1º GRUPO DE AVIAÇÃO DE CAÇA

"SENTA A PUA"

(COCAR de GUERRA)

(Origem e Descrição Heráldica do Símbolo e do Grito de Guerra)

 

I - Origem do Símbolo

* Depoimento do Maj Brig (Ref) Fortunato Câmara de Oliveira (autor do Símbolo) - 56 missões de guerra.

É preciso lembrar que, com os incessantes e arrasadores ataques de submarinos alemães e italianos nas costas atlânticas, desde os EEUU. até o Brasil, seria muito arriscado transportar os aviões adquiridos por via marítima. E por essa razão ficou resolvido, pelas autoridades da Força Aérea, que todos os aviões adquiridos na América, desde os frágeis PT-19 até os mais avançados como os B-25, Hudson, etc., se deslocariam por via aérea, por seus próprios meios, até o destino final, o Brasil.

E levas e levas de pilotos e mecânicos do Brasil desembarcaram nos E.U.A. para formar essas equipagens de transporte. Assim, era comum se ver em New York, em Miami, em Los Angeles, San Antônio, e em várias cidades americanas, os grupos de pilotos e mecânicos brasileiros, perambularem pelas ruas daquelas cidades, antes de receberem os aviões e levá-los para o Brasil. O quepe branco já os diferenciava dos militares da terra. Mas, a maior diferença era na alimentação que lhes era oferecida, que contrariava todos os hábitos alimentares a que tivessem se habituado: feijão com açúcar, ovos em pó, leite também, etc.

O então Cel. Av. Aquino (Geraldo Guia Aquino) comparou-os a um "bando de avestruzes". A comparação virou apelido e difundiu-se entre nós. Assim, o avestruz do símbolo do 1o Grupo de Caça encontra sua origem nessa denominação histórica criada pelo Cel. Aquino (falecido quando já era Major Brigadeiro do Ar Reformado). O desenhista, para a feitura do símbolo avestruz, inspirou-se na fisionomia do Ten. Pedro de Lima Mendes, que realmente, era uma figura que se destacava do corriqueiro pelo seu perfil aquilino, seu porte e sua simpática personalidade. 

II - Descrição do Símbolo

  • A moldura auriverde simboliza o Brasil (mesmas cores da Bandeira - elipse com razão de 80% e espessura da moldura igual a 6% da largura da elipse).
  • O campo rubro sobre o qual se situa o avestruz guerreiro representa o céu de guerra onde combatiam os Pilotos de Caça (vermelho puro).
  • A parte inferior, onde está pousada a figura principal, são as nuvens brancas, o chão do aviador.
  • O escudo azul com a constelação do Cruzeiro do Sul é o símbolo usual que caracteriza as Forças Armadas do Brasil (mesmo azul da Bandeira).
  • O risco branco vertical, à direita, que é encimado por uma explosão de obus, foi acrescentado posteriormente, quando o 1o Grupo de Caça entrou em combate, e representa a incessante e certeira ação da artilharia antiaérea inimiga que fustigava os caçadores no Teatro de Guerra Italiano.
  • O Avestruz representa o piloto de Caça brasileiro, tendo como inspiração a fisionomia do Ten. Lima Mendes, com seu perfil aquilino e, ainda, o "estômago" dos Veteranos do 1o Grupo de Caça.
  • O quepe branco caracteriza mais nitidamente a sua nacionalidade.
  • A arma empunhada pelo avestruz é a representação do poder do fogo do P-47, com suas oito metralhadoras .50 (ponto cinquenta ou meia polegada de diâmetro interno do cano).
  • O dístico "Senta a Pua!" é o grito de guerra do 1o Grupo de Caça.

III - Grito de Guerra

O Grito de Guerra "Senta a Pua!", foi lembrado pelo então Ten. Rui Moreira Lima que o ouvia, constantemente, quando servia na Base Aérea de Salvador. Ouvira-o do então Capitão Aviador Firmino Alves de Araújo (falecido como Brigadeiro do Ar) que, com essa expressão - pronunciada de modo impulsivo - concitava os companheiros e subordinados ao cumprimento rápido das missões e ordens que dele recebiam. Nada melhor, portanto, que aplicá-lo ao combate, como o "A la chasse!" dos franceses e o "Tally Ho!" dos ingleses e americanos

IV - O Código JAMBOCK

* Depoimento do Maj Brig (Ref) Rui Barbosa Moreira Lima - Veterano de Guerra - 94 missões de guerra.

Quando o 1o Grupo de Caça chegou à Itália passou imediatamente ao comando de 350o Grupo de Caça americano (350th Fighter Group). Em Tarquínia, Itália, recebeu o nome de código com que iria operar até o fim de guerra: Jambock.

