Escorpião - 1º/3º G.Av. Grifo - 2º/3º G.Av. Adelfi - 1º/16º G.Av. Joker - 2º/5º G.Av. Jaguar - 1º G.D.A. Jambock - 1º/1º Gp.Av.Ca. Pif-Paf - 2º/1º Gp.Av.Ca. Pampa - 1º/14º G.Av. Pacau - 1º/4º G.Av. Poker - 1º/10º G.Av. Centauro - 3º/10º G.Av. 3-3gavp

 

LETRAS CANCIONEIRO DA CAÇA

 

Esta é uma pequena parte da História da Aviação de Caça e daqueles homens que procuraram transmitir aos "noviços" a sua vibração, o seu ideal e as estórias de seu tempo, através da adaptação de letras às canções populares, procurando retratar o "momento da Caça" de cada época.

Em muitos casos, essas canções apareceram nos encontros casuais, foram progressivamente modificadas de modo a tornar difícil, na atualidade, a perfeita identificação de seus autores. Em outros, sabe-se exatamente a sua origem. E quando esta for a situação, será feita uma breve sinopse do episódio gerador da canção e citados, na medida do possível, seus autores.

A versão original deste Cancioneiro foi elaborada em 1965 pelo então Maj Bezerra, Comandante do 2o/1o Gp.Av.Ca., tendo sido apresentada, pela primeira vez, no Baile da Caça daquele ano (22 de abril). As músicas foram cantadas em coro à medida que o locutor, Ten Fleury (Fleury "Jatobá" - Piragibe Fleury Curado) lia o texto, tendo ao piano o acompanhamento do "Doc" Renato (Renato Machado Silva).

Nosso Cancioneiro começa com a letra original do "Pó Pó Pó" que é baseada em uma fábula intitulada "A Cobra e o Lagarto", que surgiu em julho de 1944, quando o Grupo de Caça, após chegar a Nova Iorque e permanecer alguns dias de quarentena em Camp Shank, deslocou-se de trem para a Base de Suffolk onde iria voar o P-47.

Não havendo o que fazer durante a demorada e desconfortável viagem, os Caçadores, liderados pelos Tenentes Coelho, Meira e Cordeiro se puseram a cantá-la em coro, lançando as bases para o Cancioneiro da Caça.

Após o regresso a Santa Cruz, o "Pó Pó Pó" se consagrou definitivamente, tendo no pós-guerra, o Ten Berthier como um dos mais entusiasmados solistas.


A Volta do Cometa

 "A VOLTA DO COMETA"


Dando prosseguimento ao "CAÇADOR COMETA", durante a viagem de visita do Exmº Sr. Ministro da Aeronáutica ao 1o Gp. Av. Ca., em 1986, foi criada a bordo do avião VISCOUNT baseada na música "Boemia", uma nova canção com título de "A Volta do Cometa".
A letra é de autoria do Major Jorge Fernando Manzoni dos Santos, Capitão Miggiorin Wagner, Capitão Kauffmann e Capitão Mário Cesar Soares Moreira.

 


 "A VOLTA DO COMETA"

CONFRARIA...
AQUI ME TENS DE REGRESSO
E SUPLICANTE TE PEÇO
UM HUMILHANTE PERDÃO

VOLTEI PRA PEGAR O ALERTA DO DIA
QUE EU DEIXEI A CHORAR DE ALEGRIA
ME ACOMPANHA NO MEU CORAÇÃO

CONFRARIA SABENDO QUE ANDEI DISTANTE
SEI QUE O TENENTE AJUDANTE VAI AGORA IRONIZAR

ELE VOLTOU, O COMETA VOLTOU NOVAMENTE
SAIU DAQUI DE REPENTE
PORQUE RAZÃO QUER VOLTAR?

ACONTECE QUE ESTAVA SEM EIRA NEM BEIRA
SÓ LEVAVA PERNADA E RASTEIRA
NÃO PARAVA NA CORTE DE PÉ

ACABOU, SÓ ME RESTA AGORA PARTIR
BOCA PORCA É MELHOR DESISTIR
ME ESPIRRARAM LÁ NO G.T.E.

VIM REVER A MADRUGA, O ALERTA, O COMBATE
DE SAUDOSO QUE ESTAVA FICANDO
DE VOLTAR A SERVIR NO COMAT
QUE SUFOCO, ACORDEI COM A CHEGADA DO DIA


CONSTATEI COM MUITA ALEGRIA
FOI UM SONHO, ILUSÃO NADA MAIS

Afinal

"AFINAL" 

  

Uma outra valsinha bastante popular na época do P-47 e cantava até hoje pelas novas gerações é aquela que fala do tão esperado solo de F-47.

Segundo o Brig Rui Messias de Mendonça, a canção, foi composta no "Bar Maria Boa" na noite do solo (Turma de Aspirantes de 53), aproveitando a música de uma tradicional canção de aviadores da Força Aérea Inglesa (RAF): "Bless them all, bless them all"...

 


 

 "AFINAL" 

Afinal, afinal

O grande dia chegou

O solo esperado

Do buldogue alado

Eu já solei o trator voador

E já posso dizer, afinal

Com grande satisfação

Sou parte integrante

Da turma vibrante

Do 2º Esquadrão.(1)

 


(1) A referência ao 2o Esquadrão deve ser interpretada como ao 2o/5o G.Av. de Natal, que, até novembro de 1956, foi a Unidade de Instrução de Caça em F-47.

Agonia do Condor

"AGONIA DO CONDOR"

 

Já os estagiários de 1989 também deixaram seu registro contando o que sentiram ao serem vítimas de um trote, montado pelos instrutores, aonde uma mensagem-rádio chegada no CATRE(1) dizia que cinco pilotos recém-formados no curso iriam direto para a Academia da Força Aérea.

Desespero total para a turma CONDOR!! (música: "Hey, Jude" dos Beatles).


 

"AGONIA DO CONDOR"

"Hey" JOKER(2)  , não fique assim
A Academia não é ruim
Se lembra do brifim
(3)  prá você dar
O T-25
(4)  você vai voar

"Hey" JOKER, pra que chorar?
Instrução você vai dar
1000 horas no EIA
(5)  tu vais fazer
E com carroceiro
(6)  tu vais conviver

Não adianta nem chorar
Pra que sofrer?
Pacau
(7)  nunca mais você vai ser
Não adianta nem beber
Nem ficar fera
Voar lá no Sul, só no Pantera
(8) 

Ná Ná Ná Ná, Ná, Ná Ná Ná, Ná

"Hey" JOKER, você chorou
Os seus três anos, você pagou
Agora, sua vida vai melhorar
E uma carroça você vai puxar

Depois de tudo que passou
Você dançou
Num urso você se transformou
E mesmo se tentar voltar
Você vai ver
A Caça não vai mais te querer

Ná Ná Ná Ná, Ná, Ná Ná Ná, Ná


 

 Notas explicativas:
CATRE = Centro de Aperfeiçoamento Tático e Recompletamento de Equipagens, Unidade sediada onde é a Base Aérea de Natal - Rio Grande do Norte.
JOKER = Códido rádio do 2o/5o Grupo de Aviação (Caça).
"brifim"(s) = Reunião dos componentes do vôo, para "combinar" e planejar a missão. A reunião após, a missão, é o "debrifim".
T-25 = avião fabricado pela Neiva (modelo Universal) usado para treinamento inicial na Academia da Foça Aérea.
E.I.A. = Esquadrão de Instrução Aérea da Academia da Força Aérea.
carroceiro = diz-se daquele que pilota avião de transporte (carroça).
Pacau = Códido rádio do 1o/4o Grupo de Aviação (Caça).
Pantera = Códido rádio do 5o/8o Grupo de Aviação (Transporte).
Rumba = Códido rádio do 1o/5o Grupo de Aviação (Treinamento de Bombardeio/Transporte).
"Top Gun" = Famoso filme de aviação de Caça, também usado para designar um piloto muito bom em tiro. Na antiga gíria brasileira seria piloto "bracinho".
cepa = estudo, aula
Tucano = avião fabricado pela EMBRAER (T-27), no caso é o usado pelo Esquadrão "rival" no CATRE, o 1o/5o G.Av.
Xavante = avião à jato fabricado pela EMBRAER (AT-26), no caso é o usado para instrução de vôo de Caça no 2o/5oG.Av.
revitalizado = avião que sofreu grandes modificações para torná-lo mais moderno e atual.
"relight" = botão que aciona a centelha das velas de ignição do motor. É usado também para evitar um apagamento acidental do motor por ingestão de água ou falta de fluxo de ar.

As Águias vão Voar

"AS ÁGUIAS VÃO VOAR"

 

Como não podia deixar de ser, a Turma de Aspirantes de 1964 também deixou uma contribuição anônima com a canção "As Águias vão voar".


"AS ÁGUIAS VÃO VOAR"

As águias vão rolar
Partida fria pra palheta
(1) não quebrar
Pisa no freio e dá motor bem devagar
Para bequilha não enrolar

Deixa as águias rolar

As águias vão rolar
Cabide
(2) cheio eu não quero nem olhar
Aperte o dedo no gatilho e no botão
E manda brasa, lá no "Vandão"
(3)

Deixa as águias voar

Se no primeiro passe(4) eu fizer "foul"
E por isso o Barrica
(5) me expulsar
Na moita eu vou pensando ao regressar
Foi o Villaça ou Salazar
(6) 

Deixa as águias pousar

As águias vão pousar
Pilofe
(7) torto eu não quero ver puxar
A turma toda lá em baixo a marretar
Aperta a curva pra não espirrar
(8) 

Deixa as águias pousar.


