Esquadrão Pif-Paf

Esquadrão Centauro

  

ABRA-PC NOTÍCIAS
(Número 98 - Ano XVII - mai/jun de 2013)


 

  

 

MENSAGEM DA DIRETORIA

Nobres caçadores

Este ano teremos eleição para uma nova diretoria da ABRA-PC, cujas regras encontram-se no nosso site.

Ela ocorrerá juntamente com o “Picadinho Jesus Está Chamando”, no dia 05 de outubro, na sala Mal. Marcio de Souza e Mello, no CAER no centro do Rio.Brig. Nero Moura

A atual diretoria incentiva os associados a comporem uma nova chapa para concorrer à presidência, cônscia de que a alternância de poder é a melhor maneira de aperfeiçoamento das instituições. Jovem caçador, principalmente aquele da reserva, participe, componha uma nova chapa e traga sangue novo para oxigenar nossa Associação.

As novas gerações de caçadores certamente haverão de agradecer.



Senta a Pua!


ENDEREÇO


Praça Marechal Âncora 15-A (Prédio do INCAER)
Castelo - Rio de Janeiro - RJ
CEP 20021-200
Tel (21) 8182-6924 (Celular do Secretário Mesquita)
E-mail:
popopo#abra-pc.com.br

(Nota do gerente do Sítio: não colocamos o símbolo "arroba" para evitar que "robôs eletrônicos" descubram o endereço para enviar "spams")
Nosso expediente de secretaria é nas segundas e quartas-feiras das 9:00h às 12:00h.

 


ZEGA 08
 
 
 
Nós temos data-Link?!



AGENDA

29 de julho

Aniversário do 1º/4º GAv

05 de agosto

Aniversário da Terceira Força Aérea

07 de agosto

Aniversário da Base Aérea de Natal

10 de agosto

Aniversário de 18 anos da ABRA-PC

16 e 17 de agosto

Bródio dos Jaguares

21 de agosto

Aniversário da Base Aérea de Canoas


Às Unidades aniversariantes os votos de ventos sempre favoráveis na realização de todas as missões e, em especial, à Terceira Força Aérea, nosso “Comando de Caça”, tão sonhado e cantado no passado.

Senta a Pua !



PAPO-RÁDIO

Prêmio Pacau Magalhães Motta 2012

 

 Gostaríamos de cumprimentar todos aqueles que participaram do PPMM 2012 pela excelência dos trabalhos remetidos e pela disposição de contribuir, com suas ideias, para o aperfeiçoamento da aviação de caça em particular e de toda a FAB, de uma forma geral. Aproveitamos para conclamar a todos os associados a participarem do concurso deste ano. Terão, todos, até o dia 31 de dezembro, o tempo necessário para nos remeterem seus trabalhos que serão, certamente, muito apreciados por toda a comunidade de pilotos de caça brasileiros.
final de artigo



Esquadrão Adelphi realiza primeira missão de treinamento de interceptação

O Esquadrão Adelphi (1º/16º Grupo de Aviação), sediado na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), realizou o primeiro voo de treinamento de interceptação na terça-feira (05/03).Elemento de A1-A

Especializada em missões de ataque ao solo, a unidade aérea poderá, eventualmente, cumprir missões de policiamento do espaço aéreo. A nova missão inserida na operacionalidade das unidades aéreas que operam a aeronave A-1 será empregada, quando necessária, para defesa aérea em eventos nacionais de grande vulto, como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Ou, a critério do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro - COMDABRA.

final de artigo

  
  
  

Demonstrativo Financeiro Resumido

SALDOS EM 31 DE MAIO DE 2013


Conta Corrente (Banco Real) R$ 46357
Fundos ABRA-PC (DI-Supremo) R$ 48.67162
Sub-total recursos ABRA-PC R$ 49.13519

      FUNDOS ESPECIAIS (*)

Desenvolv. Cult. da Av. de Caça R$ 2.29969
Prêmio Pacau R$ 57.27814
Sub-total dos Fundos Especiais R$ 59.57783

      MÉDIAS DE RECEITAS DE 2013

Média anual R$ 10.74681

      MÉDIAS DE DESPESAS DE 2012

Custeio R$ 4.11614
Eventuais R$ 67125
 
  
(*) A origem desses recursos deve-se à doação de cem mil reais, feita pelo Brig. Magalhães-Motta à Associação Brasileira de Pilotos de Caça. final de artigo




PARA REFLETIR

título artigo

 Há mil anos, havia um castelo, no qual os guerreiros reuniam-se para treinar combater. Alguns o chamavam de Morada da Cruz, outros de Morada do Bem, outros, ainda, de Morada dos Heróis. Nele, havia um salão, no qual existia uma mesa comprida, onde os guerreiros sentavam-se para comer, beber e conversar. Naquele dia, os jovens guerreiros, que lá treinavam, receberam a visita de um velho guerreiro de outros tempos.