O 350th tinha sob seu controle operacional quatro Esquadrões de Caça, sendo três americanos e um brasileiro. Naquela ocasião, um Grupo de Caça na Força Aérea Brasileira, correspondia a um Esquadrão de Caça ou "Fighter Squadron" na "United States Army Air Force" (USAAF). Assim, durante nossas operações de guerra, éramos no 350th , o 1st "Brazilian Fighter Squadron". Os outros três esquadrões: 0 345th e 347th . Cada um tinha seu nome de código (code name), sendo todos obrigados a usá-lo em qualquer espécie de vôo. O procedimento é internacional. Alemães, japoneses, russos, franceses, ingleses, enfim, qualquer Força Aérea no mundo adota esse sistema. De um modo geral há um código de identificação do esquadrão, seguido de uma cor para cada Esquadrilha é um número para o piloto. Eu, por exemplo, me identificava na Itália como "Jambock Green Two (verde dois)".

Por que Jambock? O que significa essa estranha palavra que, vinda dos americanos, não consta nos principais dicionários ingleses?

Quando com ela nos batizaram perguntamos ao Oficial de inteligência do 350th qual o seu significado. "Jambock significa chicote". Isso nos bastou. Nenhum de nós teve a curiosidade de verificar em um dicionário se essa palavra existia. E ficamos de Jambock por longos 25 anos, com a certeza de que chicote era sua tradução correta.

Em 1969 porém, em uma entrevista comercial que tive com um diretor da Cia. de Cigarros Souza Cruz, Sr. Kenneth H.L. Light, este me perguntou donde eu tinha tirado o nome de minha firma Jacel Jambock, e o que queria dizer Jambock. - "Sr. Light, Jambock é uma palavra dos senhores, era nosso nome de código na Itália e quer dizer chicote" - "Não, Coronel Rui, essa palavra não existe nos dicionários tradicionais como Michaelis e Webster. Já a procurei. Acho que o senhor está enganado". Respondi-lhe em tom de brincadeira que, se morresse naquele instantes, "passaria a melhor" jurando que Jambock era chicote. Depois de algumas considerações, o Sr. Light se propôs a investigar o verdadeiro significado daquela mágica palavra.

Passados uns 45 dias fui avisado de que ele tinha uma surpresa. Procurei-o imediatamente. Mal nos cumprimentamos, foi falando: - "Realmente, Coronel Rui, Jambock quer dizer chicote, mas não chicote comum que o senhor estava pensando que era. Jambock é um chicote especial, feito com couro de rinoceronte e utilizado pelos nativos do Transvaal para dirigir o gado, seja em carros de boi ou em manadas". Tinha outro rumo, agradeci e resolvi continuar a pesquisa, indo ao Consulado da África do Sul no Rio de Janeiro.

Ali constatei que a palavra teve origem na Indonésia. Havia uma vara de madeira para castigar escravos, chamada por eles de Sambok. Posteriormente, a palavra e o instrumento de tortura emigraram para a Malásia. Quando os escravos malaios foram levados pelos ingleses para a África do Sul, introduziram o Sambok na língua afrikaan, em 1804, com a mesma grafia. Os sul-africanos brancos passaram a adotá-la em seu vocabulário escrevendo-a de modo diferente: Sjambok

Na África do Sul o Sjambok de madeira foi substituído por um chicote feito com couro de rinoceronte ou hipopótamo velho, utilizado como instrumento de tortura contra escravos.

Hoje, alguns fazendeiros conservadores ainda usam o Sjambok para castigar os filhos e os empregados que cometem pequenas faltas. A palavra é encontrada no pequeno Dicionário Oxford (inglês-afrikaan), edição atual, escrita em 1804: Sjambok

Em outubro de 1944, o 1o Grupo de Caça recebeu na Itália a palavra Jambock como código de identificação, com grafia diferente. Caiu o "S" inicial de Sjambok, sendo americanizada com um "C" antes do "K".

Por uma ironia dos fatos, o chicote utilizado pelos brancos contra os escravos africanos, indonésios e malaios passou a ser usado contra os "arianos puros" de Adolf Hitler, manejados por brasileiros livres que foram à Itália defender a liberdade e a democracia.

Hoje os jovens Jambocks de Santa Cruz, voando os velozes F-5 nos céus do Brasil, tal qual os Veteranos nos Thunderbolts nos da Itália, se identificam no ar, usando orgulhosamente o mesmo código, tradição legada pela unidade guerreira que tanto se destacou no Vale do Pó.

Alguns códigos utilizados pelos pilotos do 350th Fighter Group nas operações no Teatro de Operações na Itália:

  • 1st Brazilian Fighter Squadron: Jambock 
  • 345th Fighter Squadron:  Lifetime 
  • 346th Fighter Squadron:  Minefield 
  • 347th Fighter Squadron:  Midwood 
  • Torre de Controle (PISA):  Black Ball Tower 
  • Controle de radar sobre os Apeninos:  Hubbard 
  • Destacamento aerotáticos:  Rover Jô e Rover Pete

 

 

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