Notas explicativas:
(1) palheta(s) = importantes peças (pás) das turbinas dos motores à jato. Se a partida for mal feita pode haver superaquecimento destas peças e até derretê-las...
(2) cabide = dispositivo existente debaixo das asas para colocação de bombas e/ou foguetes. Conhecido também por "porta-bombas" ou "pilone de bombas".
(3) Vandão = Nome código do estande de tiro do 1o/4o Grupo de Aviação.
(4) passe = assim é chamada cada aproximação para ataque ao alvo.
(5) barrica= nome dado ao "juiz" que fica na torre de controle do estande de tiro (o nome também vem de uma antiga "gozação" com a Marinha do Brasil).
(6) Vilaça e Salazar = Capitães (instrutores) José Isaias Villaça e José Salazar Primo.
(7) pilofe = do inglês "peel-off", manobra efetuada antes do pouso, visando reduzir a um mínimo o tempo em que a aeronave fica indefesa e exposta ao ataque inimigo. Hoje a palavra foi aportuguesada para "pilofe".
(8) espirrar= "espirrar" na curva, não conseguir acompanhar a curva e atrasar.

Aviador (A.V.) à Moda Antiga

"A.V. À MODA ANTIGA"

Nada como uma Ximboca(1) regada a muita cerveja para inspirar dois românticos caçadores (Naumann & Magalhães) a fazer uma bela adaptação de uma conhecida canção.


"A.V. À MODA ANTIGA"

Eu sou aquele A.V. à moda antiga
Do tipo que ainda manda flores
Aquele que no peito ainda abriga
Medalhas, condecorações e amores

Eu sou aquele A.V. apaixonado
Que voa um avião muito engrenado
Apesar do velho "boot"(2) e da luva bem rasgada
Ainda afago com carícia a namorada

Eu sou do tipo que voa essas coisas
Que já não são seguras hoje em dia
As cartas de amor no meu macacão
E tua foto que acompanha junto do meu avião

Apesar de tantas viagens, conselhos e padrões atuais
Sou A.V. que a bem da verdade
Sofre por amor e ainda chora de saudade
Porque sou um Caçador apaixonado
Que curte a nostalgia dos rasantes(3)
Apesar dos lobisomens(4) e da Caça saturada
Ainda chamo de querida a namorada

Apesar dos lobisomens e da Caça saturada
Ainda somos Os melhores...
De toda essa p***** !

 


Notas explicativas:
(1) ximboca = confraternização com cantoria, salgadinho e bebida.
(2) boot(s) = bota de vôo, vem do inglês "Combat Boot"
(3) rasantes = vôos feitos a muita baixa altura e que apesar de muito perigosos, dão enorme alegria aos pilotos.
(4) lobisomem = piloto que inicia sua vida aviatória em outros tipos de "aviação" e que depois, diferentemente da maioria, faz o curso para se tornar um Piloto de Caça.

Caçador Cometa

"CAÇADOR COMETA"

 

Algumas letras foram lançadas pela nova geração de caçadores, como é o caso do já consagrado "Caçador Cometa", baseado na canção "Doméstica" do cantor/compositor Eduardo Dusek.

A versão foi criada em abril de 1984 durante uma semana de chuva. A autoria é do Capitão Flávio Catoira Kauffmann e Tenente Luiz Augusto Lancia Cury, com a colaboração dos demais pilotos do 1oGp. Av. Ca. A letra é baseada em fatos da carreira do Piloto de Caça.

Algumas passagens são fictícias.


"CAÇADOR COMETA"

FOI INDICADO PARA O GRUPO DE CAÇA
LOGO DEPOIS DE DECLARADO CAÇADOR
NÃO VIU QUE ERA UMA GRANDE ARMADILHA
LEVOU UMA CEPA, FOI PARAR NO INTERIOR

ARGUMENTOU QUE LHE FALTAVA EXPERIÊNCIA
QUE EM FORTALEZA MUITO POUCO ELE VOOU
NA SUA FICHA CASCALHARAM INCOMPETÊNCIA
O COMANDANTE NEM SEQUER LHE ESCUTOU

COMETA, FOI PRA ACADEMIA SER COMETA
COM A ALMA ARRASADA, ELE SENTAVA A CACETADA
ERA UM CAÇADOR COMETA

NO "ZARAPA" APRENDEU COM OS COMPANHEIROS
PARAFUSO E ATAQUE 2 COMO NINGUÉM
FICOU FAMOSO LÁ NA DUQUE DE CAXIAS
COMO O TENENTE QUE QUERIA SE DAR BEM

UM BELO DIA!
DEPOIS DE MUITO DAR PORRADA EM CADETE
UM ANTIGO PISTOLÃO, DEPOIS DE UMA PROMOÇÃO,
LHE CHAMOU PRO GABINETE

COMETA, FOI PARAR NO GABINETE NA MUTRETA
LARGOU A VIDA DE CÃO, INCINEROU O MACACÃO
E COMPROU UMA MALETA

PASSAVA O DIA SÓ TOMANDO CAFEZINHO
ERA UM "ASPONE" E SÓ PENSAVA EM MULHER
O SEU SAPATO SÓ PISAVA EM TAPETE
QUANDO VOAVA ERA LÁ NO G.T.E.

SÓ FREQUENTAVA A CASA DE BRIGADEIRO
PUXAVA O SACO E BABAVA COM FERVOR
E ESSES FEITOS LHE VALERAM A COMENDA
A GRANDE ORDEM CRUZ DO PACIFICADOR

COMETA, CONSEGUIU ABOCANHAR A SUA TETA
EM BRASÍLIA ERA BEM QUISTO, ERA AMIGO DO MINISTRO
ERA UM CAÇADOR COMETA

COMO TUDO NESSA VIDA É SURPRESA
O BRIGADEIRO LHE PEDIU OPINIÃO
A ACADEMIA PRECISAVA DE UM INSTRUTOR
ELE LEMBROU DO SEU ANTIGO CAPITÃO

E FINALMENTE, NUMA VIAGEM PRA LONDRES NA PEIXADA
ENCONTROU NO GALEÃO, O ANTIGO INSTRUTOR COM A ALMA ESTRAÇALHADA
COMETA, O INSTRUTOR LHE IMPLOROU PRA IR PRO E.T.A.
LÁ NO ALTO DA ESCADA, ELE DEU UMA GARGALHADA...
TÚ TAMBÉM VAI SER COMETA!


  

Carimbó

"CARIMBÓ"

 

Em 1976, por ocasião do 22 de abril, O 1o/4o G.Av. e o Esquadrão Seta eram os únicos Esquadrões não equipados com F-5 e F-103, mas nem por isso o 1o/4o se deixou abater e apresentou uma versão do "Carimbó" que hoje já se incorporou definitivamente ao Cancioneiro da Caça. A autoria é dos Tenente Luiz Carlos de Souza Ferraz, Hugo José Teixeira Moura e Sebastião Novaes Viana, Estagiários na época, e do Tenente Antônio Batista De Lima, Oficial de Manutenção do Esquadrão.


"CARIMBÓ"

Vou ensinar o Pif-Paf
Seta, Pampa, Jambock e Jaguar
A fazer bombardeio picado
E também Esquadrilha puxar
Vai ligando o aquecimento
Que é pro frio não te congelar
Se quizer um pouquinho de praia
Vá pegar lá no meu Ceará

Olê olê olá lá
A Sorbone de caça tá lá
Quem quiser liderar Esquadrilha
Tem que ir lá pro meu Ceará
Na escolha que eu fiz
O seta sobrou

Agora se vire pra ser caçador

Se vire se vire pra não ser instrutor
Pra dar instrução, pra lá eu não vou

Eu fui pro Rio menina
Pro F-5 voar
Só de longe eu vejo o bicho
Pois nos calços eu vim ficar

Voo de Regente, de T-25 e L-6
Dando bombada pra lá e pra cá
Mas nada do Tigre eu vou voar


  

Carnaval em Veneza

"CARNAVAL EM VENEZA"

 

Por volta de 1946, cantava-se muito uma marcha denominada "Carnaval em Veneza" que teve origem na guerra e que foi adaptada para contar as agruras de nossos pilotos na Itália. "Carnaval em Veneza" pode ser considerada atualmente, quase como um Hino da Caça, tamanha é a reverência que lhe é dedicada, sendo sua origem assim explicada pelo Coronel Ruy Barbosa Moreira Lima:

"No dia 07 de fevereiro de 45 decolou a Esquadrilha Azul sob o comando do Cap. Horácio Monteiro Machado, tendo como ala o Ten. Pedro de Lima Mendes o LIMATÃO, eu, como número 3 e o Ten Alberto Martins Torres, como número 4. Após executarmos o bombardeio picado destruindo completamente a ponte ferroviária a leste de Treviso, o Horácio desceu para o "strafing"(1) no eixo de Treviso " Veneza.

Foi justamente próximo a Maestre, pequena vila situada na área de Veneza, que o Lima Mendes viu, atacou e destruiu uma posição de Artilharia Anti Aérea alemã. A reação dos tedescos(2) foi violenta, só não atingindo a esquadrilha por pura sorte desta. Ao regressarmos a Pisa, paramos no Bar do Albergo Netuno para uma cerveja. Nesse instante os músicos do hotel estavam tocando "Funiculi Funicula", música semelhante ao nosso "Carnaval em Veneza", marcha de grande sucesso em sua época.

Comemorando a missão que acabarámos de fazer, chamei o Perdigão, Meira, Rocha e Pessoa para tentarmos uma letra parodiando o "Carnaval em Veneza" descrevendo as peripécias vividas naquela missão. Apesar do dia 07 Fevereiro de 45 corresponder à Quarta Feira de cinzas, no Carnaval de 1945, o ambiente no 1o Grupo ainda era de Carnaval.

Daí por diante não nos foi difícil colocar a letra na música. Procuramos apenas descrever a missão, com naturalidade e, como tudo que nasce espontaneamente, as palavras se ajustaram à canção, tornando-se o Hino do 1o Grupo de Caça na Itália. No dia seguinte lançamos o "Carnaval em Veneza" no "Clube Senta a Pua" com entusiásticos ADELFIS (saudação do Grupo de Caça) e tilintar de copos de diferentes bebidas".

Texto por: MB Rui Moreira Lima

Adendo da ABRA-PC ao texto acima:

A canção "Carnaval em Veneza", hino do 1o Grupo de Caça na Itália, é uma paródia adaptada da marcha de carnaval "Dança do Funiculí", lançada em 1941, de autoria de Benedito Lacerda e Herivelto Martins.