Como o velho mantinha-se em silêncio, um jovem guerreiro, diante de sua segunda caneca de vinho, provocou:— Senhor! Qual a diferença entre um herói e um mito?
O velho guerreiro respondeu sem pestanejar:
— A Luz do mito brilha nas vitórias; a Luz do herói não se apaga nas derrotas.

Esperando um longo discurso, os jovens guerreiros silenciaram no seu espanto diante daquelas palavras. Passado o momento de surpresa, outro jovem guerreiro pediu:— Senhor! Conte-nos uma história. Os CavaleirosO velho guerreiro pensou um pouco e falou:

— Vou contar a história do guerreiro que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma. Certa vez, o Reino do Sul recebeu a visita de um embaixador do Reino do Norte. Este embaixador pediu ajuda, para combater os guerreiros chamados de Teutos, que invadiram suas terras e atacavam as caravanas. Tendo tido a notícia de que uma de suas caravanas havia sido atacada pelos guerreiros chamados de Teutos, o rei do Reino do Sul decidiu ajudar. No entanto, seu reino era pobre e não possuía guerreiros, nem cavalos-de-batalha.
— Como, então, poderia ajudar? Perguntou mais um jovem guerreiro.
— O Reino do Sul possuía o desejo de proteger sua terra e sua gente, disse o velho guerreiro.

Esperando cessarem os murmúrios, o velho guerreiro continuou:

— Conhecendo suas limitações, o rei do Reino do Sul decidiu enviar seus guerreiros, para treinar no Reino do Norte, mais rico e poderoso. Contudo, era preciso escolher um comandante e demais guerreiros. Naquela noite, durante um sonho, seu pai apareceu-lhe dizendo para escolher aquele em cuja alma brilhassem três chamas: a chama da coragem, a chama da honra e a chama da verdade. Na manhã seguinte, o rei do Reino do Sul convocou seus conselheiros, para descobrir se alguém conhecia tal guerreiro. Muitos nomes surgiram, mas, em nenhum brilhavam as três chamas. O velho guerreiro, que contava a história, tomou um gole de vinho, olhou para os jovens guerreiros em total silêncio e continuou:
— Certo dia, um jovem guerreiro, que o rei do Reino do Sul conhecia desde menino, aproximou-se do trono. O Rei, distraído, assustou-se quando viu uma Luz brilhar no topo da cabeça daquele guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma. Aos poucos, distinguiu não uma, mas três chamas iluminando a alma daquele jovem guerreiro. Naquele momento, entendeu a profecia de seu sonho.

Mais uma vez, agora emocionado, o velho guerreiro tomou um grande gole de vinho. Na outra ponta da mesa, outro jovem guerreiro perguntou:— Senhor! Se o rei conhecia o guerreiro desde menino, como não percebeu antes a Luz de sua alma?
— A Luz brilha quando o Herói é chamado – respondeu o velho guerreiro.

O silêncio voltou a reinar naquela mesa, na qual as canecas de vinho mantinham-se pousadas esperando o contar daquela história.

