CANCIONEIRO DA CAÇA

"QUE SAUDADE DO VELHO"

Nos idos de 1965-1966 falava-se muito em reequipamento. Os candidatos eram F-5A, A-4, F-86 e o G-91 e inúmeras especulações em torno do tema, mas o velho Gloster permanecia impávido, até que começaram a surgir problemas de rachaduras na seção central - o avião fora construído como interceptador e nós o utilizávamos para ataque ao solo.

Os aviões, então, começaram a sofrer restrições, fadigômetros foram instalados e o resultado foi que o voo diminuiu.

Nesta época, a instrução de voo avançado da Escola de Aeronáutica, por sua vez, estava começando a ser ministrada em Pirassununga e a tradicional falta de instrutores já existia.

Logo começaram, portanto, a surgir pedidos para que os Jambocks e Pif-Pafes dessem a sua contribuição. Iam eles para Pirassununga na 2a feira e lá voavam até a 6a.

É claro que, quando em 1966, os F-8 foram parando, esses mesmos Caçadores ficaram sem emprego. Os mais previdentes já estavam em Fortaleza. Aos outros, o destino reservou Pirassununga. Para lá seguiram os Tenentes Adjanir Mathiesen Queiroz, Quintino Coelho da Costa, Danilo Orlando e Itamar Drumond (este acabou passando por "louco" e não foi).

Os intelectuais - Euro Campos Duncan Rodrigues, Júlio Vasquez Pato e Walter Beltri - encontraram guarita no ramo da engenharia (IME e ITA).

Naturalmente, toda esta confusão teria de ser registrada pela veia poética do Ten. Duncan em uma emocionante versão da "Saudosa Maloca" de Adoniran Barbosa.

O Comandante do Grupo, na época, era o Maj. João Soares Nunes e o S-4 do Grupo o Cap. Ivan Moacir Frota, ambos, também, citados na música. A "Saudosa Maloca" serviria, também, de tema para outra belíssima versão quando da entrega dos velhos TF-33 do 1o/4o G.Av. para o 1o/14o. O autor dessa nova versão foi o Tenente Hugo José Teixeira Moura.


"QUE SAUDADE DO VELHO"


Se o senhor não tá lembrado
Dá licença eu vou contar
Ali onde agora está
Aquele Xavante novo
Já passou T-33 e F-80 glorioso
Foi aqui seu moço
Que no peito e na raça
Nos "formemo"
Piloto de Caça

Certo dia nós nem pode se alembrá
Veio os home lá de Palegre
Pra todos os "velho" levar
Peguemo todas nossas máquina
E fumo pra Santa Cruz
Fazer a distribuição

Ai que tristeza
Que nóis sentia
Cada "velho" que partia, doía no coração
Teve uns querendo ficar
Dando pane no caminho
Mas os homens querem o avião
Nós põe outro no lugar

Só se conformemo
Quando a EMBRAER entregou
O Xavante bem novinho
E fez voar os Caçador
Mais hoje nós sente falta
Saudade nós sente falta

Saudade nós sente sim
E pra esquecer
Que saudade do "velho"
Avioneta de guerra
Respeitado mundialmente
Já voou por toda parte


 

 

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