Embora muitos conheçam e denominem a canção original como "Carnaval em Veneza", esse não é o nome da marchinha, sendo tão somente uma das suas estrofes (veja aqui a letra completa da "Dança do Funiculí").


"CARNAVAL EM VENEZA"

  

Passei o carnaval em Veneza

Levando umas bombinhas daqui

Caprichei bem o meu mergulho

Foi do barulho, o alvo eu atingí

A turma de lá atirava

Atirava sem cessar

E o pobre Jambock(3) pulava,

Pulava e gritava sem desanimar, assim:

Flak(4), Flak, este é de 40(5)

Flak, Flak, tem ponto 50(6) 

Um "bug"(7) aqui, um "bug" lá

Um "bug" aqui, um "bug" lá

Senta a Pua(8) minha gente

Que ainda temos que estreifar(9)


 Notas explicativas:
(1) "Strafing" = do anglo-saxão "strafe" que significa em inglês da 2a Guerra Mundial, "atirar de uma caça voando à baixa altura", ou em alemão da 1a Guerra, "atacar os soldados ingleses com metralhadora"... em português o verbo virou "estreifar"
(2) tedesco = vem do italiano e significa alemão (tudesco).
(3) "Jambock" = cógigo dos pilotos do 1o Grupo de Caça.
(4) "Flak" = "Flieger Abwehr Kanonen" Artilharia anti-aérea alemã.
(5) 40 = canhão anti-aéreo de calibre 40mm dos alemães.
(6) Ponto 50 = metralhadora antiáérea de calibre 0,50 da polegada que supúnhamos fosse usada pelos alemães; na realidade eles usavam a "Lurdinha" 30 (0,30 pol).
(7) "Bug" = "inseto" em inglês. Código usado pelos aliados para indicar qualquer avião NÃO identificado no ar.
(8) Senta a Pua = grito de guerra do 1o Grupo de Caça.
(9) estreifar = o mesmo que "strafe", "strafing".

Caxangá da Caça

"CAXANGÁ DA CAÇA"

Na época de Combate Aéreo costumava-se cantar no ESPC (Estágio de Seleção de Pilotos de Caça), cuja responsabilidade foi do 2o/1o Gp.Av. até a criação do 3o/1o Gp.Av. em 1952), uma versão do "Caxangá" que fala da facilidade do estagiário ser encaudado pelo "lider" nessa fase.

Seus autores foram o Cap. João Eduardo Magalhães Motta e o Ten. Silas Rodrigues, Walter Chaves de Miranda e Antônio Henrique Alves dos Santos.


  

"CAXANGÁ DA CAÇA"

Pilotos de Caça
Brincavam de voar
Fecha a curva, dá todo o motor
Que é já!
E eu vou fechando a curva
E de barbada te encaudar
E eu vou fechando a curva e de barbada te encaudar

(Daí sai-se para o assovio, caixa de fósforo e volta-se à música)


Comando de Caça

"COMANDO DE CAÇA"

Uma valsa italiana, falando sobre a Torre de Pisa, foi adaptada pelo pessoal da Caça, lá pelo ano de 1946.

Já naquela época tomava corpo a idéia de se criar um "comando geral" para a Aviação de Caça, entretanto, restou-nos a seguinte música:


"COMANDO DE CAÇA"

"Presentes aqui a viver, a brigar, a voar, a lutar, a caçar,
Poderemos um dia, orgulhosos contar
Desta Base, a história, que é o berço da Caça no nosso Brasil.

E um dia pedir do Caçador o ideal
Avante Piloto de Caça, que voa, que luta, que tem ideal.
Avante Piloto de Caça, Jambock, Pinguim, Pif-Paf, Pacau.

Depois de tanta luta, tanto trabalho
Só uma coisa nos satisfará, que será, que será, que será!

Queremos Comando da Caça, Comando da Caça queremos criar.
Queremos Comando da Caça, Comando da Caça queremos criar".


 

De Conversa em Conversa

"DE CONVERSA EM CONVERSA"

Quando os F-8 chegaram, as obras de alongamento da pista de Santa Cruz limitavam o vôo pela poeira que os caminhões-caçamba e as máquinas de terraplenagem produziam. À mesma época, o Dr. Janot Pacheco fazia experiências sobre chuva artificial, que pretendia que "caíssem" sobre Ribeirão das Lajes. Para isso, "criava" enormes CB'S que "desmontavam" sobre SC, limitando mais ainda o vôo na Base.

 Além disso, já se preparava a ida de um Esquadrão para Natal, onde seria dada a instrução de Caça, ainda em F-47, sendo a solução alternativa dar a instrução de caça em Porto Alegre, para voar os "velhos P-40".  

O Ten. Joel Miranda, cogitado para ir para Porto Alegre, preferiu Natal... E criou a letra associando os fatos do momento:


"DE CONVERSA EM CONVERSA"

Oi, de conversa em conversa V. vai matando

Meu gosto de voar

Oi, de palavra em palavra ainda está querendo 

Me espinafrar 

 A Camargo Correia uniu-se com o Janot

Só pra me maltratar

Cada dia que passa é uma TF aí

Que deixei de voar

Viver assim não adianta é melhor juntar

O equipamento

Capricha o escalonamento e vamos embora

Pra Natal

Vivendo dessa maneira, continuar é besteira

Não adianta não

Se a 22 faz poeira, deixa de asneira

Eu quero um avião


Duplo de Formatura

 "DUPLO DE FORMATURA"

O ano de 1989 foi um ano atípico no Esquadrão JOKER. Em virtude das inúmeras reformas empreeendidas pelo então Comandante, Major Rossato, Instrutores e Estagiários tiveram inúmeras oportunidades de se confraternizar, além das tradicionais Ximbocas(1), é claro!

Não faltaram mutirões de limpeza, mudanças de seções e toda sorte de trabalho de grupo realizado, evidentemente, durante os feriados e fins-de-semana.

Foi nesse ambiente que os poetas surgiram com suas novas idéias à medida em que o curso se desenrolava.

Através da irreverência de suas letras, Instrutores e Estagiários mostravam a sua versão da história, como nessa música onde os compositores (Egito, Baptista Júnior e Gérson) reportam a agonia de um duplo(2) de formatura(3) (música do Wando).


"DUPLO DE FORMATURA"

Deus me proteja
Pela falta de juízo
E o pior é que eu preciso
Dar um duplo pra você

As nossas vidas
Vão ficar só por um fio
De pensar, eu me arrepio
No que pode acontecer

De madrugada
Dei um brifim(4) detalhado
E o pior é que o coitado
Nem consegue se amarrar

Na decolagem
Mesmo após um esculacho
Insistiu em ficar baixo
Já pensei em abortar(5)

Olha a inclinação e não "vassora"(6) esse motor
Você é louco, eu sou mais louco que você
Pensa, não dá pé e não esquece de puxar
Voando assim é que você vai aprender

Mantém a relativa(7) e dá mergulho(8) por favor
Se eu não pego com certeza ia bater
Tenho uma família e quatro filhos pra criar
F.D.P., você não vai me matar.


 

  Notas explicativas:

(1) ximboca = confraternização com cantoria, salgadinho e bebida.
(2) duplo = vôo em que o instrutor vai no mesmo avião do aluno (avião de "duplo" comando).
(3) formatura = o mesmo que vôo de esquadrilha (mais de um avião voando juntos).
(4) brifim = Reunião dos componentes do vôo, para "combinar" e planejar a missão. A reunião após, a missão, é o "debrifim".
(5) abortar = cancelar o vôo ou alguma fase do vôo.
(6) vassourar = mexer demasiadamente na aceleração do motor do avião. Ficar fazendo movimentos de vai-e-vem com a "manete" da potência (varrendo).
(7) relativa = manter a mesma posição do avião em "relação" ao avião do líder da esquadrilha.
(8) mergulho = se refere ao dispositivo que não deixa a velocidade aumentar muito quando o avião está descendo (flape de mergulho).
  

Jambock de Santa Cruz

"JAMBOCK DE SANTA CRUZ"

 

No carnaval de 1948, surgiu uma outra marcha que fez enorme sucesso. Foi o "Pirata da Perna de Pau" que foi logo adaptado e exalta a ação da FAB, no Teatro de Operações do Mediterrâneo, durante a IIa Guerra Mundial.

O "Jambock de Santa Cruz" era normalmente puxado pelo Ten. Eduardo Bruno Barbosa, os saudosos "Boquinha", amante de ópera que com sua voz de "tenorzinho" foi um dos grandes divulgadores do Cancioneiro.


"JAMBOCK DE SANTA CRUZ"

Eu sou o Jambock de Santa Cruz
Que leva no peito o bravo avestruz
Eu sou o Jambock de Santa Cruz
Que leva no peito o bravo avestruz
  
Que foi à guerra
Que passou frio em roupa de verão
Que levou tiro
Ponto 50 e de canhão
E quando a coisa esquentava
Ouvindo o ronco de seu avião
O boche embaixo gritava
Ôpa, bomba não!
 

L'Alouette

 L'ALOUETTE

 Uma tradição que surgiu no deslocamento do "Camp Shank" para "Suffolk", foi L'Alouette, até hoje cantada nas reuniões dos Jambocks da Itália, tendo como maestro o Brig. Rui Moreira Lima. É interessante registrar que a conhecida música era a favorita de americanos e ingleses sediados na Cidade de Tarquínia.

A Esquadrilha de Demonstração, criada em 1981, no 2o/5o G.Av. em Natal, recebeu a denominação de "Alouette" como uma homenagem do Centro de Adestramento Tático e Recompletamento de Equipagens (CATRE) aos "Jambocks Guerreiros". 

A música é iniciada e conduzida por um "maestro" que vai ensinando a letra, passo a passo para que a participante audiência, em "coro", possa repeti-la. A cada repetição do "coro" o "maestro" adiciona mais uma frase à canção ficando esta cada vez mais difícil de recordar e ser repetida pelos participantes. Alem da "gaiatice" do "maestro", da vibrante participação do "coro" de Caçadores, trata-se de uma teste de memória e de conhecimento do idioma francês !