— Reconhecendo as três chamas, o rei do Reino do Sul ordenou que o guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, reunisse alguns jovens futuros guerreiros e viajasse para o Reino do Norte, onde aprenderia a dominar uma raça de cavalos-de-batalha chamada de Trovão. E assim foi feito. Diante dos guerreiros chamados de Teutos, os guerreiros do Reino do Sul demonstraram habilidade e coragem, naquele que foi chamado de o Bom Combate. Com um olhar perdido em suas memórias, o velho guerreiro bebericou de sua caneca e pensou no que iria contar a seguir. Cavaleiros em duelo Depois de alguns goles pequenos, saboreando o aroma daquele precioso líquido, o velho guerreiro continuou:
— Certo dia, alguns jovens guerreiros discordaram do modo como o guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, conduzia os combates. Então, escreveram uma carta ao rei do Reino do Sul pedindo sua substituição. Um mensageiro guardou a carta em seu alforje e seguiu viajem. Pouco depois de iniciá-la, o mensageiro foi interceptado por um cavaleiro do Reino do Norte, que examinou as cartas que estavam em seu alforje. Encontrou, então, a carta dos jovens guerreiros pedindo a substituição do guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma. Devolveu as demais cartas ao mensageiro e levou consigo a carta dos jovens guerreiros do Reino do Sul. Chegando ao acampamento dos guerreiros do Reino do Sul, entregou a carta ao guerreiro que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma.
Este, surpreso e emocionado, entristeceu-se e silenciou.
— Senhor! Mas ele não fez nada? - perguntou um jovem guerreiro em sua terceira caneca de vinho.
— Não fazer, pode significar fazer alguma coisa – disse o velho guerreiro para espanto dos jovens sentados à mesa. E continuou:
— O guerreiro que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma recolheu-se em sua tenda e meditou. Em seu sono quase acordado, viu os jovens guerreiros, que assinaram a carta pedindo sua substituição, vestidos com suas armaduras e montados em seus cavalos-de-batalha da raça Trovão. De repente, ouviu uma voz grave dizer: “Ainda tolos, são guerreiros do bem lutando o Bom Combate”. A voz era tão nítida, que assustou o guerreiro que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma. Pela manhã, reuniu todos os jovens guerreiros em sua tenda. Lá, com os olhos marejados, em voz alta, leu a carta pedindo sua substituição. Todos começaram a falar ao mesmo tempo, até que o guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, pediu silêncio e disse: “Somos todos guerreiros do bem combatendo o Bom Combate. Se alguém não acredita, permito que fale agora”. Diante o silêncio e da cabeça baixa dos signatários da carta, rasgou-a num movimento rápido, dizendo: “Jamais li tal carta”. Naquele instante, todos viram as três chamas brilharem na alma do guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, e, alguns, deixaram de ser tolos.
— Senhor! Como ele pôde perdoar tal traição? – resmungou alguém já com vinho demais em sua mente.
— O perdão é um recomeço! – disse o velho guerreiro, que contava a história do cavaleiro que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma.
Alguns brindaram a sabedoria do perdão, outros resmungaram o que parecia ser uma fraqueza. Quando o silêncio retornou à mesa comprida, o velho guerreiro continuou sua história:

— Um dia, a batalha terminou com os guerreiros chamados de Teutos entregando suas espadas aos guerreiros do Reino do Norte e aos guerreiros do Reino do Sul. Pouco tempo depois de retornarem ao Reino do Sul, seu rei foi deposto e seguiu para o exílio. Foi então que o guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, viajou até o castelo chamado de Morada da Cruz e, lá, despiu sua armadura, entregou sua espada e seguiu para o exílio com seu rei.

— Senhor! Mas que final triste! – resmungou um dos jovens cavaleiros sentados à mesa comprida.

— Ainda não acabou – disse o velho guerreiro. Naquele tempo, havia muita luta pelo trono. Pouco depois, o rei voltou ao trono e trouxe consigo o guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, pedindo-lhe para ensinar o Bom Combate aos mais jovens. Assim foi feito, até que um dia o rei do Reino do Sul morreu. Dizem que foi suicídio por desgosto diante das lutas pelo trono. Chorando a morte de seu rei, o guerreiro que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, retirou-se definitivamente para seu castelo, que ficava numa província do sul. — Senhor! Este também é um fim triste! Berrou um jovem guerreiro já sem controle de sua voz dominada pelo vinho. Cavaleiro pronto para a batalha — Ainda não acabou – repetiu o velho guerreiro. A luta pelo trono continuou e um dos guerreiros do bem caiu em desgraça. Um dia, os guerreiros do bem foram convidados para uma festa no castelo Morada da Cruz, menos aquele que caíra em desgraça. Curiosamente, durante o Bom Combate, o guerreiro que caíra em desgraça assinara a carta pedindo a substituição do guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma. Foi então que o guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, respondeu dizendo que os guerreiros do bem eram um só corpo e, como tal, aonde ia sua mão direita também ia sua mão esquerda. E, assim, lá não foi. Ao longe, as três chamas brilharam mais uma vez.

— Senhor! Os cavaleiros da Morada da Cruz ficaram tristes?

