2o ESQUADRÃO DO 1o GRUPO DE AVIAÇÃO DE CAÇA

"PIF-PAF"

(Origem, Criação/Descrição do Símbolo e do Código-Rádio)

 

* Depoimento do Brig.Ar.Ref. João Eduardo Magalhães Motta, Jambock 52, Pif-Paf 05, Pacau 05, Pampa 98 e King 01, em 26 de Junho de 1999

I - Origem do Esquadrão


O 2o/1o Gp. Av. Ca. foi criado pelo Decreto No 6.796, de 17 de agosto de 1944, com sede na Base de Natal, com a designação 2o Grupo de Caça. Transferido para a Base Aérea de Santa Cruz, pelo Decreto-lei No 6.926, de 5 de outubro de 1944, passou a integrar o 1o Regimento de Aviação (1o R.Av.). Era equipado com aviões Curtiss P-40E/K/M/N.

Formou um grupo de 29 pilotos de caça, que ficaram conhecidos como os "33 do PACÍFICO". Para isso, foi ativada uma unidade, dentro do 2o Grupo de Caça, USBATU (United States-Brazil Air Training Unit), a quem coube esse treinamento, orientado e dirigido por oficiais da USAAF (Força Aérea do Exército dos Estados Unidos), recém chegados dos teatros de operações da 2a Guerra Mundial.

Com o regresso do 1o Grupo de Aviação de Caça (1o Gp. Av. Ca.), em julho de 1945, a unidade teve seu comando substituído por oficiais veteranos da Campanha da Itália, que assumiram as funções de Comandante, Oficial de Operações e Comandantes das esquadrilhas, até que, com a chegada dos Republic P-47D25/27/28/30, vindos da Europa, seu material foi substituído, e seus Curtiss P-40 transferidos para o 3o Grupo de Caça sediado em Porto Alegre.

No início de 1946, 36 aspirantes (sendo um da Reserva), foram classificados no 1o Regimento de Aviação ( Santa Cruz), para tirar o curso de Caça. Ao 2o Grupo de Caça (2o Gp. Ca.) coube a missão de UNIDADE DE TREINAMENTO, pelo qual continuou responsável até 1952. Para isso, foi-lhe agregado o ESPC (Estágio de Seleção para Pilotos de Caça) que, com aviões North American AT-6, complementava a instrução da Escola de Aeronáutica, até o solo no P-47.

O 2o Gp. Ca. mudou de nome duas vezes. Em 24 de Março de 1947, o decreto No 22.802 transformou-o no 2o/9o Grupo de Aviação, junto com o 1o Gp. Av. Ca. que passou a ser o 1o/9o Grupo de Aviação, ambos sediados na Base Aérea de Santa Cruz.

Mais tarde, pelo decreto No 27.313 de 14 de Outubro de 1949, devido aos insistentes pedidos dos caçadores e, principalmente dos veteranos da Itália, o 9o Grupo de Aviação voltou a ser 1o Grupo de Aviação de Caça, agora com dois esquadrões; o 1o/1o Grupo de Aviação de Caça (Ex 1o Grupo de Aviação de Caça) e o 2o/1o Grupo de Aviação de Caça (Ex 2o Grupo de Caça).

Como Esquadrão de Instrução, sua dotação era;

  • Comandante:  Maj.Av. 
  • Oficial de Operações: Cap.Av.
  • 1a Esquadrilha: Cmt. e no 3  Cap.Av. e 2o Ten.Av.
  • 2a Esquadrilha: Cmt. e no 3 Cap.Av. e 2o Ten.Av.
  • 3a Esquadrilha: Cmt. e no 3 Cap.Av. e 2o Ten.Av.
  • 4a Esquadrilha: Cmt. e no 3 Cap.Av. e 2o Ten.Av.
  • Número de estagiários: Variável 

No primeiro ano, 1946, recebeu 36 aspirantes, dos quais 18 saíram pilotos de caça...