 L'ALOUETTE

(MAESTRO, TEXTO EM AZUL)
(CORO, TEXTO EM VERMELHO)


Alouette, chante l’alouette
Alouette, je te plumerai
Je te plumerai la tête
Je te plumerai la tête
Et le nez
Et le nez
Alouette
Alouette


ô...ô...ô...ô...
Alouette, chante l’alouette
Alouette, je te plumerai
Je te plumerai la tête
Je te plumerai la tête
Et le nez
Et le nez
Et les yeux
Et les yeux
Alouette
Alouette


ô..ô...ô...ô...
Alouette, chante l’alouette
Alouette, je te plumerai
Je te plumerai la tête
je te plumerai la tête
Et le nez
Et le nez
Et les yeux
Et les yeux
Et la bouche
Et la bouche
Alouette
Alouette


Ô...ô...ô...ô...
Alouette, chante l’alouette
Allouette, je te plumerai
Je te plumerai la tête
Je te plumerai la tête
Je te plumerai la tête
Je te plumerai la tête
Et le nez
Et le nez
Et les yeux
Et les yeux
Et la bouche
Et la bouche
Et l’oreille
Et l’oreille

Assim o "maestro" vai adicionando, em francês, o nome de partes do corpo, como se segue:

les cheveux
le cou
le bras
la main
le doigt
l'ongle
le nombril (l'umbigue)
l'alternative

E então o canto é finalizado:

Et le doigt
Et le doigt
Et l’ongle
Et l’ongle
Et nombril (l’umbigue)
Et le nombril (l’umbigue)
L’alternative
L’alternative
Alouette
Alouette


Ô...ô...ô...ô...
Alouette, je te plumerai...i...i...
(PIANO BEM BAIXINHO)
Je te plumerai la tête
Je te plumerai la tête
Et le nez
Et le nez
Et les yeux
Et les yeux
Et la bouche
Et la bouche
Et l’oreille
Et l’oreille
Et les cheveux
Et les cheveux
Et le cou
Et le cou
Et le bras
Et le bras
Et la main
Et la main
Et le doigt
Et le doigt
Et l’ongle
Et l’ongle
Et le nombril (l’umbigue)
Et le nombril (l’umbigue)
Alouette
Alouette


Ô...ô...ô...ô...
Alouette, chante l’alouette
Allouette, je te plumerai


 

Melô do Tiro Aéreo

"MELÔ DO TIRO AÉREO"

O ano de 1989 foi um ano atípico no Esquadrão JOKER. Em virtude das inúmeras reformas empreeendidas pelo então Comandante, Major Rossato, Instrutores e Estagiários tiveram inúmeras oportunidades de se confraternizar, além das tradicionais Ximbocas(1) , é claro!

Não faltaram mutirões de limpeza, mudanças de seções e toda sorte de trabalho de grupo realizado, evidentemente, durante os feriados e fins-de-semana. Foi nesse ambiente que os poetas surgiram com suas novas idéias à medida em que o curso se desenrolava.

Através da irreverência de suas letras, Instrutores e Estagiários mostravam a sua versão da história, a começar por esta música que retrata o duro cotidiano de um instrutor ao ensinar tiro aéreo para o novinho (letra de Egito, Baptista Júnior e Gérson sobre a música "Caça e Caçador de Fábio Júnior).


"MELÔ DO TIRO AÉREO"

Vou lhe contar um segredo
Escute o que eu lhe digo
Você tem que cepar(2)
Voar muito melhor
Pra parecer comigo

Não há mistérios na missão
É "piper"(3) lá e atira
Você tem que acertar
Pra sair Caçador...

Te ensino a reverter(4)
E a recuperar
E se atrasar no poleiro(5) 
Diga logo pro outro se acertar

O I.N.(6) alopra na hora
Mas você parece não ouvir
E toda vez é a mesma estória
A missão vais repetir...

Você só quer saber
Como faz pra acertar
Neste pano(7)
Tudo já lhe ensinei
Mas você só zerando(8) ...
Só zerando!

Te ensino a reverter
E a recuperar
E se atirar enfiado
No reboque(9) você vai acertar

O I.N. alopra na hora
Mas você parece não ouvir
E no final é a mesma estória
A missão vais repetir...


 

 Notas explicativas:
(1) ximboca = confraternização com cantoria, salgadinho e bebida.
(2) cepar = estudar (etmologia desconhecida).
(3) "piper" = Ponto que aparece no Visor de Tiro e que indica onde, no espaço, os prójéteis do canhão deverão atingir (local em que "deveria" estar o avião inimigo...).
(4) reverter = virar a curva de um lado para o outro e entrar em posição de tiro.
(5) poleiro = local imaginário no espaço onde as aeronaves esperam para iniciar o mergulho para o tiro aéreo.
(6) I.N. = instutor, pode ser também instrução.
(7) pano= se refere ao alvo de tiro aéreo, que na realidade é chamado de "biruta".
(8) zerando = não acertando nenhum tiro, "zero" tiros.
(9)  reboque = avião que tem a missão de ficar "rebocando" o alvo (biruta) de tiro aéreo.

Menescal

"MENESCAL"

Esta música retrata o dia-a-dia do piloto-estagiário do JOKER em comparação com nossos vizinhos do RUMBA(1). Uma sonoridade que se encaixava com a música levou a turma a dar-lhe o nome de um de seus componentes: Menescal (a música base é "Manuel" do Ed. Motta).


"MENESCAL"

Ia todo dia para o CATRE às 6 da manhã
Ouvia no seu rádio musiquinha de "Top Gun"(2)
No rádio era o JOKER, o tráfego lotado
Pensou em sua cepa(3), ficou desesperado
Se eu fosse do TUCANO(4) minha vida não seria assim...

Dia após dia ouvia o instrutor lhe falar (o instrutor lhe falar)
A CAÇA é bacana, e do XAVANTE(5) tu vais gostar
O avião tá velho, foi revitalizado(6)
Apaga toda hora, "relight"(7) pressionado
Se eu fosse americano minha vida não seria assim...

Menescal, foi pro céu
Menescal, foi pro céu


Notas explicativas:
(1) Rumba = Códido rádio do 1o/5o Grupo de Aviação (Treinamento de Bombardeio/Transporte).
(2) "Top Gun" = Famoso filme de aviação de Caça, também usado para designar um piloto muito bom em tiro. Na antiga gíria brasileira seria piloto "bracinho".
(3) cepa = estudo, aula
(4) Tucano = avião fabricado pela EMBRAER (T-27), no caso é o usado pelo Esquadrão "rival" no CATRE, o 1o/5o G.Av.
(5) Xavante = avião à jato fabricado pela EMBRAER (AT-26), no caso é o usado para instrução de vôo de Caça no 2o/5oG.Av.
(6) revitalizado = avião que sofreu grandes modificações para torná-lo mais moderno e atual.
(7)"relight" = botão que aciona a centelha das velas de ignição do motor. É usado também para evitar um apagamento acidental do motor por ingestão de água ou falta de fluxo de ar.

O Chumbo de Fortaleza

"O CHUMBO DE FZ"
(O ovo de codorna)

Encontramos no cancioneiro uma contribuição de Anápolis que narra um episódio ocorrido em Fortaleza, nos idos de 74, com um Mirage pilotado pelo Comandante do Grupo que apresentou, no após vôo, o chumbo do trem de pouso marcado (este era um dispositivo que acusava se o toque no pouso foi muito forte...).

A época era do início de operação e ainda havia muito mistério por parte do pessoal que fora a Dijon fazer curso.

O Major Lúcio Starling de Carvalho, por exemplo, em Anápolis, ao saber do incidente e ignorando que o protagonista fora o "chefe" logo especulou que o "culpado" teria sido o Elias Miana.

É claro que os novinhos aproveitaram e o episódio deu margem a uma versão do "O Ovo de Codorna" que teve como autores os Tenentes Reinaldo Peixe Lima, o Jairo Rodrigues e o José Montgomeri Melo Rebouças, na qual o "picafumal" fazia sua gozação com o Comandante.

O Oliveira citado na música era um Tenente não-caçador, hoje engenheiro, classificado em Anápolis para voar o helicóptero H-13 e outras avionetas afins.


"O CHUMBO DE FZ"
(O ovo de codorna)

Eu quero ver quem vai ter peito p'ra fazer
A musiquinha pro chumbinho de FZ

O Chefe já falou não gosta de brincadeiras
Que isso acontece até mesmo com o Oliveira

Não manjo de chumbo nem de calculador
Mas um catrapo desse jeito eu não dou!

A pista de FZ é muito perigosa
Só tem três quilômetros e é muito sinuosa
Só um pouso curto era a salvação
E o catrapo acabou com o avião

Quando a turma soube ficou muito chateada
A solidariedade é grande aqui na ALADA

O Operações pichou logo o Miana
Mas quando o acidente não foi um dos mais caros
Aproveitou-se tudo, fizeram-se reparos
Trocaram o motor a fuselagem e a forquilha
Só se aproveitou o fio massa de bequilha!

Peito pra fazer eu sei que há
Eu quero ver quem tem peito é pra cantar...


Ópera do Danilo (Ópera da Caça)

"ÓPERA DO DANILO (ÓPERA DA CAÇA)"

A célebre "Opera do Danilo" se tornou praticamente a "Ópera da Caça". Ela narra o que um homem pode fazer quanto tem vontade, perseverança, coragem, esperteza e, sobre tudo, patriotismo.

Danilo Marques de Moura por influência de seu irmão Nero Moura, que viria a ser comandante do 1o Grupo de Aviação de Caça, resolveu ser aviador. Ingressou como voluntário no Grupo como 2o Tenente.

Esta ópera conta sua façanha ao escapar dos alemães e facistas italianos, após ter sido abatido pela artilharia anti-aérea, quando atacava uma locomotiva em uma estação ferroviária a leste da Cidade de Verona, no dia 4 de março de 1945.