– perguntou o mais jovem dos guerreiros sentados à mesa comprida. — Sim. Todos ficaram muito tristes. – respondeu o velho guerreiro. Tempos depois – continuou - um novo rei convidou o guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, para uma festa no castelo chamado de Morada da Cruz, dizendo-lhe que ficaria feliz se a mão direita e a mão esquerda do corpo dos guerreiros do bem lá estivessem. No dia da festa, o tempo já havia se escoado e todos estavam já velhos. Quando o guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma, chegou, no silêncio ouvia-se apenas o soar no chão do cajado, que o ajudava a caminhar em suas dores. Naquele dia, diante do passado, do presente e do futuro a chama da coragem, a chama da honra e a chama da verdade brilharam mais uma vez no topo da cabeça do guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma.

— Senhor! Penso que todos gostaram da história – falou o mais jovem dos guerreiros sentados à mesa comprida. Entendi que não é só na batalha que as três chamas brilham.

— Todos carregamos nossa alma para onde formos – completou o velho guerreiro. As três chamas brilham onde houver coragem, honra ou verdade. Um dos jovens guerreiros, que ainda não falara, comentou:

— Senhor! É a primeira vez que ouço a história do guerreiro, que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma. Onde podemos lê-la, perguntou?

— O guerreiro que tinha o nome de um tresloucado imperador de Roma ainda não nasceu. Quando nascer, será um herói, não um mito. Daqui a mil anos, chamar-se-á Nero Moura. Comum sorriso, o velho guerreiro despediu-se para nunca mais voltar... Pelo menos naquele tempo... final artigo

Tacariju Thomé de Paula Filho – Cel R1
Piloto de Caça - Turma de 1967


DEPOIMENTO

 

Extrato de entrevistas dos Veteranos de Guerra para o documentário “Senta a Pua”

 

Brigadeiro Rui Moreira Lima

A decisão do Governo de enviar uma Unidade Aérea para a Itália

 “Logo que o Brasil entrou na guerra houve a cessão das nossas bases: os americanos puderam ocupar as bases para fazer os desembarques, e depois foi combinado entre os governos brasileiro e americano que seria mandada uma força expedicionária de terra para a Europa e uma unidade da aviação, que seria o 1º Grupo de Caça. Junto com a FEB foi criada a primeira ELO – Esquadrilha de Ligação e Observação – junto à artilharia divisionada da FEB. Era um pequeno grupo de 11 oficiais e 12 sargentos e mais uma meia dúzia de soldados que foram para lá e ficaram de viver a vida deles todo tempo com a FEB. O Grupo de Caça teve que ser trabalhado aqui, e para isso o Major Nero Moura foi logo nomeado comandante do grupo e como tal ele optou pelo voluntariado dentro da FAB. Aberto esse voluntariado ele escolheu 16 oficiais e 16 sargentos como seus homens-chave, homens que iriam para os Estados Unidos e entrar em uma unidade tática de combate para aprender o que era uma unidade de combate. Paralelamente ele determinou que os seus capitães escolhessem os seus voluntários para serem os seus Tenentes, os sargentos escolherem os seus voluntários para serem os seus soldados e assim sucessivamente.”

“Então ficou um grupo selecionado primeiro pelo próprio voluntariado, pela vontade de ir para à guerra, e foi assim que eu entrei: um dia estávamos fazendo uma revisão num UB-40 lá em Recife quando eu soube daquele ‘pano preto’; estavam todos correndo para falar com o comandante secretamente. Eu fui e me apresentei ao comandante e disse que sabia que estava aberto o voluntariado, falei que era de Salvador e que queria ser voluntário para a guerra. Faltavam dez dias para me casar quando isso aconteceu.”

“Entre os voluntários do grupo para comandar a unidade os mais votados foram o Major Nero Moura e o Major José Vicente Faria Lima . Na disputa entre os dois o José Vicente chegou a dizer para o Ministro Salgado Filho o seguinte: ‘Olha, eu tenho as mesmas qualidades do Nero e gostaria de ir porque eu sou mais antigo’. Aí o Nero rebateu dizendo: ‘Mas ele é engenheiro. Vamos manter esse homem aqui no Brasil. Eu tenho muito mais capacidade, muito mais chance de ir para a guerra, e se eu morrer, morre um piloto. Se ele morrer, morre um engenheiro, além de piloto; é melhor ele ficar’. O Ministro aceitou a argumentação do então Major Nero, e foi assim que ele foi para lá.”

