CANCIONEIRO DA CAÇA 

"PILOFE DE ARROMBA"

Em 1965, no dia 25 de março, quando voltava de uma missão de Tiro Aéreo, uma Esquadrilha de F-8 (Gloster) do 1o Esquadrão do 1o Grupo de Aviação de Caça liderada pelo Cap. Odilon Holmitives Pereira e tendo como um dos alas o Ten. Manoel Carlos Pereira, foi partícipe de um insólido acidente.

Tendo entrado na esteira de turbulência do avião da frente durante o pilofe, o Ten. Carlos perdeu o controle da aeronave e se precipitou ao solo, placando e deslizando de marcha-ré pelo mato no pântano da pista 04 de Santa Cruz.

O avião ficou escondido na vegetação e houve certa dificuldade na sua localização por parte dos bombeiros e ambulância.

A música faz referência ao Ten. Thomas Anthony Blower que pilota o avião "reboque" e que "emocionado" alijou a biruta (alvo de tiro aéreo) na Baía de Sepetiba e ao Ten. José Flávio Celestino que voava num TF-7 um duplo comando de voo de instrumentos e que, também emocionado ante a gravidade do acidente, deu uma certa "escorregada" no papo rádio ao ver o piloto sair da máquina.

A canção ainda faz referência ao Ten. Paulo José Paulo que era Chefe do Material do 2o Esquadrão e que não teve nada a ver com a estória mas nela entrou por liberdade poética do autor, Ten. Euro Campos Duncan Rodrigues.

Fala ainda do Cap. Renato Machado Silva, médico do Grupo e exímio pianista.

O acidente foi extremamente grave e o Ten. Carlos saiu ileso por verdadeiro milagre, foi o fator mais importante para o final feliz. Dizia-se na época, que o Ten. Carlos, consciente de ter caído à esquerda da pista e sem saber que estava a 180o com a direção de pouso, teria abandonado o avião e disparado para a sua direita, embrenhando-se mais ainda no mato.

Esta versão é peremptoriamente contestada, até hoje pelo próprio, da mesma forma que é negado o testemunho do Ten. Renato Azuaga Ayres da Silva, segundo o qual o acidentado ao se despir para realizar o exame médico logo após o acidente, surpreendeu a todos por estar trajando uma cueca "samba-canção" presa com arame de freno.

Convém ainda registrar que à época o Ten. Carlos era noivo da filha do Maj. Mário Joaquim Dias, Comandante do Grupo, que havia também, sobrevivido a um sério "pilombo" na vala da cabeceira da pista 22.

O comentário do Ten. Blower então, foi de que o mal "seria de família".

Deste episódio saiu o Pilofe de Arromba, baseada na música "Festa de Arromba" de Roberto Carlos.


 

"PILOFE DE ARROMBA"

Vejam que pilofe de arromba
No outro dia eu vi puxar
Logo na inicial, veja só o Esquadrão
A puxada foi normal
Ai meu Deus que confusão!
Quase não consigo, no que vi, acreditar
Pois o intervalo estava mesmo de amargar
Eh, eh, que onda
Pilofe de arromba


Logo que eu olhei eu notei
Tenente Carlos embicado pro chão
Enquanto Tommy Blower, cabrava o avião
Largando a biruta, direto para o chão
Celestino via e logo arremetia
Olhava pro piloto, que do bicho não saía
Ai, ai, meu Deus, entrou numa fria
Dr. Renato na ambulância
Rumava para a pista
Os bombeiros se enrolavam
Não achavam o avião
A torre de Controle não podia nem falar
Enquanto o Celestino não parasse de gritar


Mas vejam quem surgiu de repente
Tenente Carlos com o manche na mão
Enquanto o Tommy e o Paulinho
Se viravam num gato
A manutenção, entrava pelo mato


Lá longe o corre-corre
Dos tenentes no hangar
Pensando no velório
Que teriam de aturar
Eh, eh, pilombo
Pilofe com tombo
Pilombo, pilofe com tombo


 

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