A ópera foi composta pelo Tenente Luiz Felipe Perdigão Medeiros da Fonseca, aproveitando a veia artística dos Jambocks, propôs que se fizesse uma partitura de ópera contando a extraordinária aventura do companheiro que retornava.

Colaboraram com ele o Capitão Roberto Pessoa Ramos e os Tenentes Rui Barbosa Moreira Lima, Fernando Correa da Rocha, Marcos Eduardo Coelho de Magalhães, Cauby de Paiva Magalhães, José Rabelo Meira de Vasconcellos e Othon Correia Netto.

 


 "PRIMEIRO ATO"

Inicia-se com o café da manhã servido aos pilotos que irão cumprir mais uma missão. Na sequência esses pilotos seguem para o jipão onde os espera o "Zé Maria" motorista mal-humorado que era responsável por levar os pilotos até o esquadrão.

Após o percurso com muitos trambulhões, segue-se para os aviões quando alguém grita relembrando a todos sobre os equipamentos, inclusive a fimadora K-25.

Com o brifim encerrado, ao som do tradicional grito de Senta a Pua, eles alçam voo sendo saudados pelo sizudo Zé Maria.

 


  
"música TEREZINHA DE JESUS"
GARÇONETE
Volete ancora pitanza?
Café ancora volete?
  
CORO
Gratia tanta, oh garçonete,
Já enchi bem questa panza.
  
CAPITÃO
Minha gente vamo'embora
  
CORO
Num minuto andiamo via
  
CAPITÃO
Já está na nossa hora,
Nos espera o Zé Maria 
"música LA DONNA È MOBILE - RIGOLETTO"
ZÉ MARIA
Sou o Zé Maria
Bom motorista
Farei pra pista
Viagem macia
  
CORO
Oh! Zé Maria
Que maldição
Quanta agonia
E trambolhão
  
ZÉ MARIA
Não estou sorrindo
Para ninguém
Quem vai se abrindo
  
CORO
É porta de trem
É porta de trem
 
"música BARQUEIRO DO VOLGA"
CORO
Enfim chegamos
  
ZÉ MARIA
Enfim chegais
  
CORO
Vamos, vamos
Para não nos machucarmos mais…
Chega, chega, isto é demais
  
CAPITÃO E CORO, falando:
Olha a bolsa da fuga
Checa a carta
Apanha o magazine
Quem leva a K-25!
 "música O GUARANY"
CAPITÃO
Está tudo combinado
Nosso briefing terminado
Já sabem pra onde vamos
Como é que mergulhamos
  
CORO
Agora "senta a pua"
Capricha a decolagem
  
ZÉ MARIA
Desejo para todos, para todos
Ótima viagem 

 

"SEGUNDO ATO"

Representa o ataque aéreo e a ação da artilharia anti-aérea alemã, percebe-se que um avião foi acertado e é o Danilo.

Este, por sua vez, se lança de pára-quedas a mais ou menos 1000 pés e, devido a isso, realiza uma aterragem sentado, vindo a ferir a língua, o que lhe ajudou ao longo da fuga já que ele não falava italiano.

Logo após a aterragem, Danilo é interrogado por alguns "partizans" (simpatizantes dos aliados) se é inglês ou americano, ele de pronto responde que é americano.

Contando com a ajuda dos partizans, Danilo pede roupas e informações da direção a ser tomada, quando então chamam o Signore (Senhor) Pascoalino, professor de geografia que mostra no mapa, a posição onde eles estavam.  


 "música CARNAVAL EM VENEZA"

UMA VOZ
Lá vai o Jambock voando
Pulando e gritando
Sem desanimar assim:

 "música FUNICULI FUNICULA"

CORO
Flak, Flak este é de quarenta!
Flak, Flak, tem ponto cinqüenta!
Um avião foi acertado!
Um avião foi acertado!
  
DANILO
É o Danilo, minha gente, e eu já Vou me despejar!
É o Danilo, minha gente, e eu já Vou me despejar!

 "música BELLA FIGLIA DELL'AMORE - RIGOLETTO "

CORO
Siete inglese ou americane? (BIS)
  
DANILO
Americane, americane (BIS)

 "música TOREADOR - CARMEM"

CORO
Aviatore que fa bombardeamento,
Matando gente, trazendo luto!
Adesso si há paracaduto!
Mal'italiani,

 "música RAPSÓDIA HÚNGARA No2"

CORO
Cê bom sentimento
E noi vogliamo salva-lo questo momento!
Cê bom sentimento
E noi vogliamo salva-lo questo momento!

 "música SINFONY - FOXTROT"

DANILO
Per piachere voglio una vestimenta
Qui io possa usare senza temere
Per piachere dove sono io
E adove andare
Voglio sapêre

 "música BARBEIRO DE SEVILHA"

CORO
  
Piano, piano, piano, piano
Presto andiamo via de quá 
  
Prenda questa vestimenta
Vista e veja se lhe assenta
  
Piano, piano, piano, piano
Tropo bela vestimenta  
  
Il signore Pascoalino
Lhe dirá um bom camino
  
Piano, piano, piano, piano
Pascoalino veni qui
  
PASCOALINO
Cosa?

 "música QUESTA O QUELLA - RIGOLETTO"

PASCOALINO
Al primo conte adove andare mio signore
Pra il monte ou para il fiume
Que direzione volete andare
Presto, presto io non pó aspectare
CORO
Presto, presto lui non pó aspectare
Para il monte para il fiume
Para il norte ou para leste
  
PASCOALINO
Que direzione ancora volete ?
  
DANILO
Io andare é para nordoleste
  
CORO
Lui andare é para nordoleste! 

 "TERCEIRO ATO"

A irreverência de Danilo é o ponto forte do início deste ato quando, em certo ponto de sua caminhada, ele pede um cigarro a um tenente alemão que praticava tiro ao longo da estrada.

Este então não só nega, como ordena que Danilo ajude uma moça que ali passava carregando um carrinho de mão cheio de cacarecos, ele então respondia que estava cansado e que ela não queria.

Vale ressaltar que ao se comunicar com o oficial alemão (tedesco), Danilo dizia "Ela non quere", frase que não faz sentido algum em italiano, que deveria ser: "Lei non vuogle".

A partir de então, nosso viajante bate de porta em porta, pedindo abrigo e comida, os italianos dão-lhe algum vinho mas negam abrigo, pois Danilo não possuia carteira de identidade.

Até que ele encontra um Signore que diz para ele voltar caso não encontre outro lugar. Assim, Danilo decide "matar o tempo e depois retornar', sendo acolhido pelo italiano.  


 "música TIP TIP TIP"

DANILO
Cigarreta? Teniente
  
ALEMÃO
Non c'e e non te dou niente,
Fare una acion piu fina:
Ajude quela bambina

 "música CHI RI BI RI BI"

ALEMÃO
Ajude a bambina!
  
DANILO
Ela non quere
  
ALEMÃO
A poverina
  
DANILO
Ela non quere
  
ALEMÃO
Grande vagabundo!
Sai de qui!
Ragazzo imundo!
Mal'italiani son sempre cosi.

 "música MADAME BUTTERFLY"

DANILO NA 1a CASA
Estarei grato
Per um bicherino
De aqua ou vino!
Sono sfolato
Per la guerra,
Nel bombardeamento
De una l'altra terra
  
1o ITALIANO
Mio poverino
Prende questo vino
  
DANILO
Voleva ancora
Dormire qui!
Caritá!
A carta perdí,
De mia identitá

 "música SANTA LUZIA"

ITALIANO
Me senza cartera
Cosa puó fare
Só bona sera
Andare, andare
  
DANILO
Per piachere
Senhor vedere
  
ITALIANO
Senza portare
Una cartera
Só bona sera.

 "música MADAME BUTTERFLY"

DANILO NA 2a CASA
Estarei grato
Per um bicherino
De aqua ou vino
Sono sfolato
Per la guerra,
Nel bombardeamento de una l'altra terra
  
2o ITALIANO
Mio poverino
Prende questo vino
  
DANILO
Voleva ancora
Dormire qui!
Caritá!
A carta perdí,
De mia identitá

 "música DANÚBIO AZUL"

DONO DA CASA
Ma senza cartêra
  
DANILO
Si, si signore
  
DONO DA CASA
Non é brincadêra
  
DANILO
Si, si signore
  
DONO DA CASA
Faremos cossi
  
DANILO
Si, si signore
  
DONO DA CASA
Sairás de qui
  
DANILO
Si, si signore
  
DONO DA CASA
E si una l'altra
Non encontrar
Poderás ritornar
  
Gracie tanta signore
Gracie tanta,
Rivederte, rivederte,
Bona sera signore,
Bona sera,
Bona sera tanti auguri e prego

 "música RIDE PALHAÇO - RIGOLETTO"

DANILO
Procurar outra
Posso não encontrar
Melhor matar o tempo e depois ritornar
Ah! Ah! Ah! Ah!
  
 Mio signore
Não encontrei lugare
  
ITALIANO
Bene faça o favore
De qui se acomodare
  
DANILO
Ah! Ah! Ah! Ah!
 

 


 

"QUARTO ATO"

Já próximo do Rio Pó, Danilo contou com a ajuda dos partizans para conseguir cruzá-lo. Esses simpatizantes vão conversar com os alemães que por um pouco de comida e vinho, fornecem um passe que Danilo usa para cruzar o Pó, levando consigo uma bicicleta.

Ao passar pela sentinela, cumprimentou-a com um sonoro "Heil, Hitler!!!"  


"música MARIGÁ"
DANILO
Já andei, já andei
Andei dias sem parar,
E agora aqui fiquei
Sem o pó poder cruzar
É demais, é demais
Já tomei uma bebedeira;
No momento sou capaz
De fazer qualquer besteira.

 "música NO RANCHO FUNDO"

DANILO
Ó meu amigo,
Sei que tu vais me ajudar,
E é por isso que contigo
Adesso voglio parlare
So'uno aviatore
Que se há paracaduto
Necessito uno favore
Adesso, questo minuto
  
PARTIZAN falando:
Cosa vogle?