Brigadeiro Nero Moura

 “Quando ele foi nomeado, a maioria dos Tenentes e dos Capitães não conheciam pessoalmente o Brigadeiro Nero Moura. Eu o tinha visto uma vez quando fui ao gabinete para tratar da transferência da escola militar para a escola da aeronáutica, quando foi criado o Ministério da Aeronáutica, e nunca mais o vi, fui encontrá-lo novamente no Panamá. Todos estavam ‘tateando’ a figura dele porque ele estava vindo de um gabinete no qual era homem de confiança do Presidente Vargas, piloto do Presidente, um homem da maior confiança do Salgado Filho. Quando o Nero Moura chegou na guerra tinha a imagem do piloto que voava por instrumentos, que voava com o Presidente, pessoa culta que tinha até tirado um curso na França, passado um ano lá. O Nero falava muito bem o francês e voou todos os aviões de combate franceses, depois veio para cá, mas nós não conhecíamos nada dele, não sabíamos se ele era um bom comandante ou não.”

Brig. Rui Moreira Lima“Em poucos dias ele começou a conviver conosco, foi aberta uma roda de chimarrão, feito um campeonato de voleibol e ele passou a disputar conosco como se fosse um de nós, e isso criou um ambiente de simpatia muito grande por ele. Fora isso ele tinha um carisma muito grande como líder, mas sem ser um líder bombástico, de dar ordens de valentia; ele era o mais simples possível, dizia as coisas com uma simplicidade muito grande, mas não transigia com a disciplina de voo. Às vezes ele até fazia vista grossa, mas em questão de doutrina de emprego militar ele não abria mão, era muito rigoroso. Ele adquiriu respeito de nós porque isso ninguém compra, se adquire, e o respeito é imposto pela própria pessoa que se faz respeitar. Isso ele conseguiu imprimir e nos levou como líder de terra e de voo às missões de guerra das mais perigosas, porque as que nós vivemos e tivemos muita dificuldade ele também viveu conosco, lado a lado, e sempre saiu-se muito bem. Tinha a grande vantagem de nos levar ao alvo certinho... Na verdade até aí todos levavam, mas tinha aquele alvo do sujeito chegar bem em cima, e no momento em que ele identificava o alvo no chão iniciava- se o mergulho para o bombardeio. Era metade do êxito de se acertar a bomba, porque a bomba era toda subjetiva, não se tinha bombardeador, não tinha eletrônica, não tinha nada. Era o olho, a mão e o comando de largar a bomba, e isso só um líder bom é que conseguia fazer muito bem. O Nero tinha uma sorte tremenda: quando ele passava nos lugares mais defendidos pela antiaérea, passava sempre incólume, não levava tiro. Então eu disse no meu livro assim: ‘É o Nero Moura que está passando, não atira que ele é daqueles, é de casa’. Parecia que ele nem tomava conhecimento dos tiros... tinha uma sorte muito grande.”

"Lembro-me de uma vez quando estávamos passando em cima de Casarsa, uma ponte que derrubou vários pilotos brasileiros, e o Perdigão disse: Olhe, o senhor está passando muito baixo, aqui é Casarsa!’, e ele disse: “Tu estás assustado feito um coelho’, e continuou passando e os alemães não deram nenhum tiro. Esse era o perfil dele: Nero Moura foi um homem que tinha como característica a lealdade. Ele foi leal ao Presidente Vargas quando este foi deposto em 1945, pedindo passagem para a reserva. Ele não tinha que fazer isso, ele fez por lealdade ao Presidente. E entre nós tivemos uma porção de casos com ele em que ele demonstrou sua grandeza, seu bom caráter e a sua bondade. Certa vez o Comandante Nero nos reuniu em Pisa para fazer um comentário de uns quatro ou cinco que haviam escrito cartas nas quais havia referências que não eram boas a ele, essas coisas que os moços fazem sem pensar. Ele fez o seguinte comentário: ‘Eu já disse aos ‘sem-vergonhas’ do gabinete do Ministro que não censurassem as cartas de vocês. Eles fizeram mais do que isso, mandaram de volta as cartas fotografadas, tiraram fotocópia delas. Essas cartas me atingem num ponto que é muito importante para mim, mas que eu – conhecendo os senhores, conhecendo os homens que eu comando – vou esquecer e recomendar a vocês que pensem, mas não escrevam. Podem até pensar alto, desde que eu não ouça. E fiquem certos que isso não vai modificar o meu pensamento a respeito de vocês’.”

