação Brasileira de Pilotos de Caça.


PARA REFLETIR

texto "Para Refletir 

 


DEPOIMENTO

Extrato de entrevistas dos Veteranos de Guerra para o documentário “Senta a Pua”

  

Brigadeiro José Carlos Miranda Corrêa

  

O Brigadeiro Nero Moura

 

“Brigadeiro Nero Moura foi um grande comandante e um grande amigo, tinha qualidades fantásticas ... é triste dizer ‘tinha’, mas infelizmente ele já morreu. Era um homem que resolvia tudo com a maior facilidade, com clareza, com simplicidade. Não era de grandes feitos heróicos, de grandes derramações, nada disso; a gente chegava com um problema, ele conversava com a gente e a gente ia embora com o problema resolvido. É assim que me lembro sempre do Brigadeiro Nero. Até pouco tempo, quando fazíamos reuniões na casa dele, a gente conversava sobre coisas que estavam me atrapalhando a vida. Mais que um superior, mais que um comandante, era um pai. Esse é o Brigadeiro Nero para mim... não quero falar mais que eu fico até emocionado.”

Oficial de Inteligência

 

“Tomamos um navio nos Estados Unidos, uma viagem cheia de incidentes engraçados e outros não tão engraçados assim, e chegamos na Itália. P-47 A4Tomamos um trem em um dia de muita chuva, era um trem todo furado, e fomos parar em Tarquinia, uma cidade perto de Roma, do tempo dos Etruscos. Ela continuava como era antes, um lamaçal tremendo, e eu pensei: “Acho que nem os Etruscos conseguiriam viver aqui”. Mas nós tínhamos que viver e lá começaram nossas funções, cada um fazendo seus voos, eu na minha função de informação e os outros fazendo suas próprias atividades. Entre outras coisas eu recebia as missões do comando do grupo ‘350’ americano, do qual nós éramos um esquadrão - éramos quatro esquadrões, um brasileiro e três americanos. Eu recebia as missões sempre à tarde, onde eram detalhados os pontos a serem atacados, o número de aviões que deveriam ir nessas missões e às vezes até o tipo de armamento que devia ser levado. Eu preparava os mapas de todos os lugares que iriam ser atacados para o dia seguinte de manhã e conversava com o oficial de operações, Capitão Pamplona, que era quem iria dizer aos pilotos como é que eles iriam executar a missão. No dia seguinte de manhã, com os pilotos chegando na nossa sala de informações, eram mostrados os mapas, os lugares e a melhor maneira de ir para lá. Destacávamos os lugares com uma artilharia antiaérea mais forte e a melhor maneira de evitá-las, depois o Capitão Pamplona dizia o que iria ser feito contra os aviões, por onde seriam efetuados os ataques, etc.

Essa era a missão chamada briefing. O briefing era uma preparação dos pilotos para fazer sua missão de acordo com o que é necessário. Terminada a missão nós ficávamos esperando que todos voltassem, ouvíamos o barulho dos aviões e corríamos para a janela para ver se voltavam todos. P-47 D3Depois eu reunia todos eles na sala para interrogação, servia bolinhos e café para eles se acalmarem um pouquinho, para não falarem demais, e fazíamos o interrogatório de cada piloto: o que ele tinha feito, visto, se localizara algum objetivo interessante a ser atacado. Depois eu fazia um relatório imediato para o ‘350’ para que eles definissem se tinha alguma coisa que devesse ser atacada até na tarde do mesmo dia. A principal missão do ‘350’ era impedir que houvesse mais transportes de munições ou de qualquer coisa no Vale do Pó, evitar que viesse dos Alpes tudo o que fosse necessário para as linhas alemãs, estacionadas perto dos Apeninos. Sem provisões eles não poderiam aguentar o impacto das forças americanas, brasileiras e etc., então a ordem era a seguinte: bombardeie os pontos que foram mencionados, depois saiam por ali dando tiro em tudo que se mova. Essa era a missão: isolar a linha alemã de frente contra qualquer coisa que pudesse vir na retaguarda. Já era primavera e a tendência era que essa linha de frente estava se exaurindo por si mesma, já sem muita munição e outras coisas, sem poder aguentar o embate das forças terrestres.”

  

Matar ou Morrer


“Como oficial de informações eu voei 9 missões - alguns dizem que foram oito, mas eu acho que foram nove. Eu dizia aos pilotos o que eles iriam ver de vBrig. Miranda Correaerdade, não ficava embromando, dizia que não ia chegar ao Brasil e falar o que determinado piloto fez ou não fez: eu ia lá para ver se ele tinha mesmo destruído a ponte, e normalmente eu verificava que eles haviam feito mais estragos do que tinham me dito. Eu tive algumas missões mais interessantes, mas fiz somente umas oito ou nove missões lá. Afinal de contas eu era piloto, tinha ido lá para pilotar, para fazer guerra, essa coisa toda, e ficar sentado só ouvindo os outros falarem em guerra e não fazer nada disso era ‘meio chato’. Fiz nove missões e verifiquei que não tinha mais nada na Itália para atacar, já era fim de guerra. Mas há uma outra atividade que o oficial de inteligência faz: existem dois tipos de medo, o de morrer e o de matar. O medo de ‘morrer’ todo mundo tem, é instintivo, natural. O medo de ‘matar’ as pessoas mais sensíveis também têm, e no grupo tinha isso, tinha o medo de ‘morrer’ que a gente sentia e muita gente chamava de ‘receio’; era o que a gente sentia quando começava a missão, já taxiando no começo da pista para começar aquela missão. Ao atravessarmos aquelas montanhas íamos para o lado de lá pensando: “O que vai acontecer? Vou morrer... ficar prisioneiro?” Mas depois passava.

Quando começa a ação, quando você começa a atirar, a matar, a manobrar, esse medo - esse ‘receio’ - em geral passa. Mas tem o medo de ‘matar’, é aquele piloto que se sente mal quando mata, que chora de noite porque matou e que tem vontade de desistir de tudo, que pensa: “Não faço mais isso”. Alguns pilotos tiveram esse medo também e vinham falar com o inteligence officer, uma espécie de ‘confessor’ que dava conselhos e conversava. Mas quem era eu para dar conselhos? Eu dizia o que estava sentindo também e falava para eles : “Olha, essa guerra está para acabar, você não vai sair daqui fugido, aguenta mais um pouquinho”, e a maioria deles aguentou e terminaram bem. Eu mesmo me lembro uma das minhas missões quando eu dei uma volta em cima de uma estrada e vinha um carrinho pequenininho, vermelho. Eu fiz a primeira passagem e não atirei, embora fosse hora de atirar em tudo que se movesse. Desembarcou um homem, e justamente quando eu estava indo embora ele voltou para dentro do carro; o meu avião já estava voltando e eu tive que atirar. O carro explodiu, e isso é uma coisa que me repugna até hoje quando eu penso nisso ... coitado daquele homem, talvez não fosse nem de guerra , talvez fosse até contra os alemães. Morreu.” final de artigo


 

 

 

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