 "música PÓ PÓ PÓ"

DANILO
Io voglio cruzar o Pó
  
CORO
Pó, pó, pó piriri, piriró
  
PARTIZAN
Senza cartêra tu non pó
DANILO
Pó, pó, pó, pó, pó
Voi siete partisano
 
CORO
Será véro? Da vero será?
 
PARTIZAN
Non é véro paisano
 
DANILO
Si, si, si, si, si
Com il tedesco vá parlare
 
CORO
Ele irá, será que ele irá?
PARTIZAN
Questo io non posso fare
DANILO
Pó, pó, pó, pó, pó
"música CASINHA PEQUENINA"
PARTIZAN
Io non se perque te ajudo,
Mica po imaginare!
Per salvar-te fare tudo
Com il tedesco adesso iré parlare
  
DANILO
Acho que eu fui feliz
E que o golpe vai dar certo;
Mas, com que agora fiz,
Da prisão parece que andei bem perto.
  
DANILO
Se do Pó eu for além,
Minha volta é quase certa,
Só falta, para andar muito bem,
Pedir esta bicicleta

 "música ROSE MARIE"

PARTIZAN
Já te trovei passagem,
E adesso voglie questa!
Vá bene te daré l'altra vantagem:
Portare via com la bicicleta.
  
CAUBY
Olha lá ! ! !
  
DANILO
Signore, gratia tanta!
E toca a caminhar!
A minha sorte hoje até me espanta
Agora o próprio Pó eu vou passar
  
DANILO FALANDO
Heil Hitler! (para o alemão controlador do passo)

 


 

"QUINTO ATO"

Finalmente nosso herói chega ao Quartel General Partizano nos Montes Apeninos e após alguns dias de interrogatórios, retorna ao Clube Senta a Pua, onde todos esperavam-no, ansiosos.

Foi saudado com um vibrante "Adelphi", homenagem raramente prestada a pilotos ainda vivos.

A história termina com o interrogatório do setor de inteligência da Força Aérea Brasileira.

 


 "música LILI MARLENE"

PARTIZAN
Cé americano
Em questo locale
Andiamo de lontano
Má qui é il finale

 "música AIDA"

PARTIZANS OLHANDO PARA DANILO
Soto l'Apenini
Siamo arrivato del fiume acá
  
DANILO
Quá! quá! quá! quá!
  
PARTIZANS
Non ché piu tedesqui
É una estansa propia aliata
l signor teniente
Guarda má que bravo regazzo
Viva uno brasiliano aviatore
Paracaduto!

 "música LILI MARLENE"

DANILO
Até que, per fim,
Siamo arrivato!
Olhem para mim
Io sono molto grato
Só falta adesso, per aqui,
Ver se consigo, ver se consigo
Trovare alguno amigo
  
CORO DE PARTIZANS
Trovare alguno amigo

 "música CAVALARIA RUSTICANA"

CORO DOS ALIADOS
Benvindo, desconhecido!
Vens do outro lado
Aviador foragido
Nosso aliado
Amigo é um prazer
Ter-te novamente!
Que alegria por te ver
Aqui presente

 "TRAVIATA"

OFICIAL DE INTELIGÊNCIA
Perdão!
Com licença durante um bocado
Desculpem se tenho que os interromper
Sinto tornar-me tão pouco delicado,
Mas há um serviço para se fazer.
  
OFICIAL DE INTELIGÊNCIA
Eu sou o oficial de nossa inteligência
E vim até aqui para encontrá-lo.
Desejo informes de certa urgência,
E então vou passar a interrogá-lo
  
OFICIAL DE INTELIGÊNCIA
Seu nome?
  
DANILO
É Danilo de Moura
  
OFICIAL DE INTELIGÊNCIA
Seu posto?
  
DANILO
É segundo tenente
  
OFICIAL DE INTELIGÊNCIA
B.O.?
  
DANILO
É três quarenta e cinco.
  
OFICIAL DE INTELIGÊNCIA
E agora me conte toda a sua história.
  
DANILO
Desculpe, não conto e nem posso contar!
  
OFICIAL DE INTELIGÊNCIA
Por que?
Meu amigo perdeste a memória?
  
DANILO
Não é isso, o Miranda disse
Para eu não falar.

 

FIM
 

PIF-PAF

"PIF-PAF"  

O então Tenente Antônio Henrique Alves dos Santos dedilhava ao piano uma versão do "Passarinho do Relógio", falando do Pinguim, símbolo do 2o Esquadrão, que só queria voar, além de outras passagens de tempo do Estágio de Seleção de Piloto de Caça (E.S.P.C.) nos anos de 1946 e 1947.

A partir da metade, a música entrava em rítmo de valsa, assim prosseguindo, para depois terminar no compasso inicial.


 

"PIF-PAF"

Pif-paf, pif-paf, pif-paf
"Primave"
(1) chama, e o Pingüim diz nem te ligo...

Ainda não é hora de aterrar, e o Pingüim só quer voar
e não quer nada contigo.

Pacau de Ouros briga com Pacau de Paus
Pacau de Espadas só dá cavalo de pau
Enquanto a turma lá na Base vai brigando, quá-quá-quá
Pacau de Copas... Ia-ram-Ia-ram, Ia-ram-la-ram...

Quem me ensinou a voar
Foi o avestruz que veio da briga

Quem me ensinou a "estreifar"(2) 
Foi o avestruz que sabe atirar

Mas agora que eu sei...
Eu quero ver yoyô, eu quero ver yayá
Eu quero ver quem vai me segurar
Pif-paf, pif-paf, pif-paf
OK "Primave" já vou aterrar


  Notas explicativas:

(1) Primave = código rádio da Torre de Controle da Base Aérea de Santa Cruz
(2) estreifar = do verbo anglo-saxão "strafe" que significa em inglês da 2a Guerra Mundial, "atirar de uma caça voando à baixa altura", ou em alemão da 1a Guerra, "atacar os soldados ingleses com metralhadora"...

 

Pilofe de Arromba

"PILOFE DE ARROMBA"

Em 1965, no dia 25 de março, quando voltava de uma missão de Tiro Aéreo, uma Esquadrilha de F-8 (Gloster) do 1o Esquadrão do 1o Grupo de Aviação de Caça liderada pelo Cap. Odilon Holmitives Pereira e tendo como um dos alas o Ten. Manoel Carlos Pereira, foi partícipe de um insólido acidente.

Tendo entrado na esteira de turbulência do avião da frente durante o pilofe, o Ten. Carlos perdeu o controle da aeronave e se precipitou ao solo, placando e deslizando de marcha-ré pelo mato no pântano da pista 04 de Santa Cruz.

O avião ficou escondido na vegetação e houve certa dificuldade na sua localização por parte dos bombeiros e ambulância.

A música faz referência ao Ten. Thomas Anthony Blower que pilota o avião "reboque" e que "emocionado" alijou a biruta (alvo de tiro aéreo) na Baía de Sepetiba e ao Ten. José Flávio Celestino que voava num TF-7 um duplo comando de voo de instrumentos e que, também emocionado ante a gravidade do acidente, deu uma certa "escorregada" no papo rádio ao ver o piloto sair da máquina.

A canção ainda faz referência ao Ten. Paulo José Paulo que era Chefe do Material do 2o Esquadrão e que não teve nada a ver com a estória mas nela entrou por liberdade poética do autor, Ten. Euro Campos Duncan Rodrigues.

Fala ainda do Cap. Renato Machado Silva, médico do Grupo e exímio pianista.

O acidente foi extremamente grave e o Ten. Carlos saiu ileso por verdadeiro milagre, foi o fator mais importante para o final feliz. Dizia-se na época, que o Ten. Carlos, consciente de ter caído à esquerda da pista e sem saber que estava a 180o com a direção de pouso, teria abandonado o avião e disparado para a sua direita, embrenhando-se mais ainda no mato.

Esta versão é peremptoriamente contestada, até hoje pelo próprio, da mesma forma que é negado o testemunho do Ten. Renato Azuaga Ayres da Silva, segundo o qual o acidentado ao se despir para realizar o exame médico logo após o acidente, surpreendeu a todos por estar trajando uma cueca "samba-canção" presa com arame de freno.

Convém ainda registrar que à época o Ten. Carlos era noivo da filha do Maj. Mário Joaquim Dias, Comandante do Grupo, que havia também, sobrevivido a um sério "pilombo" na vala da cabeceira da pista 22.

O comentário do Ten. Blower então, foi de que o mal "seria de família".

Deste episódio saiu o Pilofe de Arromba, baseada na música "Festa de Arromba" de Roberto Carlos.


 

"PILOFE DE ARROMBA"

Vejam que pilofe de arromba
No outro dia eu vi puxar
Logo na inicial, veja só o Esquadrão
A puxada foi normal
Ai meu Deus que confusão!
Quase não consigo, no que vi, acreditar
Pois o intervalo estava mesmo de amargar
Eh, eh, que onda
Pilofe de arromba


Logo que eu olhei eu notei
Tenente Carlos embicado pro chão
Enquanto Tommy Blower, cabrava o avião
Largando a biruta, direto para o chão
Celestino via e logo arremetia
Olhava pro piloto, que do bicho não saía
Ai, ai, meu Deus, entrou numa fria
Dr. Renato na ambulância
Rumava para a pista
Os bombeiros se enrolavam
Não achavam o avião
A torre de Controle não podia nem falar
Enquanto o Celestino não parasse de gritar


Mas vejam quem surgiu de repente
Tenente Carlos com o manche na mão
Enquanto o Tommy e o Paulinho
Se viravam num gato
A manutenção, entrava pelo mato


Lá longe o corre-corre
Dos tenentes no hangar
Pensando no velório
Que teriam de aturar
Eh, eh, pilombo
Pilofe com tombo
Pilombo, pilofe com tombo


Piloto de Caça em Natal

"PILOTO DE CAÇA EM NATAL"

 

No carnaval de 1948, surgiu uma outra marcha que fez enorme sucesso. Foi o "Pirata da Perna de Pau" que foi logo adaptado e exalta a ação da FAB, no Teatro de Operações do Mediterrâneo, durante a IIa Guerra Mundial.