“Dito isso ele puxou um isqueiro, botou fogo nas cartas e disse que estava encerrado o assunto. Nós continuamos respeitosos com ele e o admirando muito mais, e aqueles que escreveram como eu havia escrito, ficamos todos com ‘cara de bobo’. Eu olhava para ele e pensava o que ele estaria pensando de mim. Esse foi o perfil do nosso comandante que realizou 62 missões de guerra, foi um homem que realmente marcou sua posição e foi de muita justiça a FAB, muitos anos depois, eternizá-lo como patrono da aviação de caça do Brasil.”

O P-47

 “Durante a Segunda Guerra Mundial cada nação tinha o seu tipo de avião de caça, e o americano considerava três deles como os melhores da América: o P-47 THUNDERBOLT, o P-38 LIGHTNING e o P-51 MUSTANG. Quando o pessoal estava fazendo o curso em Orlando eles foram apresentados a vários pilotos com experiência de combate, e cada um deles contou uma história sobre a guerra e os aviões utilizados por eles. Um deles se chamava Robert Johnson, um piloto que tinha 33 vitórias no ar e começou a guerra como segundo Tenente. Ele chegou em Washington como Tenente Coronel e o avião que recebeu mais ênfase por parte dele em sua palestra, foi o P-47. Johnson contou a história de uma missão em Munique onde ele entrou em combate, abateu dois aviões e foi praticamente abatido porque o avião dele ficou fora de combate. Ele então fugiu da área dos tiros e passou a voar baixo, voltando para a Inglaterra. Uma das coisas que aconteceram no avião dele foi que o óleo hidráulico foi ‘ofendido’ e a pressão hidráulica vaporizou a cabine dele. O óleo hidráulico é altamente corrosivo e o piloto com óleo nos óculos não enxergava bem, tinha que de vez em quando tirar os óculos para poder enxergar e quando tirava, queimava os olhos. Mais ou menos na saída da Holanda ele estava muito baixo e viu uma sombra no chão ao lado do avião dele. Brig. Rui Moreira Lima A sombra era um avião ‘Folkbull 190’, e quem pilotava o avião tirou a máscara, olhou para ele e o cumprimentou. Ele respondeu o cumprimento, o sujeito passou para trás dele e disparou uma rajada: não quis matá-lo, mas atirou bastante e não conseguiu derrubar o avião. Então voltou para o lado do Johnson e fez um gesto como quem diz: ‘Puxa, esse avião não vai cair? Eu atirei, ele já está tão ruim e não cai?!’. Aí voltou para trás outra vez, gastou a munição e engasgou. Se ele acabou mesmo com a munição ou se resolveu não liquidar o Johnson, não se sabe. Johnson voltou para a Inglaterra e quando chegou lá a base toda estava esperando por ele, que tinha sido dado como perdido. O comandante dele, que também era um ‘às’, chegou ao lado dele e mandou que ele colocasse o trem para baixo. Ele fez isso e o trem não travou , daí o comandante perguntou se dava para levantar o trem, mas não dava porque ele não tinha mais pressão hidráulica. Então o comandante disse para ele pousar com o trem mas que tivesse cuidado. O avião era muito largo e fácil de aterrar porque tinha o tanque muito separado e isso dava uma segurança grande ao piloto. Então o Johnson veio e conseguiu fazer o melhor pouso da vida dele, foi aquela alegria grande, e tinha buraco de bala em todo o avião. Aí concluindo ele disse para a gente: ‘Se vocês quiserem outro avião, eu se fosse vocês escolhia o P-47’. Então por unanimidade adotamos o P-47 como o avião que nós iríamos combater. Na saída do Panamá fomos voar em Sufolk, que era uma base de caça da 1a Força Aérea e de treinamento de pilotos americanos. Lá tomamos conhecimento do P-47 e chegamos à conclusão de que realmente ele não era só um avião de caça, era o melhor do mundo, porque o que esse avião fez em termos de trazer pilotos para casa de volta depois de atingidos, somente ele poderia fazer. Tinha um motor de 18 cilindros, 2.000 cavalos e uma injeção d’água que dava mais trezentos cavalos adicionais. Era uma injeção de metanol que você injetava cinco cilindros, e com aquilo você tinha uma potência aumentada em 15 segundos. Isso em combate salvou as vidas de muitos pilotos. O avião P-47 era realmente um tanque voador, um avião robusto. O P-47 para mim foi o melhor avião de caça do mundo.” final de artigo

   


 

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