II -Criação do Símbolo

Foi nesse ESTÁGIO DE SELEÇÃO que, em 31 de Julho de 1946, faleceu em acidente o 1o Ten. Av. PEDRO DE LIMA MENDES,  veterano da Campanha da Itália, onde voara 95 missões de guerra e era, agora, instrutor e número 3 da 4a Esquadrilha. Seu avião no 1o Gp. Av. Ca. era o "C 5", da Esquadrilha AZUL. LIMA MENDES era uma figura impar. Piloto arrojado, oficial interessado em tudo que tinha a ver com avião, era pessoa alegre e divertida, sempre com mil estórias para contar. Em seu avião fizera pintar os dizeres "ROMPE MATO" (Figura lendária do candomblé brasileiro) que, desde os tempos de cadete, dizia ser seu Pai de Santo protetor. Voou suas 95 missões sem nunca ser atingido pela antiaérea inimiga. Na semana que se seguiu à sua morte, surgiu a idéia de se criar um cocar para a unidade, que de alguma forma o lembrasse.

O 2o Ten.Mecânico ATTILIO BOCHETTI, veterano da Itália, foi encarregado da missão e desenhou o símbolo que, até hoje, identifica as aeronaves do 2o Grupo de Caça (Atual 2o/1o Gp. Av. Ca.).

III - Descrição do Símbolo

  • A forma original do escudo deveria ser ajustada à carenagem lateral do nariz dos aviões P-47 e portanto foi feita em forma de elipse, com largura de 80% da altura. A moldura auriverde, simbolizando o Brasil, tem as mesmas cores da bandeira e a sua espessura é de 6% da largura da elipse.
  • O céu que simboliza a guerra (vermelho puro), as nuvens brancas, e o explodir da antiaérea, derivam do tradicional cocar dos "jambock".
  • Sobre a fuselagem do "Thunderbolt", em pé, qual um exímio cavaleiro à galope, está o PINGUIM que simboliza o aluno da Caça(*). O pinguim empunha um machete que além de destacar a agressividade do "Caçador", também justifica o ataque razante e o dístico ROMPE MATO.
  • O boné branco (tipo "Senta-Pua"), fazia parte do antigo uniforme da FAB. A única coisa que o prende ao piloto é a fita jugular, o que demonstra a rapidez com que é feito o ataque.
  • O avião é o P-47 "Thunderbolt" C5, que foi voado pelo Ten. Lima Mendes na Campanha da Itália. As duas bombas em queda, demonstram a versatilidade do avião de caça em executar a missão de bombardeio e em seguida continuar combatendo em ataques de oportunidade (estreifando).
  • O dístico ROMPE MATO, sobreposto às nuvens, homenageia a figura do candomblé brasileiro, da qual o Ten. LIMA MENDES acreditava ter proteção!

Nota: Os alunos de Caça eram tratados pelo carinhoso nome de "pinguins". Não se sabe exatamente a origem do termo. Sabe-se porém que, nos primórdios da aviação, costumava-se retirar as asas dos aviões e deixar os aprendizes os manobrarem no solo. Estes eficientes e desajeitados simuladores (com dois eixos de liberdade), eram denominados de "pinguins". 

IV - O Código PIF-PAF

Na década de 40, três jogos de cartas eram comuns, entre os pilotos, como distração nos casinos de oficiais; o BURACO, a CANASTRA e o PIF-PAF. Foi no final do ano de 1945, quando os veteranos da Itália assumiram o comando do 2o Grupo de Caça, que se fez sentir a necessidade de um código de identificação da unidade. A escolha do PIF-PAF foi fácil, não só por estar na boca de todos como por sua sonoridade no rádio, tornando-o compreensível na comunicação em vôo. Como conseqüência imediata, a adoção dos quatro naipes para identificar as esquadrilhas foi uma decorrência lógica:

  • 1a Esqda - OUROS
  • 2a Esqda - PAUS
  • 3a Esqda - COPAS
  • 4a Esqda - ESPADAS

Este é o segundo mais antigo código de Unidade Aérea da FAB, tendo completado 53 anos de existência e uso ininterrupto, em agosto/setembro de 1999.


 

 

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