Outras versões do "Pirata" iriam surgir com o tempo. Com a ativação do 2o/5o G.Av., em Natal, em 1954, inúmeros caçadores de Santa Cruz partiram com destino ao Nordeste. Saíam do moderno Gloster F-8 e retornavam ao antigo P-47, sendo que alguns, oriundos do P-40 de Canoas, ainda teriam de solar o "Tijolo Quente".

E isso tudo, misturado, deu:


"PILOTO DE CAÇA EM NATAL"

Eu fui um Jambock, hoje sou um Pacau
Piloto de Caça aqui em Natal
Eu fui um Jambock, hoje sou um Pacau
Piloto de Caça aqui em Natal

Tudo pra frente
A 130 eu tiro o chão
Tijolo quente
Não é mais garça, é Avião!
Por isso Piloto de Caça
Tem que Ter fibra e Ter coração
Porque a parada é dura
Neste Esquadrão


 

Piloto de Caça no Aratacal

"PILOTO DE CAÇA NO ARATACAL"

 

 No carnaval de 1948, surgiu uma outra marcha que fez enorme sucesso. Foi o "Pirata da Perna de Pau" que foi logo adaptado e exalta a ação da FAB, no Teatro de Operações do Mediterrâneo, durante a IIa Guerra Mundial.

Com a desativação do 2o/5o G.Av. como Unidade de Caça em 1956, e a transferência da instrução para o 1o/4o G.Av e, ainda, com a chegada dos F-80, surgiria uma nova versão do "Pirata".


"PILOTO DE CAÇA NO ARATACAL"

Eu fui um Jambock, hoje sou um Pacau
Piloto de Caça. No Aratacal
Eu fui um Jambock, hoje sou um Pacau
Piloto de Caça, no Aratacal

Tudo pra frente
30 mil pés. Como custa a chegar
Avioneta, mas é bem boa de se voar
Por isso Piloto de Caça
Tem que Ter fibra e Ter coração
Porque o 1o/4o
Não é mole, não!


PÓ PÓ PÓ

"PÓ PÓ PÓ"
(TRÊS VERSÕES )

 

 

Nosso Cancioneiro começa com a letra original do "Pó Pó Pó" que é baseada em uma fábula intitulada "A Cobra e o Lagarto", que surgiu em julho de 1944, quando o Grupo de Caça, após chegar a Nova Iorque e permanecer alguns dias de quarentena em Camp Shank, deslocou-se de trem para a Base de Suffolk onde iria voar o P-47.

Não havendo o que fazer durante a demorada e desconfortável viagem, os Caçadores, liderados pelos Tenentes Coelho (Marcos Eduardo Coelho de Magalhães), Meira (José Rebelo Meira de Vasconcelos) e Cordeiro (John Richardson Cordeiro Silva) se puseram a cantá-la em coro, lançando as bases para o Cancioneiro da Caça. 

Após o regresso a Santa Cruz, o "Pó Pó Pó" se consagrou definitivamente, tendo no após-guerra, o Ten. Berthier (Berthier Figueiredo Prates) como um dos mais entusiasmados solistas.


 

"PÓ, PÓ, PÓ DA COBRA E DO LAGARTO"

A cobra e o lagarto (CANTOR SOLO)
pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
(CORO)
Fizeram uma carne assada
pó pó pó pó pó
O lagarto comeu tudo
pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Pra cobra não deixou nada
pó pó pó pó pó
A cobra ficou zangada
pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Resolveu se vingar
pó pó pó pó pó
Convidou mestre lagarto
pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Pra em casa ir jantar
pó pó pó pó pó
Dessa vez foi mais esperta
pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Comeu tudo es-con-di-do
pó pó pó...pó...pó


 

 O "Pó Pó Pó" passaria por diversas mudanças e adaptações através dos anos, sendo considerado, hoje, como uma Canção Sagrada da Aviação de Caça. Normalmente só é cantada no auge das reuniões, sendo o solo geralmente, uma prerrogativa dos Caçadores mais antigos presentes.

Quando em uma manobra da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica (E.A.O.Aer.) houve um tremendo "pega"entre os P-40 do 1o/14o G.Av. e os P-47 de Santa Cruz, que a versão atual começou a tomar forma definitiva. O P-40, submotorizado porém mais ágil, levava nítida vantagem nos engajamentos abaixo de 15000 pés.

 Os P-47 entretanto, subindo, criavam situações extremamente desfavoráveis para o "Zé Gaúcho". Foi uma "pelada" memorável, na qual tomaram parte 16 P-40, 16 P-47 e mais 8 outros P-47 que faziam escolta dos C-47 em lançamento de páraquedistas. No total, "brigaram" 40 aviões de caça.

 Com a chegada dos F-8 Gloster Meteor, em 1953, para o 1o Gp.Av.Ca. e 1o/14o G.Av, novos versos seriam acrescentados ao Pó Pó Pó, o que ocorreria também, a partir de 1957, com a chegada dos F-80 para o 1o/4o G.Av.

Tendo em vista que no confronto F-8 versus F-80 ocorria desempenho bastante similar ao do P-40 versus P-47 (com o F-80 levando vantagem baixo e engajado e o F-8 melhor em altitude e sem engajar) adicionaram-se mais alguns novos versos.

 Entretanto, a canção só veio a tomar forma definitiva com a incorporação dos F-103 e dos F-5 na década de 70 e, evidentemente, novo temário surgiu gerando:


"PÓ, PÓ, PÓ DA CAÇA"

De zero a quinze mil pés
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Quem comanda é o Zé Gaúcho
Pó pó pó...pó...pó...
De quinze a vinte mil pés
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Na pelada entram os dois
Pó pó pó...pó...pó...
De vinte a trinta mil pés
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
O avestruz é o titular
Pó pó pó...pó...pó...
De trinta mil pés para cima
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Quem manobra é o meteor
Pó pó pó...pó...pó...
De quarenta até setenta
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
O Jaguar é quem aguenta
Pó pó pó...pó...pó...
Na subida e na manobra
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
F-5 é que é conbra
Pó pó pó...pó...pó...
De... ze...ro...a setenta...mil
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Quem comanda é a caça !
Pó pó pó...pó...pó...


 

 Aproveitando o tradicional "PÓ,'PÓ, PÓ, já anteriormente alterado para novas versões, a nova geração de Caçadores criou mais uma nova letra.

Seu lançamento oficial ocorreu durante o jantar de premiação da TAC de 1984 em Natal.


"PÓ, PÓ, PÓ DO PIANO"
 

Do térreo ao 2o andar
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
O jambock vai levar
Pó pó pó ...pó ...pó

Se enroscar no corrimão
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Deixa com o Segundão
Pó pó pó ...pó ...pó

Se a subida for em rampa
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
É trabalho para o Pampa
Pó pó pó ...pó ...pó

Se na rampa escorregar
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Quem segura é o Jaguar
Pó pó pó ...pó ...pó

Se enroscar na portaria
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Deixa com Santa Maria
Pó pó pó ...pó ...pó

Na subida e na manobra
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
O peso do piano dobra
Pó pó pó ...pó ...pó

Se está gasto o degrau
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
É trabalho pro Pacau
Pó pó pó ...pó ...pó

Se o trabalho for braçal
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
É a hora do Natal
Pó pó pó ...pó ...pó

Se for grande o peso e a área
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
O trabalho é sem diária
Pó pó pó ...pó ...pó

Do térreo à cobertura
Pó pó pó, pi ri ri, pi ri ró
Quem carrega é a Caça
Pó pó pó ...pó ...pó


 

Poxa

"POXA"

Em 1976, em uma reunião em Porto Alegre foi adaptada pelo Tenente Gilmar Barbosa Nunes, uma versão de "Poxa", motivada pelo reencontro dos Caçadores o que não ocorria já por algum tempo. Foi uma bela contribuição do 1o/14o.


 

"POXA"

Poxa, como foi bacana reunir de novo
Curtir um chope junto com meu povo
Rever a Caça como eu acho bom
Lá'laiá áiá...

Como vibrei, rever amigos todos em uma semana
Lembrando tempos idos que tanto se ama
Cantando o Cancioneiro com o mesmo ardor
Lá laiá laiá...
Poxa para nos unir se faz difícil um pouco
Com tanta areia estou ficando louco pra te perpetuar, só mesmo uma canção
Lá laiá laiá...

TAC(1) tens lugar em nossos corações


Notas explicativas:
(1) TAC= Torneio da Aviação de Caça (competição, quase anual, entre os esquadrões de Caça).

Que Saudade do Velho

"QUE SAUDADE DO VELHO"

Nos idos de 1965-1966 falava-se muito em reequipamento. Os candidatos eram F-5A, A-4, F-86 e o G-91 e inúmeras especulações em torno do tema, mas o velho Gloster permanecia impávido, até que começaram a surgir problemas de rachaduras na seção central - o avião fora construído como interceptador e nós o utilizávamos para ataque ao solo.

Os aviões, então, começaram a sofrer restrições, fadigômetros foram instalados e o resultado foi que o voo diminuiu.

Nesta época, a instrução de voo avançado da Escola de Aeronáutica, por sua vez, estava começando a ser ministrada em Pirassununga e a tradicional falta de instrutores já existia.

Logo começaram, portanto, a surgir pedidos para que os Jambocks e Pif-Pafes dessem a sua contribuição. Iam eles para Pirassununga na 2a feira e lá voavam até a 6a.

É claro que, quando em 1966, os F-8 foram parando, esses mesmos Caçadores ficaram sem emprego. Os mais previdentes já estavam em Fortaleza. Aos outros, o destino reservou Pirassununga. Para lá seguiram os Tenentes Adjanir Mathiesen Queiroz, Quintino Coelho da Costa, Danilo Orlando e Itamar Drumond (este acabou passando por "louco" e não foi).

Os intelectuais - Euro Campos Duncan Rodrigues, Júlio Vasquez Pato e Walter Beltri - encontraram guarita no ramo da engenharia (IME e ITA).

Naturalmente, toda esta confusão teria de ser registrada pela veia poética do Ten. Duncan em uma emocionante versão da "Saudosa Maloca" de Adoniran Barbosa.

O Comandante do Grupo, na época, era o Maj. João Soares Nunes e o S-4 do Grupo o Cap. Ivan Moacir Frota, ambos, também, citados na música. A "Saudosa Maloca" serviria, também, de tema para outra belíssima versão quando da entrega dos velhos TF-33 do 1o/4o G.Av. para o 1o/14o. O autor dessa nova versão foi o Tenente Hugo José Teixeira Moura.


"QUE SAUDADE DO VELHO"


Se o senhor não tá lembrado
Dá licença eu vou contar
Ali onde agora está
Aquele Xavante novo
Já passou T-33 e F-80 glorioso
Foi aqui seu moço
Que no peito e na raça
Nos "formemo"
Piloto de Caça

Certo dia nós nem pode se alembrá
Veio os home lá de Palegre
Pra todos os "velho" levar
Peguemo todas nossas máquina
E fumo pra Santa Cruz
Fazer a distribuição

Ai que tristeza
Que nóis sentia
Cada "velho" que partia, doía no coração
Teve uns querendo ficar
Dando pane no caminho
Mas os homens querem o avião
Nós põe outro no lugar

Só se conformemo
Quando a EMBRAER entregou
O Xavante bem novinho
E fez voar os Caçador
Mais hoje nós sente falta
Saudade nós sente falta

Saudade nós sente sim
E pra esquecer
Que saudade do "velho"
Avioneta de guerra
Respeitado mundialmente
Já voou por toda parte


 

Rap do Caçador

"RAP DO CAÇADOR"

Contexto:

 

I - Estamos na Base Aérea de Santa Cruz, ano de 1994;
II - Foi anunciada a aquisição do Tucano - ALX (AT-29) pela FAB. O ALX é uma aeronave de baixo desempenho, mas equipada com uma parafernália eletrônica destinada a execução de voos de policiamento do espaço aéreo contra aviões de baixa velocidade;
III - O interstício para promoção ao posto de Capitão aumentou de cinco para oito anos;
IV - As horas de voo foram drasticamente reduzidas para uma média de 80:00 por piloto em aeronave de alto desempenho, em vista da contenção de despesas imposta pelo governo;
V - Para compensar a redução das horas dos aviões supersônicos, os T-27, Tucanos, cumpriam missões de interceptação de aeronaves "clandestinas - de baixa velocidade;
VI - Foram ativados os "Terceiros"(1), esquadrões da FAB equipados com Tucanos na Amazônia, com a expectativa de, no futuro, operarem os ALX, ainda em desenvolvimento;

NOTA: Em 2001 os "Terceiros" transformaram-se em Unidades de Caça e o 2o/5o G.Av. foi instruído a se preparar para ministrar a instrução de voo de Caça nas aeronaves AT-29, ALX, a partir de 2004...

VII - O soldo dos militares estava abaixo da média histórica;
VIII - O país passava por diversas crises e estava no auge a "era" do carro popular. Mesmo com desempenho sofrível, despertava interesse pelo seu baixo custo. Um dos ícones desse tipo de auto era o FIAT Mille, do qual existia uma versão denominada ELX;
IX - A corrupção na polícia era assunto do cotidiano da sociedade;
X - Existia uma parcela ponderável da opinião pública que considerava a atuação das Forças Armadas no combate ao crime como a única saída para a questão da segurança; e
XI - O estilo de música dominante das rádios era o "RAP"...

 


"RAP DO CAÇADOR"
(Letra e música do Sérgio Luiz Weydt e outros Caçadores) 
 

Piloto de caça que gosta de voar
Além de se preparar
P'ruma guerra eventual
Agora também é Polícia Federal

CORO: (piano) - A...L...X...

Pois na situação do país pobre total
Diante da corrupção do sistema policial
Agora também tem que interceptar
Traficante, muambeiro, clandestino
Com o Tucano ALX...

CORO: Tucano ALX

Antigamente praticava bombardeio
Era foguete e atirava em navio
"Tigre uno"
(2) , "Dog fight"(3) , "NBA"(4)
Rei dos ares respeitado por aí
ALX...

CORO: Tucano ALX

Oitenta horas não dá nem p'ra começar
A praticar o que sempre fez com prazer
Eterno Tenente aguardando a promoção
Já era para ser um antigo capitão

CORO: Tenente ALX... Tenente ALX

E com um soldo irrisório p'ra viver
Sustentar mulher e filho até crescer
Se submete a um sonho iludido
Que um dia vai deixar de ser "fodido"
E então poder comprar para rodar
Um tremendo de um carro popular

(BREAK)

"Mulher": - Mas... Meu amor, você vai gastar todo o nosso dinheiro com a droga desse consórcio...

"Caçador": - Calma, meu bem...Um dia nós vamos ter o carro dos nossos sonhos...

CORO: Mille ELX... Mille ELX...(piano)- ele xis... ele xis...


Notas explicativas:
(1) Terceiros = Se refere aos dois esquadrões do Terceiro Grupo de Aviação (Escorpião e Grifo).
(2) Tigre uno = É a palavra código para o piloto indicar que interceptou o inimigo e está em posição de ataque.
(3) "Dog Fight"(s) = combate aéreo voltarN.B.A. = Navegação à Baixa Altura.

Saudosa Poioca

"SAUDOSA POIOCA"

Nos idos de 1965-1966 falava-se muito em reequipamento. Os candidatos eram F-5A, A-4, F-86 e o G-91 e inúmeras especulações em torno do tema, mas o velho Gloster permanecia impávido, até que começaram a surgir problemas de rachaduras na seção central - o avião fora construído como interceptador e nós o utilizávamos para ataque ao solo.

Os aviões, então, começaram a sofrer restrições, fadigômetros foram instalados e o resultado foi que o voo diminuiu.

Nesta época, a instrução de voo avançado da Escola de Aeronáutica, por sua vez, estava começando a ser ministrada em Pirassununga e a tradicional falta de instrutores já existia.

Logo começaram, portanto, a surgir pedidos para que os Jambocks e Pif-Pafes dessem a sua contribuição. Iam eles para Pirassununga na 2a feira e lá voavam até a 6a.É claro que, quando em 1966, os F-8 foram parando, esses mesmos Caçadores ficaram sem emprego. Os mais previdentes já estavam em Fortaleza. Aos outros, o destino reservou Pirassununga. Para lá seguiram os Tenentes Adjanir Mathiesen Queiroz, Quintino Coelho da Costa, Danilo Orlando e Itamar Drumond (este acabou passando por "louco" e não foi).

Os intelectuais - Euro Campos Duncan Rodrigues, Júlio Vasquez Pato e Walter Beltri - encontraram guarita no ramo da engenharia (IME e ITA).

Naturalmente, toda esta confusão teria de ser registrada pela veia poética do Ten. Duncan em uma emocionante versão da "Saudosa Maloca" de Adoniran Barbosa.

O Comandante do Grupo, na época, era o Maj. João Soares Nunes e o S-4 do Grupo o Cap. Ivan Moacir Frota, ambos, também, citados na música.


"SAUDOSA POIOCA"

Si o senhô num tá lembrado
Dá licença deu contá:
Aqui onde agora istá,
Esse monumento,
Antis era um caça à jato,
Com foguete bem armado


Foi nele seu moço
Que eu e os pilotos de caça
Avuava, aconteceu uma desgraça!
Sexta-fêra, treze,
Nóis num pode nem lembrá
Veio um rádio do Parqui di Marti
A D.M. mandô inspecioná!

Peguemo nossos badulaque!
E fumo pro meio do Hangar,
Assisti aquela inspeção!

Ai Qui tristeza
Que nóis sentia!
Rachadura aparecia
Bem na seção centrá!
Majó Nunes quis gritá
Lá de longe eu falei
Os hômi tá qu'a razão
Nóis arranja ôtro avião!
Não nos conformemos
Quando o Frota falô:
Nada é eterno e o Gloster si acabô!

E hoje nóis paga "pane"
P'ros cadeti na Escola...
E para esquecê
Nóis cantemo assim...
Saudosa "poioca"
Poioca querida!
Didonde nóis vuêmo,
As horas feliz das nossas vida...
"canse canse cuê!" (estribilho)
"canse canse cuê!" (estribilho)
tchiiiiii! (barulho do escapamento de ar comprimido do freio do Gloster)


 

Tiro Aéreo em Canoas

"TIRO AÉREO EM CANOAS"

Prosseguindo com nosso cancioneiro, apresentamos uma música que conta a história de uma esquadrilha de AT-26 Xavante do Esquadrão CENTAURO que realizava missão de tiro aéreo em Canoas. Tal esquadrilha era liderada por um piloto já no 2º ano como líder, sendo o #3 da mesma turma e dois alas novinhos que, ao retornarem da missão, solicitaram uma passagem baixa na pista 30 de Canoas.

Após definida a final para passagem o #2 constatou que estava aproado com a pista errada, ou melhor, com a pista do Aeroporto Salgado Filho que fica relativamente próxima da pista da Base Aérea de Canoas. Após avisar ao líder sobre este equívoco, a passagem ainda pode ser feita, em diagonal, na pista de Canoas.

O final da história já virou versão, não importando os fatos e, dessa forma, é retratada na letra a seguir feita pelo Penedo em cima da música "Fio de Cabelo" de Chitãozinho & Xororó.


 "TIRO AÉREO EM CANOAS"

Quando a gente voa
Qualquer pista serve para se pousar
Saí de Canoas
E fui para a área para atirar

Aqueles tirinhos
Que eu mandei pra ela não foram de fato
Bateram na água ou foram pro saco
Já era o presságio de um Caçador

Voltando
Com três novinhos e muita experiência
Para "Coruja"(1) logo dei ciência
Que na pista 30 baixo ia passar

"Coruja" mandou acusar quando na final
Mas a Torre P'Alegre entrou no canal
Sai do Salgado Filho, seu animal!!!

(1) - Coruja - Código-rádio da torre Canoas.